A Transocean anunciou esta semana que deve comprar a Ocean Rig em um acordo considerado altamente estratégico e que era esperado por muitos especialistas, mesmo em um momento em que a Transocean tem suas ações em queda enquanto o barril de petróleo segue com tendência a alta.

O negócio inclui a dívida líquida da Ocean Rig e foi fechado em US$ 2.7 bilhões, mostrando um movimento relativamente ousado já que, ainda que o preço do barril esteja se fortalecendo e se mantendo estável pelos últimos meses e o mercado sinalize para uma imediata recuperação com aumento contínuo nas operações petroíferas, o que já vem ocorrendo, a verdade é que ainda há um nível de incerteza que pede cautela.

Com o movimento, a Transocean comprova a sua vocação em ser grande, realizando outra grande aquisição após ter comprado a Songa Offshore, e ainda confirma o foco da empresa em apostar na exploração em águas ultraprofundas e águas hostis (onde há desafios grandes relacionados às condições ambientais como gelo, vento, correnteza, etc). Estes dois mercados vem se fortalecendo nos últimos meses.

Indo além, a empresa vai poder oferecer no mercado unidades com um alto e complexo nível de tecnologia embarcada a preço acessíveis, algumas em lay-up (ou laid up) aumentando sobremaneira sua competitividade e liquidez.

A frota da Ocean Rig a ser transferida para a Transocean é realmente interessante para o mercado atual:

  • Duas plataformas semi-submersíveis para águas hostis. A Leiv Eiriksson, que está sob contrato no momento, e a Eirik Raude, atualmente em lay-up frio (desguarnecida).
  • Nove navios-sonda para águas ultraprofundas. O Ocean Rig Skyros é o único que possui um contrato longo no momento. O Ocean Rig Poseidon conseguiu alguns trabalhos spot, garantidos até o início de 2019. Ocean Rig Corcovado e Ocean Rig Mykonos encontram-se sem contrato no momento, em lay-up quente (com tripulação mínima de segurança). Os demais navios-sonda, Ocean Rig Apollo, Ocean Rig Athena, Ocean Rig Mylos, Ocean Rig Olympia e Ocean Rig Paros estão em lay-up frio.
  • Dois navios-sonda para águas ultraprofundas em construção no estaleiro Samsung Heavy Industries. O Ocean Rig Santonrini, que teve sua entrega postergada para o terceiro trimestre de 2019 e o Ocean Rig Crete, que teve sua entrega postergada para o terceiro trimestre de 2020.

Já a Transocean possui em sua frota:

  • Vinte e três navios-sonda para águas ultraprofundas
  • Doze plataformas semi-submersíveis para águas hostis
  • Duas plataformas semi-submersíveis para águas profundas
  • Cinco plataformas semi-submersíveis para águas rasas

Quando analisamos a combinação das duas frotas, fica fácil perceber o fortalecimento da empresa para o cenário que espera o mercado, ainda que questões de ordem geopolítica possam simplesmente derrubar este mesmo mercado. Este risco é sempre presente.

O fortalecimento das operações no setor norueguês do Mar do Norte, na Costa Oeste da África e no Brasil também deixa a empresa em uma posição confortável para atuar em águas ultraprofundas nesses três mercados tão importantes para a indústria petrolífera mundial.

O CEO e Presidente da Transocean, Jeremy Thigpen, acredita que com esta frota, que agora se torna a maior do mercado, concentrando um lucrativo backlog de US$ 12.5 bilhões e uma liquidez de US$ 3.7 bilhões, a empresa está bem equipada para a recuperação do mercado, pronta para assumir a liderança do mesmo.

E é fato que a frota combinada será a de melhor especificação técnica, tanto patra águas ultraprofundas como para águas hostis, este último, um mercado não muito conhecido aqui no Brasil.

Após a aquisição, a empresa não planeja nenhuma grande mudança em seu quadro de diretores, mantendo sua matriz na Suíça e garantindo uma forte presença em Houston, Aberdeen e Stavanger. A transação deve ser concluída no primeiro trimestre de 2019 e ainda está sujeita à aprovação dos acionistas de ambas as empresas, ao atendimento de diversas condições e à liberação por órgãos regulatórios.

No final, a Transocean está literalmente pagando pra ver em um mercado que já voltou a crescer, mas que ainda deve demorar de dois a três anos para se consolidar de fato e voltar ao seu topo.

Por Rodrigo Cintra

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