O uso da autoridade e seus limites

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Hoje é muito fácil falarmos sobre limite do uso da autoridade para se chegar ao aprimoramento do trabalho em equipe, contudo temos saber de onde herdamos estas medidas, são elas culturais? Seriam elas imagens que remontam um passado histórico, meras cópias de modelos atuais bem sucedidos; ou ainda completa inovação.

Quanto de autoridade realmente se tem? Temos aquela autoridade inata carismática que também pode ser treinada desenvolvida, temos a autoridade da função que dispensa comentários, e lançando mão a um neologismo temos a “autoautoridade”, sendo essa o grau de confiança nessa autoridade, diferindo de autoconfiança na questão de acreditar nessa autoridade. Se na autoconfiança você acredita que tem essa autoridade, na “autoautoridade” você não a visualiza mas simplesmente sabe que a tem.

Assim sendo, de posse destes elementos, se pode visualizar um cenário onde se quer chegar a limites de atuação para aprimorar um trabalho em equipe. Os gerentes, principalmente os chamados de “chão de fábrica”, tendem a usar o método “pushing” onde você cobra sempre um pouco a mais de esforço de motivação mas com o contraponto de que tem uma duração limitada que onde a equipe começa a mostrar sinas de cansaço e estafa de ordem física e mental. Isso acaba por ter o efeito reverso onde os colaboradores acabam atuando contra , numa auto-sabotagem inconsciente, retardando o serviço e/ou evitando a gerência.

Por certas vezes pode ser usado o método de recompensas em que o/os colaborador/es vai/ão ter uma certa vantagem (folga/premiação/etc…) ao atingir/superar as metas determinadas, o que pode, como contraponto ,causar frustração caso não seja atingido tal objetivo. Por isso tal meta/objetivo deve ser minuciosamente planejado, para que o mesmo seja alcançável, evitando aquele “agorismo” que as altas diretorias tanto vislumbram achando que, por sua “divindade”, em um dia o funcionário conseguiria a meta de um mês, e não fique aquela sensação de “tanto fiz por nada”.

Um dos limiares do uso da autoridade negativamente falando é a coação onde o líder fica ameaçando o funcionário quanto à manutenção do emprego e o aterrorizando psicologicamente com frases do tipo “Verdade que sua mulher teve gêmeos há pouco? Seria terrível se você acabasse perdendo esse emprego não é?” Assustador mas acontece mais do que podemos imaginar além de ser uma atitude que pode ser considerada criminosa. Devemos definir o limite do uso da autoridade em um ponto bem antes de se chegar a essa situação, para que consigamos o aprimoramento de qualquer atividade.

Já no ponto de vista antitético a isso temos o uso do poder dos liderados para o alcance dos objetivos comuns onde responsabilidade delegada e a tarefa dividida, pensada e acordada entre todos os membros da equipes fazem parte do “habitueé” do gestor, onde se desenvolve a auto-estima e a perspectiva de ideais entre os liderados, mobilizando-os e agregando valores ao time na forma de compartilhar para decidir.

Fato sabido que os comportamentos mais difíceis de se praticar acabam sendo aqueles nos quais deveríamos ter todo nosso desempenho focado, mas que vão totalmente contra nossos instintos animais individualistas e de defesa a qualquer custo, onde delegar, compartilhar e apoiar poderiam, em tempos remotos, custar a própria vida. A coisa hoje é diferente e temos que nos unir, o que vai contra toda nossa natureza humana.

Assim sendo, membros de uma equipe muitas vezes não precisam de nada tangível, somente de disponibilidade, confiança e incentivo. Muitas vezes nada precisa ser dito, um simples aceno de cabeça positivamente pode fazer verdadeiras revoluções no ambiente laboral.

Por Wilson Bonicenha

1 COMENTÁRIO

  1. É de suma importância conhecermos os limites entre o profisisonal e o pessoal quando estamos à frente de equipes. Sempre procuro orientar meu pessoal sobre a importância dos resultados e principalmente de conscientizar-lhes a respeito de que resultados são esses, pois acredito piamente que eum não sabe aonde quer chegar, não chega em lugar algum. Todavia, nada justifica assédios morais e acidentes. Nada… Nem os resultados. Motivação e feedback para sua equipe devem ser coisas diárias, pois acho um tremendo erro esperar um ano inteiro para, somente no Formulário de Avaliação de Desempenho, falar para o colaborador que ele não está bem. Lidar com máquinas e equipamentos é mole, mas lidar com pessoas envolve a maior variável até hoje não entendida completamente pela ciência, que é o ser humano, seu livre arbítrio e os grandes mistérios comportamentais que rondam a personalidade de cada um. Parabéns pelo texto, Wilson.

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