Saúde do Embarcado – Uma Medicina Diferente

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Em 2001, teve início o embarque de médicos em unidades petrolíferas offshore. O Brasil foi o pioneiro, no mundo. A experiência prévia, no Mar do Norte e no Golfo do México, era com pára-médicos (que não existem em nosso país) e a nossa experiência nacional, até então, era com o embarque de Técnicos em Enfermagem e Auxiliares de Enfermagem.

Assim, somente em 2001, começaram a ser descritas, in locu, as características epidemiológicas e nosológicas das populações embarcadas em unidades petrolíferas offshore.

Percebeu-se, cedo, que havia muitos aspectos diferentes. Por exemplo, uma prevalência 50% maior de hipertensão arterial; cerca de 60% dos embarcados encontram-se com sobrepeso ou com obesidade, não sendo raros os casos de obesidade mórbida ( com índice de massa corporal maior do que 35). Chamou-nos à atenção uma frequência quase 100% maior de casos de depressão/ansiedade, quando comparados aos números obtidos entre trabalhadores do petróleo, em terra.

Os embarcados em unidades petrolíferas offshore ficam 14, 21 ou 28 dias isolados, confinados, com dessocialização relativa, descansando no mesmo local em que trabalham! Longe de suas famílias e sem vida sexual normal, apresentando frequentes distúrbios do sono, não é de surpreender que tenham particularidades nosológicas e epidemiológicas.

Estudando essas populações, durante nove anos, embarcando e vivenciando os detalhes, pudemos estabelecer intervenções populacionais que modificaram muitos aspectos desse perfil descrito. Os estudos matemáticos efetuados também nos permitiram quantificar as diferenças e os efeitos das intervenções mencionadas.

Isso nos tem mostrado uma Medicina diferente!

Dr João Carlos

11 COMENTÁRIOS

  1. Dr João é um exemplo de médico a bordo.
    Trata a todos como verdadeiros filhos, dá aulas de inglês para o pessoal e sempre soma para a melhoria do ambiente de trabalho.
    Pelo currículo do Doutor, digo: o cara é um exemplo de humildade.
    Professor da USP, Teólogo, Médico formado pela USP etc, etc e etc…
    Valeu, Doutor.
    Sua presença aqui veio engrandecer nosso site.

    • Não tive o prazer de trabalhar com ele embarcada, mais concordo com você Rodrigo, o Dr João é mesmo espetacular!
      Um abraço!

  2. É bom sabermos que no Brasil há essa preocupação com a saúde de quem está trabalhando embarcado, porque vivemos numa situação diferente dos trabalhadores que estão em terra, o que nos deixa expostos a doenças mais específicas e faz toda a diferença a presença de um médico a bordo.

    • Nelsiane;
      Obrigado por comentar o artigo. De fato, vc tem razão; faz muita diferença um médico capacitado e treinado, a bordo. A capacidade de resolver problemas é infinitamente maior e o médico é o profissional treinado para fazer diagnósticos; evidentemente, não à distância.
      Do ponto de vista econômico-financeiro, os Medivacs desnecessários evitados pagam, com folga, seu salário e geram lucros.
      Um abraço,
      João Carlos

      • É mesmo, Nelsiane. Acredito que o Médico a bordo, caso não seja bem qualificado para tal, sempre fica entre a Cruz e a Espada: ou pede um Medivac e desembarca o tripulante por problemas que poderiam ser resolvido a bordo, ou então não desembarca, por não dar a devida importância ao que acomete seu paciente.
        Este é o tipo de decisão que só pode ser tomada por profissionais experientes e qualificados.
        O Médico a bordo é fundamental.
        Aliás, tenho que dar um testemunho aqui.
        Eu estava com uma “bola de gude” (rsrsrsrs) no meu pulso esquerdo, provavelmente reflexo de meu trabalho na Manutenção, e nunca resolviam, inclusive em terra. Dr João, com seu conhecimento, examinou e foi direto ao ponto: duas aplicações de cortizona (acredito que à baixa concentração), com um intervalo de 2 meses entre cada aplicação. Na primeira, reduziu. Ele aplicou a segunda há poucos dias e a “bola de gude” (devia ser um cisto sinovial, ou algo do tipo), desapareceu.
        Obrigado, Doutor.

