Refinaria em Suape já custa dez vezes mais que o previsto

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Primeiro valor anunciado para a refinaria foi de US$ 2,5 bilhões, subiu para US$ 4,05 bilhões e depois para US$ 13,3 bilhões.

O orçamento da Refinaria Abreu e Lima, em construção em Suape, ainda está em aberto. Foi o que disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, numa coletiva de imprensa no Recife, após participar do seminário Pré-Sal: o futuro do Brasil, na Federação das Indústrias de Pernambuco. Questionado sobre a elevação de 16% no valor global do projeto, mesmo depois de ter relicitado contratos para baixar custos, ele afirmou que uma unidade de refino demora de seis a sete anos para ter o orçamento fechado.

Refinaria Abreu e Lima

O primeiro valor anunciado para a refinaria foi de US$ 2,5 bilhões, subiu para US$ 4,05 bilhões e depois para US$ 13,3 bilhões. Após relicitar cinco dos principais contratos, em dezembro de 2009, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 6,7 bilhões em relação ao primeiro pacote de preços apresentados. Depois dessa negociação, passou a anunciar o valor do empreendimento em R$ 23 bilhões. Na última visita do presidente Lula a Pernambuco, em agosto passado, ele disse que o valor da refinaria teria chegado a R$ 26,7 bilhões e admitiu atrasos no cronograma.

Na coletiva, Gabrielli ressaltou que uma refinaria tem centenas de contratos e que ainda pode mudar, apesar de afirmar que todos já foram licitados. Em resumo, ele não respondeu o motivo do aumento de R$ 3,7 bilhões, em relação ao último orçamento. O valor foi um dos principais questionamentos do Tribunal de Contas da União, que chegou a suspender a obra.

Também não respondeu se a PDVSA permanece ou não como sócia da Abreu e Lima, onde os venezuelanos teriam 40% e a Petrobras 60% do empreendimento. “Temos contrato de acionistas e a PDVSA só estará fora se disser que está. Não vou ficar fazendo especulações sobre esse assunto”, falou, aborrecido. A saída da PDVSA vai exigir um remodelamento da refinaria, pois 50% do petróleo seria venezuelano e isso implicaria na necessidade de construir uma unidade de tratamento de enxofre específica para esse tipo de óleo. Visivelmente preocupado com uma matéria publicada no Valor Econômico – na reta final da campanha eleitoral –, que sugere contradições nos números divulgados pela Petrobras, Gabrielli abriu a coletiva apresentando 22 páginas de gráficos para desmentir a reportagem. “Desminto, categoricamente, tudo o que está ali”, vociferou.

Com as informações – Jornal do Commercio (PE)

Por Rodrigo Cintra

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