The World is Mine…

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Lugares, culturas, paisagens, pessoas e hábitos diferentes em cada porto… Desafios, para o homem do mar em cada porto. A vida no mar nos exige muitos sacrifícios, ninguém têm dúvida disso. Às vezes fica repetitivo sempre tocarmos nesse assunto, que temos que abrir mão disso, daquilo outro, datas importantes, momentos importantes etc, etc.

Mas se a vida no mar fosse tão ruim assim, não haveria marítimos, não é mesmo? Provavelmente o  que motivava os primeiros navegadores era o espírito desbravador, a vontade de conhecer o desconhecido, o desejo de estar onde ninguém nunca esteve, desafiar os próprios sentimentos em busca de sentimentos novos, aventuras.

Pouca coisa mudou para o verdadeiro marítimo desde então. Quando se fala em Marinha, quer seja Mercante ou Militar, para qualquer um, o primeiro assunto são quase sempre viagens, lugares ( de vez em quando um inconveniente puxa o assunto “distância” primeiro…).


Pois bem senhores, está aí um dos nossos grandes motivadores, uma dos  grandes pilares da nossa determinação, do nosso espírito: O distante de outrora, lugares tão comentados que temos a oportunidade de conhecer na palma das nossas mãos…Lugares que a maioria das pessoas tem vontade de conhecer, as vezes têm condições de conhecer, mas não têm tempo… Quando se têm a oportunidade, é de vez em quando… mas nós não, somos nômades por natureza, exploradores por essência.

Muitos de nós já passaram por situações do tipo :

Pessoa A : Estou querendo passar minha lua-de-mel em Salvador, o que você acha?
Marítimo : Ah, sei lá, estive lá semana passada, é “legal” lá, cidade histórica, vários monumentos, paisagens e praias bem bacanas…
Pessoa A: Mas minha mulher cogitou Recife, Fortaleza, não sei…
Marítimo : Aí vai depender do que você espera… (e então começa uma consultoria de viagens).

É realmente complicado discutir Geografia com um marítimo, as vezes nós exageramos, é verdade, como por exemplo querer que um pessoa normal, nas CNTP saiba onde fica “La Reunion” (que é um distrito Francês nas Ilhas Maurício, um arquipélago a leste de Madagascar), mas conversamos bem sobre cidades portuárias e arredores do Brasil e de vários países.

Viagens, lugares, culturas, paisagens… É conversando sobre esses assuntos que nos sentimos nós mesmos, nos sentimos bem, nos sentimos marítimos, enfim, nos realizamos. Somos privilegiados, o que a as pessoas geralmente pagam para conhecer, nós somos pagos para chegar lá, pagos para ir de “A” a “B”… de “A” temos as histórias, as memórias, e a esperança de voltar breve, pois todo o tempo do mundo não é suficiente para conhecer bem um lugar, a menos que moremos lá, e em “B” está a motivação de conhecer, ou se já conhecemos, ver o que mudou desde a nossa última estadia lá, discutir sobre as diferenças e relembrar como era…

Infelizmente nossa navegação de longo curso está irrelevante em comparação ao que já foi um dia, ainda assim, com o mercado offshore em expansão, temos muitas oportunidade de fazer navegações de estaleiros até o Brasil, não é a mesma coisa de um longo curso, mas já fica bem na foto. Abu Dhabi, China, Singapura, Coréia…São exemplos de lugares bem comuns aos trabalhadores Offshore.


Cidadãos do mundo? Pode-se dizer que sim. Após entrar nessa vida passamos às vezes mais tempo embarcado do que na nossa própria “casa”. O termo que eu utilizaria seria “lar”, mas seria controverso para alguns de nós…

Pensando bem, não somos cidadão do mundo, e sim cidadãos do Mar…E como o mundo é 2/3 de água, nós temos mais lugares para ir do que possamos estar…

Por Felipe Vasconcelos

3 COMENTÁRIOS

  1. Felipe
    Cruzar os mares sempre será emocionante, independente se você o faz numa plataforma ou num navio.
    Claro que no navio você passa por coisas que somente os marítimos, os vapozeiros, como costumamos chamar-nos uns aos outros passam.
    Já cruzei o Atlântico algumas vezes, jogando pitoco, escutando as estórias de bordo, pegando tempo, ralando pra caramba numa Praça de Máquinas, vendo coisas, verdadeiros presentes da Mãe Natureza que somente quem está no mar pode presenciar e relembrando fatos engraçados nos países onde fomos…
    Isso que você falou de lugares mirabolantes para uns serem comuns para nós é verdade. Eu, por exemplo, fui tanto a Salvador e Recife que, para mim, não tem mais tanta graça. Não somente nessas cidaes, mas em muitas outras.
    Só não concordo quando você diz que a maioria ainda navega por vocação, por “espírito desbravador” ou por que gosta.
    Quem ainda navega está fazendo isso por muitos motivos, mas principalmente pelo dinheiro (e olha que ainda não somos remunerados como devíamos) e isso é uma característica antiqüíssima de nossa profissão. desde o início dos tempos as pessoas embarcavam em galeões e caravelas em busca de dinheiro. Deixa seu patrão reduzir seu salário que eu quero ver você fazer isso por amor…
    Quem quer qualidade de vida, sem sombra de dúvidas, procura por escalas mais amenas que as da navegação. O offshore caiu como uma luva para os que gostam do que fazem, mas que queriam estar um pouco mais de tempo com suas famílias. É óbvio que aqueles que gostam do que fazem acabam se destacando dos demais, acabam realizando seu trabalho de maneira prazeroza, sempre buscando melhorar dioturnamente.
    É muito bonito falar que se navega por amor, por vocação etc… até que você vê o tempo passar voando, seus filhos crescendo e você sempre ausente.

    Parabéns pela matéria.

  2. Que matéria legal, gostei bastante do que você escreveu sobre essa nossa carreira, sei que tem seu lado ruim, mas é sempre bom quando a gente é capaz de reconhecer o lado bom e aproveitá- lo.

  3. É prazeroso poder falar sobre nossas viagens. Eu mesmo, tenho um projeto (bem difícil de ser colocado em prática, confesso), de voltar a todos os lugares que já fui… O problema é lembrar de todos eles, agora… rs

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