Irineu Evangelista de Souza, para uns, o Barão de Mauá… para outros, o Visconde de Mauá…Um homem muito, muito à frente de seu tempo. Um visionário ao qual o Brasil deve muito. Brasileiro e empreendedor. Um homem de negócios apaixonado por este país…

Em 1813, mais precisamente do dia 28 de Dezembro, nascia em Arroio Grande, Rio Grande do Sul, aquele que redefiniria o perfil da Economia brasileira, apoiando e sendo apoiado por Sua Majestade Imperial, o Imperador D. Pedro II.

Órfão desde os cinco anos de idade, Irineu teve contato com o mar bem cedo, já que fora criado por seu tio, um Comandante Mercante, com o qual veio de sua cidade para o Rio de Janeiro, aos nove anos de idade.

Extremamente trabalhador, Irineu trabalhou como caixiero e balconista, enquanto tocava seus estudos. Com muita dedicação, aprendeu Contabilidade, Práticas Comerciais e Inglês e aos 23 anos tronou-se gerente da empresa de comércio e importação de propriedade de um inglês, Mr. Richard Carruther, onde trabalhava desde os 11 anos. Não demorou muito para tornar-se sócio da empresa e alavancar seu crescimento, já chamando a atenção de muitos na época.

Aos 27 anos ele faz uma viagem à Inglaterra, onde tem contato com todas as inovações tecnológicas da Revolução Industrial que estava em curso, tendo oportunidade de observar as grandes mudanças tecnológicas que ocorriam naquela época, marcando o início da industrialização européia. Nesta viagem, após observar as grandes fundições, fábricas, indústrias e máquinas, Irineu teve ideia de apostar na necessária industrialização do Brasil, já que o país precisava de infraestrutura para acompanhar a Revolução Industrial que estava em curso. Máquinas substituindo o trabalho dos homens e a indústria mundial crescendo a olhos vistos, enquanto o Brasil, ainda agrícola, dependia de mudanças para o futuro.

Recursos financeiros seriam necessários para isso, e Irineu, que não possuía naquele momento, foi atrás dos mesmos. E conseguiu.

De volta ao Brasil, montou vários empreendimentos.

Desta forma, Irineu iniciou sua brilhante caminhada para marcar a História do Brasil. Vale o destaque para o Estaleiro da Companhia Ponta da Areia, em Niteroi, que deu origem ao que hoje é o estaleiro Mauá. Em 1846, uum ano após abrir seu empreendimento, Irineu Evangelista de souza já era o maior empresário brasileiro.

A partir de então, Irineu Evangelista encheu o Brasil de novos empreendimentos. Criou bancos, uma companhia de gás, a primeira estrada de ferro do país, ajustou o assentamento do cabo submarino que ligava o Brasil à Europa, entre tantas outras coisas revolucionárias para a época. Foram quase cinco décadas de vida ativa como empreendedor.

Ciente da necessidade e importância da expansão da Marinha Mercante no Brasil, ainda criou companhias de navegação no Amazonas e Rio Grande do Sul.

No auge da sua carreira (1860), controlava dezessete empresas localizadas em seis países (Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Inglaterra e França. No balanço consolidado das suas empresas em 1867, o valor total dos ativos foi estimado em 115 mil contos de réis (155 milhões de libras esterlinas), enquanto o orçamento do Império, no mesmo ano, contabilizava 97 mil contos de réis (97 milhões de libras esterlinas).

Irineu Evangelista é patrono da Marinha Mercante, e isso, claro, não foi gratuito. Ele fez por merecer.

O estaleiro, na Ponta da Areia, Niterói, Rio de janeiro, foi destruído por um incêndio em 1857 e reconstruído três anos mais tarde. Nos seus onze primeiros anos, antes do incêndio, o estaleiro havia fabricado 72 navios, entre navios à vapor e veleiros. O estaleiro ruiu definitivamente quando em 1860 uma lei isentou de impostos a importação de navios construídos fora do Brasil, o que conduziu a empresa à falência.

No Dia da Marinha Mercante Brasileira, fica em nosso peito a esperança que brasileiros como o Visconde de Mauá plantaram nesta nação.

Esperamos uma Marinha Mercante forte e torcemos para que todas as condições políticas, sociais, econômicas e educacionais necessárias para isso sejam criadas e desenvolvidas.

Que a Construção Naval, nossa crescente Cabotagem e a retomada das atividades petrolíferas offshore possam conduzir nossa Marinha Mercante ao que a mesma já foi um dia: uma das maiores e melhores do mundo.

Que os marítimos, peça fundamental da Marinha Mercante, possam singrar o mar imenso e fascinante, assim como é descrito no Hino da Escola de Marinha Mercante, entendendo a nobreza e relevância desta profissão. E que possam, por mares calmos ou bravios, transportar e prospectar riquezas e esperança, tendo o orgulho de tripular os navios e plataformas.

Que o advento das eólicas offshore, que agora bate à nossa porta, traga consigo toda a tecnologia e mais uma atividade para que o homem do mar desempenhe seu serviço.

Que a Cabotagem, meljor opção logística para o transporte em nosso país, cresça cada vez mais e mais, trazendo todos os benefícios ao Brasil, benefícios esses que passam muito longe de serem apenas para a Marinha Mercante.

Que a Construção Naval possa rensacer, com condições e preços competitivos, e que os governantes tenham a sensibilidade de entender a importância da atividade para a Economia Nacional.

E que os pessimistas de plantão sejam engolidos pelos sonhos daqueles que ousam escolher o mar como trabalho, aqueles que ousam acreditar na Marinha Mercante e investir em seus sonhos.

Afinal, qual é o preço de um sonho?

Viva a Marinha Mercante Brasileira!

Por Rodrigo Cintra

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