Anunciado com pompa em março deste ano, o projeto de transporte marítimo interligando os municípios da Grande Florianópolis segue à deriva. Ainda sem todas as autorizações necessárias para o início da operação, as viagens nas Baías Norte e Sul dificilmente começarão até outubro, prazo estipulado pelo governo de Santa Catarina na viagem experimental realizada seis meses atrás.

No dia 12 de março, representantes da Secretaria Estadual de Infraestrutura, Departamento de Transportes e Terminais (Deter) e das prefeituras de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça embarcaram em um catamarã para mostrar à população como seria fácil implementar o modal. O primeiro trajeto seria entre um trapiche no Centro Sul, na Capital, e um no Centro Histórico de São José, ao custo aproximado de R$ 9, mas a implementação da operação se mostrou mais difícil do que o prometido.

— Não depende só do governo estadual. Ainda falta o deferimento da SPU (Secretaria de Patrimônio da União) em Brasília. Depois disso, precisamos da última autorização da Fatma, que é a LAO (Licença Ambiental de Operação). Por último, precisaremos da autorização da Marinha. Quanto aos trapiches, só poderemos mexer neles após autorização da SPU — explica o presidente do Deter, Fúlvio Brasil Rosar Neto.

Na ocasião da viagem experimental, um integrante do governo de Santa Catarina, que já deixou o cargo para concorrer nas Eleições deste ano, garantiu que estava tudo pronto para o início das operações “entre agosto e outubro”. Ao fim e ao cabo, pouca coisa andou depois deste anúncio. Nem mesmo os trapiches começaram a ser reformados (Centro Sul, em Florianópolis) ou construídos (São José, Palhoça e Biguaçu).

— Assim que tivermos as autorizações vamos iniciar as obras — promete o presidente do Deter.

Operação sem licitação

Ainda em março deste ano, o governo de Santa Catarina anunciou que a empresa responsável pela operação do transporte marítimo será a BB Barcos, de Imbituba. À época, o secretário de Infraestrutura afirmou que a licitação havia sido dispensada por conta da “expertise” da empresa. Hoje, o presidente do Deter afirma que apenas será concedida uma autorização para operação durante seis meses.

— Esse período servirá para avaliar a demanda de passageiros e entender melhor a operação. Depois desses seis meses, haverá uma licitação — afirma Fúlvio Rosar Neto.

Mobilidade prejudicada

Não é de hoje que a mobilidade urbana na Grande Florianópolis é quase um martírio para a população. A situação fica ainda pior quando ocorrem acidentes nas pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos, como o tombamento de um caminhão na quinta-feira, que causou enorme congestionamento.

Ainda assim, poucas iniciativas para melhorar a mobilidade na região metropolitana vão adiante. O Plamus, projeto que pretende implementar corredores de ônibus para aprimorar a qualidade do transporte coletivo em detrimento do transporte individual, caminha a passos lentos.

— Não podemos ficar reféns apenas de um tipo de transporte (o rodoviário), seja coletivo, seja individual. Temos que ter outras opções — avalia o presidente do Deter.

Uma alternativa seria justamente o transporte marítimo, mas o projeto também não deslancha. A prefeitura de Florianópolis, por exemplo, afirma que está acompanhando a situação, mas deixa a responsabilidade com o governo do Estado. Assim, esvai-se o prazo para implementação de mais um entre tantos projetos de mobilidade que não saíram do papel.

Fonte: Hora de Santa Catarina

Por Redação 

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