Desembarque de turistas em Salvador é uma verdadeira feira livre

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São 9 horas e tudo está aparentemente tranquilo no portão de saída do terminal de passageiros do Porto de Salvador. Aparentemente. Do outro lado da rua, um exército aguarda o momento certo para atacar. Às 9h33, quando o primeiro turista pisa em terra firme, fora de um dos transatlânticos que acaba de atracar, o cenário muda.

Tendo à mão mapas e placas de sinalização, centenas de donos de vans, micro-ônibus, taxistas e até carros particulares atravessam a via e se debruçam na grade que separa a rua do terminal. Os visitantes são disputados no grito. Às vezes, na marra.

“Aqui é mais barato, ó! Tenho van para Farol da Barra, Bonfim, Humaitá e para as praias. Faço mais barato com o mesmo conforto”, propagandeia o dono de uma das dezenas de utilitários que estão no entorno do porto, esbarrando num colega que também oferecia o mesmo serviço.

O navio Costa Serena, da Agência Opção, foi apenas um dos quatro transatlânticos a atracar ontem. A bordo, mais de 3,7 mil passageiros, muitos deles amedrontados.

O desembarque é uma verdadeira feira – falta organização na recepção ao turista

“A gente fica assustada, né?”, confirmou, acompanhada de cinco crianças, uma turista de São Paulo que disse apenas se chamar Gisela. As informações sobre dia, horário de chegada dos navios e até a quantidade de passageiros são facilmente coletadas pelos clandestinos. “A gente pega na internet. Tem tudo numa lista”, diz um dono de van que preferiu não se identificar.

No grito  Uma espécie de leilão a céu aberto, mais acirrado que nas bolsas de valores, acontece na frente dos visitantes. “Por R$ 250 vou para Praia do Forte, aí ó”, berra um taxista. “Faço R$ 200 para Praia do Forte e mais Imbassaí”, investe um outro tentando desbancar o colega.

“O negócio aqui é muito ingrato. O pessoal é muito traíra”, diz um deles. “Mas a gente precisa trabalhar. Vamos fazer o quê?”, indaga. O dono de van Denílson Conceição teve que lutar para convencer um dos passageiros a contratar o serviço. “A concorrência é grande”. Em sua Splinter com 15 lugares entraram 11 pessoas de uma família de Ipatinga (MG). No roteiro, Bonfim, Mont Serrat, Humaitá, Pelourinho e Farol da Barra.

“Prefiro contratar um serviço aqui fora. É muito mais em conta”, comparou o engenheiro mecânico Ronald Silva Sá, que já fez vários cruzeiros marítimos.
A concorrência é de todos contra todos, mas também entre grupos separados. Os taxistas regulares, que não se consideram clandestinos, atacam com raiva as vans. “Somos nós que pagamos impostos. Aí ficam esses malandros na área tirando os passageiros da gente”, diz o taxista Mirabor Fontoura, há dez anos na praça. “Tem gente de kombi, vans escolares e até com carros particulares”.

Veja o vídeo e tenha uma idéia do que ocorre:

E tem mesmo. Entre os clandestinos, há quem costume fazer transporte para alunos de escolas. “Nas férias, minha renda vem desses turistas de navios”, entrega um deles, que não quis revelar o nome. Tem gente que trabalha com tudo quanto é coisa, menos com turismo. “Minha van presta serviço a uma empresa de alimentos”, revela um outro.

Credenciadas  Enquanto isso, do lado de dentro, três empresas credenciadas – uma de táxi, outra de micro-ônibus e outra de vans – atuam com a permissão do Sindicato das Empresas de Turismo da Bahia (Sindetur), que ganhou licitação para administrar o terminal nos desembarques, e alertam através de sistema de som sobre os perigos de contratar clandestinos.

“Isso aí fora é demais. Um dos sonhos da minha vida é acabar com esse assédio”, admite Carmen Sarmento, supervisora do terminal marítimo. O Sindetur tem como única arma a informação. “Não temos como acompanhar o turista que sai avulso. Tem aqueles passageiros que não querem fechar o tour antecipadamente. Estão no direito deles. A nós cabe  avisar”, diz o presidente do sindicato, Luiz Augusto Costa.

Apesar de terminal pequeno, fluxo de passageiros é recorde

O Porto de Salvador é considerado um dos melhores do país em capacidade de transatlânticos. A depender do tamanho das embarcações, pelo menos sete ou oito navios podem atracar por aqui. “Não devemos nada a ninguém no quesito atracagem”, diz Luiz Augusto Costa, presidente do Sindicato das Empresas de Turismo da Bahia (Sindetur), que hoje administra o Terminal Marítimo

O maior problema, diz Luiz Augusto, é a infraestrutura do terminal de passageiros, onde circulam os turistas durante embarque e desembarque. Hoje, o espaço tem apenas 400 m². “Está faltando espaço e conforto. Nosso porto é carente de quase tudo para quem desembarca. Desde banheiros a lojas de souvenires”.

