O Petróleo e as Eleições de novembro no Congresso Americano

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Resolvemos trazer de volta esta matéria, pois muito se compara os EUA com o Brasil, ainda mais em época de Eleições. Muito se compara e temos que ter cuidado com isso. Duas realidades, duas conjunturas diferentes.

Estive lendo uns artigos de jornais americanos, a respeito de Política e Petróleo, especialmente por causa das Eleições para o Congresso Americano (Senado e Câmara de Representantes, mais conhecida como “House of Representatives”), que se aproximam.

Nos Estados Unidos há diversos partidos, mas os dois maiores são os Republicanos e os Democratas.

O Senado hoje conta com 58 Democratas, 41 Republicanos, e 2 Independentes. Já a Câmara dos Deputados (Representantes) possui 256 Democratas, 178 Republicanos e um lugar vago. Todos vão tentar a reeleição, como de costume. Hoje o Governo tem maioria mas, com a atual conjuntura, certamente os Democratas perderão muitos assentos no Congresso, podendo até mesmo virem os Republicanos a virarem o jogo, tornando-se maioria. Como sem maioria no Congresso o Governo não consegue aprovar o que quer, Barack Obama certamente terá problemas, em caso de maioria Republicana.

Congresso Americano

Gostaria de dizer aos leitores que os Democratas de lá, nada têm a ver com os nossos Democratas. Os “nossos” são apenas conseqüência de uma tentativa do antigo PFL, de Antônio Carlos Magalhães e Companhia, de melhorar sua imagem, uma vez que a sigla PFL ficou associada a muita coisa ruim, principalmente ao “Coronelismo Contemporâneo”, se assim posso dizer, no Nordeste.

Digamos que os Republicanos vençam as eleições americanas em Novembro, você sabe o que isso vai significar para o país? Este é um cenário fácil de imaginar.

Já prevendo a possibilidade de derrota nas próximas eleições, o Governo americano tem feito algumas mudanças, que podem ser verificadas no gráfico abaixo (que dá o exemplo da Exxon Mobil), justamente para minimizar a situação, evitando, assim, que a sociedade americana perceba o contraste e diminuindo a drasticidade das conseqüências políticas que poderiam ser geradas com uma mudança diante da possível vitória do Partido Conservador (Republicanos).

Exxon Mobil – Um reflexo da Economia Norte Americana – clique para aumentar

Para um país com o PIB na casa dos 14 trilhões de dólares, mais de dez vezes maior que o do Brasil, certamente isso influencia a nível de mundo. Veja abaixo os 10 maiores PIB’s de acordo com o CIA World Factbook

Os 10 maiores PIB's de acordo com o Cia World Factbook - clique para aumentar

Não digo, contudo, que isso seria positivo ou negativo para os EUA, primeiro porque sou apenas mais um “rapaz latino americano”, brasileiro, e que está assistindo a tudo “de fora”, segundo porque, mesmo não vendo com bons olhos o “perfil” republicano americano, onde se busca o lucro a qualquer custo, principalmente através de guerras inventadas, como foi a do Iraque, eu não sou um cidadão americano, inserido naquele contexto, para opinar com propriedade, apesar de ter plena ciência das conseqüências a nível de mundo, em caso de uma vitória do Partido Republicano. Aliado a isso, muito me incomoda a empáfia com que presidentes como George Bush (o pai e o filho)  e todos os demais republicanos portavam-se perante o mundo,  impondo-se militarmente e ignorando, inclusive, resoluções da ONU, OTAN etc. A imagem criada por Obama é fabulosa, aproxima os EUA como  nunca antes de todo o mundo, gera esperança, principalmente por sabermos que ele está de pé e à ordem para a Paz e isso é um ponto muito positivo.

A Sociedade Americana, principalmente alguns veículos de comunciação altamente tendenciosos, cujos nomes não citarei para não prolongar mais ainda esta matéria, nem fugir do escopo da mesma, deveriam ter o olhar de “mundo”, vendo os EUA como parte do mundo, e não vendo o mundo como um “quintal” dos EUA.

Barack Obama - Dispensa apresentações

Mesmo assim, tenho que ser imparcial, pois assumo que simpatizo com a figura do Presidente Barak Obama, toda luz que emana dele e tudo o que ele representa num país sustentado em seus serviços básicos pela força de trabalho, principalmente, de imigrantes. Sei que muita coisa prometida não foi realizada, como o fechamento total de Guantánamo, a retirada das tropas do Iraque e Afeganistão. Apesar de eu acreditar piamente que estes dois países não estão preparados para qualquer tipo de Democracia, uma vez que suas Sociedades não são estruturadas de maneira laica e heterogênea, acredito também que cabe a cada país, baseado no princípio da Soberania, tomar suas decisões. Mesmo assim, acho que o que os EUA fazem, basicamente, é manter um problema sufocado num local para que este problema não cruze suas fronteiras. Isso tudo sem esquecer do “ouro negro”, o tão desejado petróleo, que abunda no Oriente Médio.

