Abram o olho – RN 72 a perigo!

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Recentemente, o Sindicato dos Armadores (Syndarma) publicou pesquisa na qual apontava falta de oficiais de marinha mercante e citava a hipótese de um “apagão marítimo”. Em resposta, o Sindicato dos Oficiais de Marinha (Sindmar) elaborou estudo com a conclusão contrária: não haveria escassez de pessoal para tripular navios de bandeira brasileira.

Mas o Syndarma não se contentou com a situação. A entidade patronal está fazendo um novo estudo, no qual traz para debate conclusões da análise do Sindmar. “Não queremos provar, filosoficamente, que um estudo é melhor que o outro. Temos certeza de que há falta de pessoal e pretendemos agir, de forma pragmática, para resolver o problema”, disse uma fonte do Syndarma.

Ao mesmo tempo, a Marinha do Brasil resolveu se envolver mais diretamente na questão. Responsável pela formação de pessoal marítimo, a força armada decidiu participar dos debates e agir de forma pró-ativa, sem esperar passivamente por conclusões e debates externos. Tudo indica que a idéia de se criar uma nova escola de marinha mercante – além das existentes no Rio e no Pará – caminha a passos largos. A nova instituição poderia ser localizada no Sul ou no Nordeste – as atuais estão no Rio de Janeiro (Ciaga) e em Belém do Pará (Ciaba).

Extra-oficialmente, comenta-se que, pelo novo estudo do Syndarma, já haveria falta de 200 oficiais de marinha mercante e, em 2013, ocorreria carência de 780 oficiais de marinha mercante. Duas soluções são apontadas pelos especialistas: suspensão da resolução 72 do Ministério do Trabalho, que obriga o uso de marítimos nacionais em barcos de apoio estrangeiro; e medida mais radical, a ser adotada apenas em caso extremo: permissão para trabalho no Brasil de marítimos estrangeiros. “Isso pode ser antipático, mas pior é ver navios novos parados por falta de tripulantes”, disse a fonte.

Uma questão delicada é a participação das mulheres. No Brasil, elas já ocupam mais de 35% das vagas nas escolas de marinha mercante, mas sua alta taxa de evasão gera preocupações latentes – pois nenhum dirigente ousa tocar no desagradável assunto, considerado politicamente incorreto. No mundo, a presença efetiva das mulheres no mar é inferior a 1%, pois o trabalho a bordo apresenta incompatibilidades com o espírito feminino.

Além do índice de evasão, de 18%, informa-se que muitas mulheres acabam sendo transferidas para trabalho de escritório – o que reduz a oferta para pessoal no mar. Especialmente em relação à gravidez, o problema é sério.

Em outras profissões, a mulher espera nove meses para se licenciar, de modo a passar o maior tempo de licença após o nascimento. No caso do mar, os médicos desaprovam – com lógica – a presença das mulheres a bordo na fase pré-natal e, se necessário, os juízes as apóiam. Assim, a fase de afastamento por gravidez estende-se, na prática, por longo tempo.

Esboça-se reação contra as mulheres no mar, mas de forma ainda incipiente. Os líderes do setor sabem da seriedade do problema, mas temem abordá-lo, por temerem represálias de ONGs, da Secretaria da Mulher e até de entidades internacionais.

Com as informações – Monitor Mercantil

Por Rodrigo Cintra

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