Em 2004, Salvador entrou de vez no roteiro de transatlânticos na costa brasileira. A temporada 2009/2010, iniciada no dia 5 de outubro, vai bater todos os recordes de fluxo. Apesar de o número de navios – um total de 125 – ser inferior à temporada passada, o número de passageiros é muito maior (ver quadro ao lado) e cresce sem parar. “O volume de pessoas aumentou porque a capacidade dos navios também aumentou”, explicou Carmen Sarmento, supervisora do terminal. O aumento, em média, é de 30% a cada ano.

O salto entre o número de passageiros de navios que visitou Salvador em 2004/2005 – 50 mil – para o que está previsto para essa temporada – 350 mil -impressiona. No domingo passado, um dos maiores e mais charmosos navios do mundo, o Queen Merry 2, atracou em Salvador pela primeira vez com mais de 4 mil turistas. Somente no período do Carnaval, estão previstos nove navios, o que significa um fluxo de 25 mil passageiros.

Todos lamentam apenas o assédio no entorno, mas que, segundo os próprios turistas, não é privilégio da capital baiana. “Essa confusão tem em todo lugar. É a mesma coisa no Rio, em Santos ou Buenos Aires” afirmou o engenheiro Ronald Silva Sá, que já fez vários cruzeiros marítimos.

Visitantes têm passeios preferidos

Muitos turistas pegam o Elevador Lacerda para conhecer o Centro
O tipo de visita feita por passageiros de transatlânticos é o que se pode se chamar de turismo relâmpago. As embarcações não ficam mais do que 15 horas atracadas. Mas o tempo é suficiente para conhecer alguns lugares obrigatórios. Para você que não fechou pacote antecipado e vai cair nas mãos dos clandestinos, confira os preços dos passeios mais procurados.

Roteiros relâmpagos

Litoral Norte – Para visitar Praia do Forte, preço varia entre R$ 250 e R$ 300.
Pontos turísticos – Para conhecer Farol da Barra, Bonfim, Humaitá e Mont Serrat é preciso desembolsar entre R$ 200 e R$ 300.
Praias – O passeio para Stela Maris, Praia do Flamengo e outras praias custa entre R$ 150 e R$ 250.

Com as informações – O Correio 24 horas

Por Rodrigo Cintra

brasileira. A temporada 2009/2010, iniciada no dia 5 de outubro, vai bater todos os recordes de fluxo. Apesar de o número de navios – um total de 125 – ser inferior à temporada passada, o número de passageiros é muito maior (ver quadro ao lado) e cresce sem parar. “O volume de pessoas aumentou porque a capacidade dos navios também aumentou”, explicou Carmen Sarmento, supervisora do terminal. O aumento, em média, é de 30% a cada ano.

O salto entre o número de passageiros de navios que visitou Salvador em 2004/2005 – 50 mil – para o que está previsto para essa temporada – 350 mil -impressiona. No domingo passado, um dos maiores e mais charmosos navios do mundo, o Queen Merry 2, atracou em Salvador pela primeira vez com mais de 4 mil turistas. Somente no período do Carnaval, estão previstos nove navios, o que significa um fluxo de 25 mil passageiros.

Todos lamentam apenas o assédio no entorno, mas que, segundo os próprios turistas, não é privilégio da capital baiana. “Essa confusão tem em todo lugar. É a mesma coisa no Rio, em Santos ou Buenos Aires” afirmou o engenheiro Ronald Silva Sá, que já fez vários cruzeiros marítimos.

Visitantes têm passeios preferidos
Muitos turistas pegam o Elevador Lacerda para conhecer o Centro
O tipo de visita feita por passageiros de transatlânticos é o que se pode se chamar de turismo relâmpago. As embarcações não ficam mais do que 15 horas atracadas. Mas o tempo é suficiente para conhecer alguns lugares obrigatórios. Para você que não fechou pacote antecipado e vai cair nas mãos dos clandestinos, confira os preços dos passeios mais procurados.

Roteiros relâmpagos
Litoral Norte Para visitar Praia do Forte, preço varia entre R$ 250 e R$ 300
Pontos turísticos Para conhecer Farol da Barra, Bonfim, Humaitá e Mont Serrat é preciso desembolsar entre R$ 200 e R$ 300
Praias O passeio para Stela Maris, Praia do Flamengo e outras praias custa entre R$ 150 e R$ 250

 

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merces

isso e para mostrar a educaçao e organizacao do baiano

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Margot

É uma vergonha a maneira desrespeitosa como o turista é tratado nessa cidade. Além de ser disputado selvagemente como mercadoria, quem chega se depara com uma cidade suja, insegura, com locais históricos degradados. Até quando?

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queila

Isso não acontece só em Salvador. Fiz um cruzeiro no ano passado e estive eom macéio, fortaleza joão pessoa … e tem esse mesmo assédio. não vejo nada de mais.

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