Conheça o campo de Gjøa, na Noruega – Entrando em Operação nesse mês

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Veja tudo o que envolve o desenvolvimento de um Campo de Petróleo. Diversas empresas, contratos milionários e muita tecnologia. O PortalMarítimo traz aos leitores este artigo que fala sobre o Campo de Gjoa, no Mar do Norte, Noruega.

Descoberto em 1989, Gjoa está localizado nos Blocos 35/9 e 36/7 no setor norueguês do Mar do Norte, a 28 milhas (45 km) da costa da Noruega e em profundidades de 1.181 pés (360 metros). Sendo o maior projeto de desenvolvimento de campo de hoje na plataforma continental da Noruega, no Mar do Norte, Gjoa possui estimados 82 milhões de barris de petróleo e condensado e 1,4 trilhões de pés cúbicos (40 bilhões de metros cúbicos) de gás.



O Campo de Gjoa será operado por duas empresas em diferentes etapas. A Statoil está fazendo o desenvolvimento de campo, e Gaz de France será a responsável pela fase de exploração / produção.

Os parceiros do projeto incluem a Gaz de France com uma participação de 30%, Petoro também com 30%, a Statoil, com 20%, a Shell com 12% e RWE com os 8% restantes.

Desenvolvimento do Campo

Embora o campo tenha sido descoberto há 20 anos, o plano de desenvolvimento e operações do campo não havia sido aprovado e licenciado até 2006. Aprovado pelo Parlamento Norueguês em Junho de 2007, Gjoa é o primeiro empreendimento na área Sogn, uma nova porção do Mar do Norte.

Com um investimento total de US$ 4,7 bilhões, Gjoa está sendo desenvolvido por uma plataforma de produção semi-submersível para 5 módulos submarinos. Os planos de desenvolvimento do campo de Gjoa incluem o desenvolvimento dos campos de Vega e Vega do Sul, que ficam bem próximos.

Gjoa e Vega – clique para ampliar

Para reduzir os custos de desenvolvimento, os hidrocarbonetos recuperados serão transportados em gasodutos já existentes. O gás será transferido através do gasoduto britânico “Flags” para St. Fergus, na Escócia. Já o petróleo, será exportado através de um “tie-in” (conexão) para o óleoduto “Tor II” diretamente para a refinaria Mongstad, na Noruega.

Plataforma de produção semi-submersível

Existem três componentes relacionados com a construção e instalação da plataforma de produção semi-submersível. Primeiro, a Aker Solutions foi escolhida em 2006 para fabricar e instalar os topsides na plataforma. Para quem não conhece a terminologia, “topsides” é o conjunto que envolve a planta de produção, estrutura de acomodações (sem os detalhes internos dos camarotes, salões e escritórios) e equipamentos de perfuração. O contrato inclui o projeto, suprimento, construção e montagem dos topsides e a instalação dele na estrutura (casco) da plataforma.

Topsides da plataforma de Gjoa

Em seguida, as empresas envolvidas no projeto assinaram um contrato de US$ 65 milhões com a Leirvik Module Technology, para a instalação das acomodações da plataforma, composta de um heliponto, estação de baleeiras, camarotes e escritórios. Abrangendo cerca de 4000 M 2, o casario de 1653 toneladas será capaz de acomodar 100 pessoas.

Pontoons da Plataforma Gjoa

Em 2007, a Samsung Heavy Industries ganhou o terceiro contrato como fornecedor para a plataforma Gjoa. Com um contrato de US $ 150 milhões, a Samsung construiu o casco de 15.432 toneladas da plataforma. A montagem da plataforma, incluindo o casco, topsides e os alojamentos, foi feita no Aker Stord, na Noruega.

SS Gjoa

Além disso, a plataforma Gjoa será a primeira plataforma flutuante a receber energia de terra. Um cabo submarino, vindo da usina Mongstad, ao norte de Bergen, Noruega, fornecerá energia elétrica à plataforma, reduzindo, assim, as emissões de dióxido de carbono do campo.

