A Agência Nacional de Petróleo (ANP) leiloou quatro áreas de exploração de petróleo e gás na camada pré-sal do Brasil na última  sexta-feira (28). As 12 das principais petroleiras do mundo participaram do leilão, realizado em um hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Com as quatro áreas arrematadas, a União irá arrecadar R$ 6,82 bilhões em bônus de assinatura. Os investimentos previstos para as áreas são de R$ 1 bilhão. O ágio total do leilão foi calculado em 170,58%.

Veja os vencedores

Bloco Saturno

  • Vencedor: Consórcio Shell (50%) e Chevron (50%)
  • Excedente de óleo oferecido: 70,20%
  • Ágio: 300,23%

Bloco Titã

  • Vencedor: Consórcio ExxonMobil (64%) e QPI (36%)
  • Excedente de óleo oferecido: 23,49%
  • Ágio: 146,48%

Bloco Pau Brasil

  • Vencedor: Consórcio BP Energy (50%), Ecopetrol (20%), CNOOC Petroleum (20%)
  • Excedente de óleo oferecido: 63,79%
  • Ágio: 157,01%

Bloco Sudoeste de Tartaruga Verde

  • Vencedor: Petrobras
  • Excedente de óleo oferecido: 10,01%
  • Ágio: 0

Ofertas

Cada um dos três primeiros blocos ofertados recebeu apenas duas propostas, todas feitas por consórcios. Entre estes, a Petrobras fez oferta apenas por Pau Brasil, associada à E&P e à CNODC, que foi superada.

Já o bloco Sudoeste de Tartaruga Verde recebeu apenas a proposta da Petrobras, que não ofereceu qualquer ágio em relação à oferta mínima de óleo excedente exigida pela ANP. A estatal já havia exercido o direito de preferência pelo bloco, o que significa que, se ela não arrematasse, poderia se consorciar com a vencedora para ser a operadora, com 30% – o que pode ter reduzido o interesse das demais empresas.

Na quinta-feira, após ter chegado a um acordo de US$ 3,6 bilhões com autoridades dos EUA para encerrar litígio decorrente das irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato, as ações da Petrobras dispararam na bolsa, e levaram a empresa a recuperar o posto de segunda maior companhia em valor de mercado na Bovespa, superando a Ambev.

Quase R$ 18 bilhões no ano

Com o resultado desta sexta-feira, a União arrecada, ao todo, R$ 17,95 bilhões com os três leilões deste ano. Em dois anos, o governo soma R$ 27,9 bilhões de arrecadação com leilões de blocos exploratórios de petróleo. No ano passado foram arrecadados R$ 9,9 bilhões, sendo R$ 6,15 bilhões com áreas do pré-sal e R$ 3,8 bilhões no pós-sal.

 Modelo do leilão

Nas licitações sob o regime de partilha da produção, as empresas vencedoras são as que oferecem ao governo, a partir de um percentual mínimo fixado no edital, o maior percentual de óleo excedente da futura produção. Esse excedente é o volume de petróleo ou gás que resta após a descontados custos da exploração e investimentos.

O percentual mínimo de excedente de óleo que deve ser destinado à União é de 17,54% para Saturno; 9,53% para Titã; 24,82% para a área de Pau-Brasil e de 10,01% para Sudoeste de Tartaruga Verde.

A área de Saturno estava prevista para ser licitada na 4ª rodada de leilão do pré-sal, agendada para junho, mas o bloco foi retirado após recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU). Junto com ela serão licitadas duas áreas que foram excluídas pelo TCU do leilão de petróleo e gás realizado no dia 29 de março. Análises do tribunal apontaram que seria mais vantajoso para o governo que as áreas fossem licitadas junto com o bloco de Saturno, sob o regime de partilha.

‘Feito extraordinário

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, classificou como “um feito extraordinário” o fato de que 93% dos blocos do pré-sal ofertados nas cinco rodadas terem sido contratados. “Vamos continuar nessa direção”, apontou.

Ele destacou que, com o fim da obrigatoriedade da Petrobras ser a operadora exclusiva da camada pré-sal, cinco petroleiras estrangeiras, a partir dos leilões, passaram a operar a exploração desta reserva brasileira. “Com isso, a gente garante recursos para continuar a exploração”, disse.

As estrangeiras que contrataram áreas nos leilões, como operadoras dos consórcios, foram a britânica British Petroleum, a anglo-holandesa Shell, a norte-americana ExxonMobil e a norueguesa Equinor, além da francesa Total E&P, que adquiriu área da Petrobras.

“A competição é o melhor resultado para a sociedade. Dizem que em time que está ganhado não se mexe. Mas tem time que está ganhando e tem que se mexer para melhorar e evoluir”, enfatizou o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix.

Félix ressaltou que os resultados dos leilões mostram que foi acertada a decisão de abrir o mercado de exploração de óleo e gás no país. “O Brasil é bem maior do que a Petrobras. Talvez alguém ainda tivesse dúvida disso. Qualquer coisa que depende só de um não é sustentável”.

Oddone disse que a estimativa é de que até o final da próxima década haja 60 plataformas explorando o petróleo do pré-sal no país. Com isso, a expectativa é que o valor de investimentos seja muito superior ao compromisso mínimo assumido pelas empresas vencedoras dos leilões, que seria de R$ 4,5 bilhões. Segundo ele, cada plataforma demanda, em média, investimentos na ordem de R$ 6 bilhões e, com a projeção de instalações dos sistemas de exploração haverá “uma quantidade brutal de investimentos e de contratações”.

Questionado, o diretor ANP disse que os resultados dos leilões na geração de emprego e de investimentos começarão a aparecer no final de 2019, atingindo seu pico entre os anos de 2023 e 2024. “O pico dos investimentos acontece na fase de instalação das facilidades de operação, por volta do 4º ano após a contratação da área”.

“A nossa estimativa é que a produção de petróleo no Brasil vai dobrar até 2027, se tornando um dos maiores produtores mundiais”, ressaltou.

Fonte: G1

Por Redação 

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