Em caso de mudança no Partido maioral no Congresso, certamente veremos uma mudança nas políticas de “esquerda” que os Estados Unidos adotaram, principalmente nesses últimos dois anos, e um repentino ressurgimento dos setores que mais foram prejudicados com as políticas internas do Governo dos EUA. Sabe quem seriam os maiores vencedores, neste caso?

As grandes companhias de petróleo seriam esses grandes vencedores, pois, se analisarmos o cenário, veríamos que as importações de petróleo americanas do Oriente Médio iriam acelerar, onde a indústria teria 80% de seus lucros. Isso causaria o pico do preço do barril de petróleo mais cedo, facilmente chegando ao patamar de US$ 100 e, eventualmente, para US$ 150 ou US$ 200. As restrições à atividade de perfuração offshore e onshore voltariam ao níveis da era Bush, o “Laissez Faire”, ou seja, o Mercado operando livremente, sem intervenções, reduzindo os custos e aumentando a rentabilidade. Um cidadão americano, por exemplo, poderia ser um dos acionistas da Chevron,  ExxonMobile, Conoco Phillips e, claro, da BP. As empresas de perfuração, como Transocean  e Diamond Offshore, também seriam ótimas opções de investimento.

Aquecimento Global - Clique para ampliar

Por outro lado, com esse afrouxamento da Legislação Ambiental, somado à lavagem cerebral republicana que prega a torto e a direito que o Aquecimento Global é uma “Piada da Esquerda”, o que leva a Sociedade americana a não pressionar as Autoridades como deveriam, iria causar sérios problemas em outros setores.

As empresas de gás, com o término dos subsídios que agora existem, iriam ser muito desvalorizadas, podendo, inclusive, quebrarem.

Ainda teria a visão quase que demoníaca dos Republicanos em relação à Saúde Pública (que fora fortalecida por Obama), em acabar com a mesma. Republicanos no poder, significa, basicamente, a elite financeira dos EUA no poder, sob todos os seus aspectos. Com um Republicano na Casa Branca, dificilmente o Programa de Expansão de Saúde Pública nos EUA iria adiante. Arrisco-me a dizer que ele seria simplesmente interrompido. Empresas como United Health, Pfizer e Humana seriam altamente beneficiadas.

Apesar deste meu artigo não fazer a menor diferença naquele país, fiz questão de deixar a minha opinião, pois nós, profissionais que lidamos com petróleo, temos que saber que nossa atividade envolve mais coisas que imaginamos. Não tenham dúvida que, em breve, com esse “boom” do petróleo, coisas semelhantes poderão acontecer em nosso país, bastando que os governantes não atentem para nosso maior patrimônio: nosso Povo. Além disso, essa “ética” capitalista e colonialista americana é completamente estranha aos nossos costumes, pois, apesar de estarmos crescendo “na base do petróleo”, estamos fazendo isto de maneira responsável, tanto socialmente como ambientalmente. Nossa legislação ambiental é uma das mais rigorosas do mundo e nem por isso nosso país está em declínio. O Governo brasileiro certamente vai investir os recursos do petróleo na infra estrutura de nosso país, fortalecendo-o como um todo. Aliás, isto já está sendo feito e, independente de quem seja o próximo Presidente do Brasil, certamente continuará investindo forte na atividade.

Os Estados Unidos estruturaram sua Economia debruçados no Colonialismo, numa estrutura que agora se “auto-implode” (perdoem-me o pleonasmo), e que vê o petróleo como “a última balsa salva vidas do Titanic”, através de um país com recursos naturais praticamente esgotados e com uma moeda sem lastro algum.

Os Estados Unidos só produzem, a nível mundial, carros, petróleo e armas – mais nada. Até a tecnologia de ponta de outrora agora migra para o Oriente. Além disso platam, platam muito, mas plantam o que consomem. De resto, só consomem. O país alimenta-se da guerra e da poluição.

Uma pseudo democracia que forjou um país que é levado por seus empresários, sem um mínimo de responsabilidade sócio – ambiental, e não por seu povo. Isso é muito perigoso, pois faz do país um grande sindicato patronal da Classe Empresarial. As ligações de George Bush, Dick Cheney e a Halliburton, todos já conhecem, e nem precisarei discorrer sobre o interesse da família Bush em Petróleo. As duas guerras no Golfo Pérsico já falam por si só. Um país que usa o Império Romano como grande exemplo e que agora luta para mudar sua imagem perante o mundo.

As Cruzadas do Petróleo

Republicanos no Poder, a meu ver, é um retrocesso, uma volta à Era Bush. Querem começar uma nova Cruzada pelo mundo atrás de petróleo e outros recursos. Escrevam o que estou dizendo.

Como o Governo e a provável maioria congressita são diametralmente e violentamente opostos, o impacto de uma mudança de regime sobre a economia e os mercados promete ser enorme.

Espero que nossos leitores tenham seus olhos abertos, pois Política e Petróleo começam com a mesma letra.

Em um mundo coma economia globalizada, alguém vai pagar por isso…

Força e Honra! Sempre!

Por Rodrigo Cintra

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