Noble: continua a incerteza no Golfo do México

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David Williams, Presidente e CEO da Noble Corporation(NE),  acredita que a incerteza no Golfo do México continuará a impactar a indústria de perfuração offshore por algum tempo. Mr. Williams, em exposição durante o Barclays Capital Energy and Power Conference, em Nova York, atualizou os investidores a respeito da companhia, as operações e perspectivas de futuro diante da incerteza regulatória criada no Golfo do México após a catástrofe ocorrida com a Deepwater Horizon, envolvendo o blow out no poço de Macondo.

Temos uma cobertura de capital para a Noble Corporation nos últimos meses e acredito que a empresa está bem posicionada, apesar da incerteza do Golfo do México. A empresa tem se mostrado capaz de aproveitar as oportunidades quando elas surgem, como foi demonstrado pela aquisição da Frontier Drilling no meio do ano. A aquisição incluiu seis plataformas de perfuração junto com US$ 2 bilhões em contratos (líquidos para Noble) e foi financiada com uma taxa de juros atraente para a empresa. A empresa possui uma frota moderna e  concluiu que os custos gerados pela aquisição de novos equipamentos e plataformas que se adeqüem aos novos regulamentos são perfeitamente  gerenciáveis. As ações Noble já apresentam uma ligeira recuperação, com maior exposição em publicações como a Barron’s,  mas ainda estão sendo negociadas a preços muito mais baixos do que antes do incidente Horizon Deepwater.

David W. Williams – CEO da Noble

Cenários pós-Macondo

Um dos aspectos mais interessantes da apresentação envolveu uma avaliação de um novo padrão de “normalidade” para as operações no Golfo do México, em um mundo “pós-Macondo”. O slide abaixo considera três cenários que poderiam vir a ocorrer nos próximos meses e as consequências para a indústria de base em cada cenário :

Possíveis Cenários pós-Macondo - clique para ampliar

O Sr. Williams não fez uma previsão específica sobre qual cenário é mais provável de ser descartado, mas indicou que é bem provável que ocorra o fim da Moratória do Governo antes das eleições. Porém, caso o Governo insista em continuar com a suspensão da concessão de licenças, isto também poderia ser considerado uma moratória. Isso estaria mais alinhado com o cenário “Regulatory Inaction”, que poderia levar a uma maior incerteza, um maior êxodo de plataformas do Golfo do México e uma pressão forçando a queda das diárias das plataformas. Com o ambiente na capital Washington carregado de Política, como anda agora, devido a proximidade das Eleições, não é de se descartar o Cenário “Impossible regulations”, o que efetivamente destruiria a Indústria de Petróleo e Gás no Golfo do México e causaria uma grande devastação na Economia local.

Williams ainda observou que, nos últimos anos, uma porcentagem crescente de descobertas de petróleo e gás no Golfo do México está sendo descoberta em águas profundas e salientou o fato de as taxas de declínio serem maiores no golfo do que em outras partes do mundo. Em outras palavras, se a Moratória extender-se por mais tempo, haverá um grande impacto sobre a produção, principalmente para águas profundas, onde a taxa de declínio é normalmente entre 20 e 25 por cento.

Atualizações sobre as Plataformas:

David Williams forneceu informações atualizadas sobre as Plataformas da Noble que foram afetadas:

Noble Danny Adkins está no Golfo do México e retomou o trabalho. A unidade anteriormente cobrava uma diária de US$ 68 mil a US$ 70 mil. Enquanto o novo valor para adiária da Danny Adkins não foi divulgado, a apresentação de slides do Sr Williams indicou que o total arrecadado pela Noble em diárias no Golfo do México estava em  US$685 mil, bem abaixo dos US$ 3.025 milhões arrecadados antes do blowout em Macondo.

Noble Johnnie Hoffman – A unidade opera no México, o seguro tem uma extensão de três meses a uma diária de US$ 75 mil a partir de julho. Houve uma baixa em relação à diária anterior, que era de US$ 84 mil a US$ 86 mil.

Noble Earl Frederickson –  obteve uma extensão de quatro meses em seu contrato,  a uma diária de US$ 64 mil a partir de agosto. A unidade está operando no México e sua diária anterior era de US$ 67 mil a US$ 69 mil.

Noble Julie Robertson –  conseguiu uma prorrogação de três meses a uma diária de US$ 87 mil, a partir deste mês. A unidade está no Mar do Norte, onde cobrava uma diária de US$ 211mil a US$ 213 mil. A razão para esta grande queda não foi esclarecida pelo CEO da Noble.

Noble Ronald Hoope – Opera no Mar do Norte e conseguiu uma prorrogação de cinco meses a partir de novembro a uma diária de US$ 87 mi . Esta unidade já estava contratada a uma diária similar.

Noble Ton van Langeveld – Opera no Mar do Norte e tem um contrato de nove meses com uma diária de US$ 247 mil à  partir de dezembro. Esta unidade já estava contratada a uma diária similar.

Noble Roger Lewis –  começará um contrato de três anos a uma diária de US$ 132 mil na Arábia Saudita a partir de janeiro de 2011. Esta é uma melhoria ao longo dos US$ 105 mil de diária que era cobrado este ano, antes da renovação do contrato, que incluiu a instalação de extensões das pernas da plataforma e reforço em aço.

Noble Scott Marks – está sendo desmobilizada do Mar do Norte para a Arábia Saudita, para iniciar um contrato de três anos a uma diária de US$ 237 mil, a partir de junho de 2011. Atualmente sua diária no Mar do Norte é de US# 212 mil a US$ 214 mil.

Planos para o Futuro

David Williams prevê um lucro líquido estimado de US$ 7,1 bilhões, em relação aos US$13.2 bilhões investidos, baseado em uma margem operacional de 53,5 %. As margens de lucro da Noble continuam a exceder as margens de seus concorrentes na perfuração offshore, mas Williams observou que o aumento do excesso de regulamentação pode afetar as margens de todas as empresas do setor.

Em resposta a uma pergunta, o Sr. Williams reiterou que a Noble manterá seu foco no crescimento e manteve em aberto a possibilidade de aumento de dividendos no futuro.

Acesse a Apresentação do CEO da Noble

Acesse também: Discurso de David Williams na Conferência Barclays

por Ravi Nagarajan

Tradução livre feita por Rodrigo Cintra

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