Em uma das palestras por ocasião do Ciclo de Conferências na Marintec South America, dentro do Marine Summit II, um evento do Grupo Portal Marítimo, o assunto “Navios Autônomos” foi abordado pelo Capitão de Cabotagem Alejandro Caprario, na quarta-feira passada, dia 15 de Agosto.

A palestra lotou o evento e ainda tivemos pessoas de pé para assitir, já que o assunto é fonte de muita especulação, muita discussão comercial, que acaba desviando dos assuntos técnicos e operacionais tão importantes para o perfeito entendimento desta nova demanda.

É uma verdadeira revolução que está em curso, e que atingirá as bases de todo o segmento do transporte marítimo nos próximos anos: navios sem tripulação.

Na exposição ficou claro que existe uma verdadeira corrida liderada por vários países para o lançamento do primeiro navio cargueiro não-tripulado a entrar em serviço, na onda da denominada 4a. Revolução Industrial e da entrada da Inteligência Artificial na Marinha Mercante.

Na Finlândia, inclusive, já há uma aprea exclusiva para as provas de mar desses navios. Clique aqui e conheça.

Já existe um navio autônomo em uso efetivo, mas para fins militares. Trata-se do Sea-Hunter da Marinha Americana, que será incorporado à frota do Pacífico ao final de 2018 como caça-minas e anti-submarino. Mesmo ainda não incorporado, o navio está operando para fins de pesquisa para a Office of Naval Research (ONR) desde fevereiro deste ano.

Capaz de atingir a velocidade de 27 nós, o Sea Hunter tem 40 metros e pode ter uma autonomia de até 3.500 milhas náuticas.

Os principais países que se destacam nessa corrida, são muitos: Noruega, Inglaterra, Finlandia, China, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coréia, Singapura, Israel, Austrália e Suécia.

Várias sociedades classificadoras importantes do transporte marítimo mundial, tais como a DNV-GL, Lloyd’s Register, ABS e a chinesa CCS, participam diretamente de vários projetos de Navios completamente Autônomos.

Recentemente ao final de Maio, a própria IMO lançou a formação de um comitê especial, para poder iniciar o lançamento de regulamentos do uso desses navios, para que, ao final do período de testes após o lançamento de uma determinada embarcação, possam adentrar imediatamente ao mercado.

Uma das iniciativas da MASSTERLY (joint venture entre as gigantes norueguesas Kongsberg e Wilhelmsen), será lançar o YARA Birkeland ainda no segundo semestre deste ano, projeto acompanhado de perto pela DNV-GL, detentora também de um protótipo, o Re-Volt.

Saiba um pouco mais sobre o Yara Birkeland clicando aqui.

O navio de 79,5 metros, capacidade de 10 containers, será totalmente elétrico, dentro de um conceito de sustentabilidade que acompanha a maioria dos projetos dos navios autônomos. Irá transportar fertilizantes para outra gigante industrial da Noruega, a YARA. Com esse novo modal de transporte, 40.000 viagens de caminhão que hoje fazem a logística dos fertilizantes entre os portos de Heroya, Brevik e Larvik, seria substituído pelo Yara Birkeland.

Outras gigantes da indústria marítima estão envolvidas diretamente nesta tecnologia: Rolls Royce, Wartsila, Maersk, Bourbon Offshore, Mitsui OSK Line, Stena Lines, NYK Lines, Keppel Offshore & Marine, Robert Allan LTD., dentre outras.

Por Redação

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