A crise entre os Estados Unidos e o Irã vem gerando medidas diferentes para que se garanta a realização de algumas operações importantes para a República Islâmica. Uma delas tem chamado a atenção.

Com apoio dos clientes interessados em sua carga, cerca de 30 navios navios petroleiros iranianos tem mantido delisgados os seus AIS, evitando, desta forma, que sejam rastreados por sistema globais, e contornando, de certa forma, os impactos das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

A medida vem sendo adotada desde o final do mês de outubro e faz com que, a partir de então, os navios só possam ser rastreados manualmente usando imagens de satélite. Um tipo de apagão, por assim dizer.

Mesmo assim os navios ainda podem ser monitorados por imagens via satélite, o que inevitavelmente vai gerar pressão sobre o Governo do Irã. As melhorias dos últimos anos tornam possível que organizações como a TankerTrackers, por exemplo, possam observar os navios diariamente.

Há também a possibilidade de armazenar o petróleo em navios maiores e deixá-los ao largo da costa do Golfo Pérsico. Inclusive hoje há seis navios nesta situação, todos fundeados e com uma capacidade para armazenarem, juntos, mais de dez milhões de barris, permitindo um fornecimento rápido e aliviando os portos.

Em meios às sanções, as exportações do Irã caíram de 2,5 milhões de barris por dia em abril para 1,6 milhão em outubro, demanda fortemente impactada por países alinhados aos Estados Unidos, que reduziram ou suspenderam a compra de petróleo iraniano. China e Índia foram os maiores prejudicados pelas sanções americanas, por dependerem muito do petróleo do Irã.

Brasil segue imune ao problema e pode acabar se beneficiando, de certa forma, da escassez do petróleo iraniano no mercado internacional.

Por Rodrigo Cintra

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