Cinco mil contêineres ‘encalhados’ congestionam portos do País

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O volume de cargas apreendidas pela Receita Federal ou abandonadas pelos importadores provocou um congestionamento de 5 mil contêineres encalhados nos portos brasileiros. Se fossem colocados um atrás do outro, formariam uma fila de 50 quilômetros de extensão – quase a mesma distância entre São Paulo e a cidade de Jundiaí, no interior do Estado.

Os equipamentos estão espalhados pelos principais terminais do País à espera de uma destinação por parte da alfândega, que não tem conseguido atender ao forte aumento do comércio exterior. Além dos prejuízos aos donos dos contêineres, o acúmulo das chamadas “cargas em perdimento” (apreendidas ou abandonadas) compromete a capacidade de armazenagem dos portos, que sofrem há muito tempo com a falta de espaço em seus pátios e armazéns.

Tecon lotado

“Esse problema virou um grande entrave para o sistema portuário brasileiro”, afirma Elias Gedeon, presidente do Centro Nacional de Navegação (Centronave), responsável pelo levantamento do número de contêineres parados nos terminais. Ele explica que o avanço das cargas em perdimento é decorrente de fatores interligados. Um deles é o aumento das importações, que avançaram quase 50% no primeiro trimestre deste ano. O segundo ponto é mais estrutural e está ligado à falta de capacidade da Receita Federal para atender à demanda crescente.

Os empresários do setor avaliam que a Receita não tem mão de obra suficiente para todas as intervenções necessárias e ainda encontrar uma destinação para as mercadorias apreendidas. De acordo com a legislação, toda carga não liberada ou retirada do porto dentro de 90 dias é declarada “em perdimento”. A partir daí, a Receita Federal fica autorizada a dar um destino para as mercadorias. Elas podem ser leiloadas, doadas, incorporadas por empresas públicas ou destruídas. “Mas esses processos não têm tido a agilidade que o momento exige”, afirma Gedeon. Ele destaca que algumas mercadorias levam mais de um ano para serem liberadas.

Foi o que ocorreu com cerca de 20 contêineres carregados de pneus usados, no Porto do Rio de Janeiro, afirma o secretário-geral da Câmara Brasileira de Contêineres (CBC), Alex Rotmeister. O executivo conta que a Receita demorou um ano para decidir o destino das mercadorias, que agora estão sendo usadas na produção de asfalto. “Há casos absurdos de uma carga esperar cinco anos para ser liberada.” Durante todo esse tempo, completa Rotmeister, os contêineres ficam inutilizados, causando prejuízos aos seus donos. Isso quando não precisam ser destruídos por causa da carga que está dentro, como ocorre no caso de mercadorias perecíveis. Cada equipamento frigorificado custa, em média, US$ 35 mil.

Para ler a matéria na íntegra, acesse o site do Jornal Cruzeiro do Sul

Por Felipe Vasconcelos

1 COMENTÁRIO

  1. E lá vai o custo Brasil nas alturas.
    O que pude concluir é que ficamos com cerca de 30% de nossa capacidade de movimentação simplesmente parada. Estagnada.
    Chamo a atençãodopessoal também para esse negócio de contêiner compneu usado. Outro dia foi contêiner com lixo…
    Pelo Amor de Deus. Isso deveria ser simplesmente PROIBIDO DEFINITIVAMENTE em nosso país.
    Importar pneu usado?
    Reciclar ou remanufaturar os que aqui estão, OK, mas importar pneu usado é demais.

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