  3. Rodrigo;
    Muito obrigado; você é sempre gentil e nos impulsiona para cima. É muito bom trabalhar com você e participar do site.
    João Carlos

  4. Sempre ao arribar uma embarcação por motivo de saúde acabamos por nos perguntar onde está o MÉDICO de bordo mas uma vez que a situação de crise passa, nossos oficios retornam a rotina e acabamos por nos esquecer de quão importante termos o profissional MÉDICO a bordo, desde escoriações menores até cirurgias cardiacas passando por apendicites agudas é deles que precisamos nessas horas .
    Um Grande Abraço Dr. João Carlos

  5. Sou técnico de enfermagem, ocupo a função de técnico de enfermagem do trabalho, habilitado com a CIR de enfermeiro de Marinha Mercante. Tive a experiência de trabalhar em graneleiro levando soja para quinhandaoo na China, e trazia enxofre de Vancurver no canadá para o porto de Santo. Embora buscando se bastante esforçado no meu desempenho da função, e com o apoio legal fornecido pelo guia médico internacional, e as normas da IMO, encontrei situação que daria tudo para ter um Médico comigo, o profissional de enfermagem é de suma importância no Navio, o bom profissional sempre vai se útil, mas um médico é indispensável. Ambos formam uma parceria fenômenal. Serviço de enfermagem e o serviço médico só é completo quanda trabalham juntos.
    Tive uma experiência de quando estava passando pelo sul da Africa recebi um chamado de socorro de um outro navio que distanciava uns quatro dias do nosso onde um tripulante apresentava sintomas de apendicite, passei as informações do exames fisíco para o 2º Oficial de maquina daquele navio por radio para ele me retornar, e confirmar a suspeita no prognóstico, pois era só a título de informação de enfermagem, pois eu não poderia diagnósticar. E quando percebi pela a experiência que podia ser Apendicite, sugeri que buscassem apoio médico por telex. E apresentei os cuidados de enfermagem para a suposta patologia. E então vi que as vezes estaremos muito longe para uso de helicoptero, e nem sempre poderemos arribar um navio por causa de um homem, devido o auto indice de Piratas nesta rota. Verifiquei que tinha que fazer mais uso do Blinner cirúrgico, e ler o mais que eu pudesse, pois teria que manter os meus colegas tripulante vivos no caso de eventualidades por muito dias até a chegada em um porto amigo. As orientações do medico que recebia por telefone me fazia se os seus olhos e mãos. E questionava porque uma área que arrecadava milhões de dolares não queria pagar um bom médico para que ficasse abordo na longada. Agradeço a Deus e aos anos de trabalhos em UTI, e pronto socorro com excelentes médicos que só pelo fato de obedece-los em uma emergência, fui feliz abordo, isso muito me ajudou.

    • Boa noite sou Técnico de Enfermagem habilitado com a CIR. CFQ2 Porto Alegre acabo de me formar.Possuo curso de APHTLS,BLS,Espaço confinado. e formação adicional como Técnico de Segurança do Trabalho.Não sei bem como agir mandei alguns curriculos e não tive retorno, não sei se subu até MACAE.Seuderes me ajudar ou me indicar alguma empresa ajudaria muito;Meu imell azevedoseguranca@hotmail.com

  6. Bom dia Doutor, estou interessado em ingressar no ramo offshore, mais possuo uma protese valvar aortica, e faço uso de marevam, realizei todos os tetes do exame admissional e fui classificado como apto a excercer a função, porém estou aprensivo por não saber se há alguma restrição qnto ao uso de anti coagulante (marevam).
    att.,
    Uellington Rodrigues

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