Alta do bunker faz a Maersk sobretaxar seus clientes

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A Maersk Line recentemente informou aos seus clientes que está aumentando seus preços decido ao aumento do preço do bunker, um reflexo direto da alta repentina do petróleo que impacta toda a cadeia produtiva e estoura sempre na ponta, pois o custo é, via de regra, repassado ao cliente final.

Em matéria no Jornal Financial Times foi destavada a posição de liderança da empresa, que hoje detém cerca de 19% do frete marítimo mundial e é vista como referência para o comércio internacional, de produtos eletrônicos aos a,imentos in natura.

O preço do bunker marítimo subiu mais de 20% desde o início do ano, sendo que na Europa este preço atingiu o valor de US$ 440 por tonelada métrica, o maior desde 2014,fazendo com que a empresa fosse obrigada a repassar este custo, aumentando seus preços através de uma sobretaxa.

E aqui no Brasil não ficamos para trás. O preço do bunker sempre foi muito alto, nada atrativo, e altamente impactado pela carga tributária e pelo monopólio da Petrobras na distribuição de combustíveis em nosso país. O gráfico abaixo faz uma comparação dos preços do IFO 380 entre os portos de Rotterdam (Holanda) e de Santos:

Preço do IFO 380 – Comparação Rotterdam x Santos – Fonte: Ship & Bunker

A empresa, que alega ser a taxa apenas para cobrir os custos extras com o bunker, e não para ter mais lucro, tem cobrado uma sobretaxa de US$ 120, o que aumenta, por exemplo, o custo de um container de 40 pés em 14% no trajeto Rotterdam x Shangai.

A Maersk alega que o aumento de quase 50% no preço do barril de petróleo no último ano, somado às incertezas no Oriente Médio e na grande queda da produção na Venezuela foram fatores decisivos para que fosse adotada esta sobretaxa e já sinaliza ao mercado que pode dobrar esta sobretaxa caso o preço do bunker chegue a US$ 530 por tonelada métrica  como zerar, caso os preços caiam para os US$ 370.

A MSC também já sinalizou a sobretaxa e informou que a situação como está no momento é insustentável, ou seja, a Maersk não está sozinha nessa.

Deve demorar muito ainda para estes US$ 370, mas é improvável um bunker a US$ 530, já que o mesmo é diretamente ligado ao processo do barril de petróleo, que voltou a cair com a sinalização da OPEP de que deve aumentar, ainda que discretamente, a produção.

Evolução do preço do bunker no Porto de Rotterdam – Fonte: Ship & Bunker

Ironicamente a empresa decidiu vender seus ativos da área do petróleo e gás há dois anos em um negócio de US$ 7,5 bilhões, e ficou com apenas 3,7% das ações do negócio que agora pertence à Total. E por que ironicamente? Se por um lado ela se prejudica com a alta do bunker, por outro ela se beneficia, ainda que discretamente, da alta do barril de petróleo.

A discussão sobre o bunker é antiga e, como podemos ver, não é apenas aqui no Brasil. A coisa está  feia e a Economia mundial, movida por uma matriz energética que ainda depende muito dos combustíveis fósseis, vai entrando num loop de insustentabilidade e assim permanecerá enquanto essa matriz não der mais atenção para as energias renováveis.

Que saibamos aproveitar este que tem tudo para ser o último boom do petróleo em sua plenitude, preparando o futuro que bate na porta.

Por Rodrigo Cintra 

2 COMMENTS

  1. Só um comentário: O monopólio no transporte de Petróleo foi quebrado em 1995.

    A grande questão é que a Transpetro, por ser uma estatal, se submete a pagar altos custos de tarifas e impostos, que outras empresas não se submetem.

    Reportagem interessante.

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