EUA diz para Brasil não se preocupar com as reservas petrolíferas

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Em mais um documento secreto da diplomacia dos Estados Unidos divulgado pelo site WikiLeaks, Clifford Sobel, ex-embaixador americano no Brasil, minimiza as preocupações do governo brasileiro com a segurança da Amazônia e da região onde foram descobertas as reservas de petróleo da camada pré-sal.

Em uma mensagem com comentários sobre a Estratégia Nacional de Defesa, enviada a Washington em janeiro de 2009, Sobel sugere que os temores com a região amazônica atendem a outros objetivos e são frutos da “tradicional paranoia brasileira”.

“Enquanto o capítulo das Forças Armadas na estratégia inclui a preocupação aparentemente obrigatória sobre estar preparado para proteger a soberania do Brasil contra um país ou um grupo de países “agindo sob pretexto de interesses humanitários”, ele continua focado, principalmente, em desafios à segurança mais realistas. A preocupação política com imaginadas ameaças à soberania na Amazônia serve, no entanto, ao objetivo prático de dar aos militares a tarefa de desenvolver maiores capacidades para projetar poder na região com maior probabilidade de ser afetada pela instabilidade em países vizinhos”, afirma Sobel no documento publicado nesta quarta-feira .

O ex-embaixador também diz na mensagem que, após mais de 20 anos “longe do centro da política” e “com recursos mínimos”, os militares brasileiros estão apelando por modernização.

“Apelar, no entanto, significa que a Estratégia de Defesa deve observar as convenções da política brasileira. Não há ameaça, por exemplo, às reservas marítimas de petróleo, mas líderes e a mídia brasileiros citaram rotineiramente as descobertas de petróleo na costa como um razão urgente para melhorar a segurança marítima”, diz a mensagem.

Sobel avalia que a reestruturação das Forças Armadas prevista na Estratégia Nacional de Defesa é um compromisso com o estabelecimento de condições para que os militares tenham um papel num plano mais amplo de desenvolvimento nacional, além de modernizar o setor. A correspondência cita ainda ambição do Brasil de ter um submarino nuclear.

Embora questione se o plano será de fato implementado, o embaixador afirma na mensagem que o desenvolvimento das forças do país pode atender aos interesses dos EUA, “exportando estabilidade para a América Latina”. Em outro documento americano, publicado na terça-feira, Sobel afirma que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse compartilhar de suas preocupações “sobre a possibilidade de a Venezuela exportar instabilidade” .

Com as informações – O Globo

Nota do Colunista: Ah, tá… Então tá…

Por Rodrigo Cintra

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