O anúncio antecipado do restabelecimento das sanções dos EUA contra o Irã elevou os preços do petróleo para níveis recordes no mês passado, mas o petróleo que está sendo produzido para substituir a oferta do Irã e a amenização do crescimento da demanda, devido à desaceleração da economia global, poderiam empurrá-los para baixo novamente.

Preços mais baixos do petróleo podem ser bons para os consumidores e as empresas dos EUA num momento em que a inflação está começando a subir. No entanto, um patamar mais baixo do barril poderia afetar os produtores norte-americanos, que se tornaram importantes condutores do crescimento econômico dos EUA. No Brasil, com os preços dos combustíveis atrelados às cotações internacionais, a queda do petróleo significa alívio no bolso dos consumidores.

No início do mês passado, o preço do petróleo Brent, referência mundial em petróleo, subiu para o maior valor em quatro anos, de US$ 86 o barril. A aproximação das sanções dos EUA levaram os embarques iranianos de petróleo a 1,76 milhão de barris por dia em outubro, ante os 2,66 milhões de barris observados em junho, segundo a empresa de rastreamento de navios Kpler. Já o petróleo tipo WTI, referência nos EUA, atingiu cerca de US$ 76 o barril, também o maior valor em quase quatro anos, refletindo a queda dos embarques iranianos. No total, espera-se que 1 milhão a 1,5 milhão de barris por dia de exportações iranianas seja derrubado pelas sanções dos EUA.

Após atingir o pico em quatro anos, o Brent caiu quase 16% e o WTI 17% desde o início de outubro, despencando ao lado dos mercados acionários em meio às preocupações com a economia global, o protecionismo comercial e o aumento das taxas de juros. No curto prazo, os preços do petróleo serão sustentados pela escassez de suprimentos iranianos, tendo em vista que os EUA estão restabelecendo as sanções amanhã, após a retirada do presidente Trump de um acordo internacional de 2015 para aliviar as restrições em troca de limites ao programa nuclear do país. A administração Trump deixou claro que seu objetivo é reduzir as exportações iranianas para zero.

Mas a Casa Branca reconheceu que vários compradores não conseguem chegar a zero imediatamente, concedendo isenção a oito países para permitir que eles continuem importando petróleo iraniano enquanto trabalham para mudar para outros fornecedores. No entanto, os analistas veem a pressão sobre o preço do petróleo, uma vez que os EUA, a Rússia e a Arábia Saudita aumentam a oferta num momento em que o enfraquecimento do crescimento econômico global deve prejudicar a demanda.

O Rapidan Energy Group prevê 2,5 milhões de barris por dia de oferta global adicional em 2019. “A grande mudança não notada nos mercados de petróleo nos últimos seis meses é o tsunami de fornecimento que vem sendo construído para o ano que vem”, disse Bob McNally, presidente do Rapidan Energy Group. “Vemos o ano que vem com muita sobreoferta, e isso antes de levarmos em conta o risco de demanda.”

Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vêm produzindo perto dos limites dos últimos meses para compensar as perdas da república islâmica, o terceiro maior produtor do cartel. A Rússia, por exemplo, aumentou sua produção em 400 mil barris por dia, para 11,74 milhões de barris, entre maio e setembro, um recorde pós-soviético, segundo a Agência Internacional de Energia.

Fonte: Estado de Minas

Por Redação 

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