O vai e vem de navios na Baía de Todos os Santos que atrai a atenção de quem passa pela região do Comércio e na Cidade Alta tem tudo para ficar ainda mais intenso nos próximos meses. O Terminal de Contêineres de Salvador (Tecon), que até o dia 1º de junho recebia navios com até 300 metros de comprimento, teve a capacidade ampliada para abrigar embarcações com até 366 metros.

Para se ter uma ideia, as embarcações são tão extensas que se fossem colocadas na vertical seriam da altura de um prédio de 120 andares. A estimativa é de que eles cheguem em até dois anos.

O anuncio foi feito, oficialmente, na tarde desta segunda-feira (18), na Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), pela Conder, Tecon e Capitania dos Portos. A notícia foi antecipada, com exclusividade, pela Coluna Farol Econômico do CORREIO.

Na prática, Salvador e Paranaguá (PR) serão os únicos portos brasileiros com capacidade para receber navios desse tamanho.

Impacto

O diretor-executivo do Tecon, Demir Lourenço, acredita que as mudanças terão impacto no sistema em até dois anos. Hoje, os navios maiores transitam entre China, Europa e EUA. Nesses portos, as cargas são transferidas para embarcações menores para serem distribuídas para os países do Hemisfério Sul.

“Com a mudança, Salvador passa a receber navios maiores e poderá servir de ponto de partida para a distribuição de carga, não apenas para o estado como para o restante do país. Eu diria que num prazo de um ano a dois anos teremos esses navios nas costas brasileiras, e enquanto outras cidades estão começando a pensar no assunto, estamos à frente das concorrentes”, afirmou.

Segundo ele, o investimento na reforma do Terminal de Contêineres foi de R$ 200 milhões. Lourenço destacou também a construção da Via Expressa e a dragagem do canal de acesso do porto e da bacia de evolução, onde os navios giram, como fundamentais para garantir a ampliação da capacidade.

Estudo

Depois que a reforma do Terminal de Contêineres foi concluída, em 2012, a empresa que administra o espaço contratou o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) para fazer um estudo do local. O objetivo era comprovar que as mudanças permitiam que grandes navios atracassem com segurança.

O estudo foi feito em parceria com a Codeba e a Marinha. O comandante da Capitania dos Portos, Leonardo Reis, contou que o processo começou em maio de 2014. “O estudo foi realizado com muito cuidado e precaução, sempre visualizando a segurança como fator mais importante. Utilizamos provas de tanques da USP para realizar todas as simulações necessárias e devidas, e finalizamos um estudo sobre o canal de acesso”, afirmou.

O Porto de Salvador recebe cerca de 16 mil contêineres todos os meses, que são distribuídos por aproximadamente 40 navios. As cargas são variadas, como equipamentos para instalação e manutenção de indústrias, a exemplo dos parques de energia eólica e solar.

As embarcações trazem e levam também produtos como arroz, polímeros, químicos, celulose, fertilizantes, as frutas do Vale do São Francisco e o algodão produzido no Oeste baiano, entre outros.

Investimento

Para o diretor-presidente da Codeba, Rondon Brandão do Vale, a ampliação vai deixar o porto mais competitivo e impulsionar as possibilidades de negócios. Na prática, o empresário brasileiro poderá trazer os produtos até Salvador para depois fazer a transferência para embarcações menores, como já acontece em Paranaguá e em terminais estrangeiros.

“A grande mudança é que abre para o mercado com esse aceno de aumento de capacidade de navios de maior porte. Isso veio em um momento bastante oportuno em que está se discutindo uma revisão do plano mestre, que estabelece ações operacionais e identifica investimentos, onde está em jogo também uma mudança de função do Porto de Salvador”, afirmou.

Atualmente, o Terminal de Contêineres de Salvador movimenta volume médio de 394 mil toneladas por mês. As embarcações de 333 e 366 metros autorizadas a partir de junho têm capacidade para transportar ​volumes ​acima de ​14 mil Teus (contêiner do tamanho padrão).

Fonte: Correio24horas

Por Redação

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