Integração submarina

O contrato de perfuração de desenvolvimento, de 3 anos, no valor de US$ 427 milhões em Gjoa foi ganho pela Transocean, em 2006. Com um 13 poços previstos (nove poços de petróleo e quatro poços de gás), ainda há a opção para outros 3 poços a serem perfurados durante o contrato. A SS Transocean Searcher iniciou suas operações em Gjoa em janeiro de 2009.

SS Transocean Searcher

Através de um contrato ganho em dezembro de 2006, a FMC Technologies irá fornecer 14 árvores de natal e cinco manifolds submersos para o desenvolvimento do campo. O escopo do contrato inclui os sistemas de produção de controle, sistemas de workover para intervenção nos poços e uma opção umbilical.

A italiana Saipem ganhou o contrato de instalação do gasoduto de exportação em outubro de 2007. Usando a Unidade de de Lançamento de Linhas Castoro Sei e começando em abril de 2009, a Saipem instalou um total de 115 milhas (185 km) de linhas vindas de Gjoa e dos campos de Vega. Um gasoduto de 28 polegadas de diâmetro e de 81 milhas (130 quilômetros) de extensão ligará Gjoa ao gasoduto britânico “Flags”. Uma linha de 16 cm de diâmetro, 34 milhas (55 km) de extensão vai ligar Gjoa ao oleoduto “Tor II”.

Saipem Castoro Sei lançando linhas para Gjoa

Em dezembro de 2007, a NKT (Dinamarca) concordou em fornecer o projeto, suprimento e fabricação de sete risers flexíveis por US$ 72 milhões. Os risers, que te entre 14 e 16 polegadas de diâmetro, terão entre 2264 e 2395 pés (690 e 730 metros) de comprimento.

A Technip, com um contrato de US$ 72 milhões, ganho em Junho de 2008, está fabricando e instalará as estruturas submarinas, bem como fará também o “tie-in” do sistema às linhas submarinas, incluindo a ligação dos risers nos oleodutos de exportação.

Skandi Arctic

A Technip vai também realizar o enchimento da água, limpeza, controle de dimensionamento e teste de pressão dos gasodutos.

Normand Progress

O navio Skandi Arctic irá executar instalações estruturais, ao passo que o Normand Progress e Fugro Saltire irão executar o lançamento de linhas e as conexões.

Fugro Saltire

O cinco suportes submarinos foram instalados em outubro de 2008, e o desenvolvimento da perfuração começou em novembro de 2008. A plataforma já foi rebocada para a locação e a produção deve começar a partir de setembro de 2010.

Plataforma Gjoa sendo rebocada até a locação

Campos Satélites (Adjacentes)

Vega, situado na parte norte do Mar do Norte, está localizado a 50 milhas (80 quilômetros) a oeste de Floro nos  blocos 35/8 e 35/11. Consistindo nos blocos de Camilla, Belinda e descobertas Fram B no início de 1980, o campo Vega está a 1.247 pés (380 metros) de profundidade. Com uma taxa de pico de produção diária de 247 milhões de pés cúbicos (7 milhões de metros cúbicos) de gás e 25 mil barris de condensado, Vega possui reservas recuperáveis de 636 bilhões de pés cúbicos (18 bilhões de metros cúbicos) de gás e 26 milhões de barris de condensado. Vega será desenvolvido através de dois módulos submarinos ligados à plataforma semi-submersível em Gjoa, e a produção está prevista para começar em outubro de 2010.

Plataforma Gjoa

Descoberto em 1987, o Vega do Sul é um campo de gás e condensado localizado a cerca de 1.214 pés (370 metros) de profundidade no Bloco 35/9. O Vega do Sul será desenvolvido por um módulo submarino conectado a Vega e, na seqüência, conectado à plataforma em Gjoa. A produção da Vega do Sul está prevista para começar em outubro de 2010.

Além disso, há planos para uma eventual conexão ao Campo de Aurora.

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Matéria publicada no site Subsea IQ

Tradução livre feita por Rodrigo Cintra

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