E como ficam os que resolvem nos acompanhar?

3

Se pra nós, que estamos lá, que escolhemos esta profissão, que já estamos bem habituados a esta rotina, viver a vida em escalas de 14, 28, e variações, é algo complicado, imagina para aqueles que nos acompanham, sejam esposas, maridos, namorados, filhos, pais e por aí vai. 

Embarcamos e deixamos para trás, família, amigos, nossa rotina de terra e partimos para a labuta onboard. Imaginamos, por vezes, que nada pode ser mais doloroso, mais sacrificante e estressante do que nossas intermináveis idas e vindas. Mas nós já paramos pra pensar nas pessoas que ficam? Nos que nos vêem partir e ficam em terra, esperando ansiosamente pela nossa volta? Seria injusto da nossa parte, achar que somos os únicos que sentem nossas partidas.

Esperamos, ou eu pelo menos espero, que os “terrestres” que fazem parte de nossas vidas, sigam as suas respectivas da melhor maneira possível, tocando trabalho, estudos e demais afazeres, pois o trabalho embarcado, em tese, é único e exclusivo nosso, não deles. Mas também seria uma modéstia cega achar que tudo fica perfeito e que nós não fazemos falta na vida e rotina dessas pessoas.

Já ouvi até que “conviver com embarcados é viver a vida em escalas, 14, 28, 35, e a alegria da vinda de uns se mistura com a saudade pela partida de outros”, de uma grande amiga, terrestre, diga-se de passagem.

Se você deixa filhos, esposa, marido, pais, amigos ou até mesmo seu cachorro e seu papagaio, ao embarcar, tenha a mais plena certeza de que eles estarão sempre esperando, na esperança de que este embarque seja mais rápido, de que você chegue a tempo de pegar a festa de aniversário do seu filho, de ir àquele encontro de turma ou pelo simples fato de estar louco de saudade.

Confesso que não sei se teria pique para levar algo deste tipo. Mesmo sabendo como é, não sei se conseguiria levar isto de boa, se fosse “terrestre”. Por isso acredito que devemos dar um valor inestimável a tais pessoas, que se sujeitam a esta vida em escalas, mesmo que às avessas.

Reclamamos que a vida de embarcado é difícil, que a saudade de casa é por vezes latente, mas esquecemos que nós causamos saudades também. E esquecemos, por várias vezes, que quem fica em terra, precisa administrar, além da saudade, sua vida, da maneira mais normal possível. Conciliando trabalho, ou estudo ou sei lá o quê até que enfim, tenha novamente o prazer de nossa ilustre presença.

yeah!

Por Caê Mahan

3 COMENTÁRIOS

  1. Estas eternas idas e vindas certamente são uma tortura para os que deixamos em terra, Caê, mas o tempo se encarrega de fazer com que as pessoas se acostumem. Não é que gostem, mas é que se acostumam com a distância.
    Por muitas vezes eu pensei nisso, no quanto é difícil par anós, mas dificilmente eu pensava nos que ficam.
    Após alguns anos pude perceber isso e revi meuc conceitos e opiniões.
    Muito bom ver um jovem recém-formado já com essa consciência.
    Parabéns pela matéria. Ótimo texto.

  2. Concordo plenamente com você,veterano.Não são apenas os “do mar” que sofrem com esses embarques mas também aqueles que nos esperam em terra.
    Ainda estou dentro da escola,mas já na fase de só pensar em praticagem,e foi bom ver esse texto para refletir sobre aquele sentimento que temos de para nós é muito difícil e para as pessoa que ficam,tudo é mais facil.
    Hoje,dou um exemplo meu,que fico triste porque terminei com uma pessoa que quando viajei para o aspirantex no ano passado disse exatamente a mesma coisa que o texto,de que a vida dela “pararia” no período que eu estivesse viajando,até o dia que eu retornasse e assim aconteceu.E Isso fez com que eu passasse a respeitar mais e até entender mais tudo que envolvia nossas ligações com os “de terra”.
    Muito bom o texto…

  3. E ai, fera!
    Desde cedo nos ja comecamos a ver como e a vida do embarcado, e tambem, como sera a do terrestre que nos acompanha. Nao e facil, nenhuma das duas, mas tem seus pros e contras. Em que outra area nos dispomos de metade do ano inteiramente para eles? O dia inteiro, pois vendo pelo lado positivo, eu a cada 14 dias estou de ferias! rs
    Mas temos os contras tambem, que todos nos ja conhecemos bem…

Deixe uma resposta