Marinha Mercante – Uma profissão não muito divulgada

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Bom ou ruim para nós ? A falta de divulgação da nossa profissão é realmente um fato inegável que vem sempre a tona quando tentamos explicar o que somos e o que fazemos. Qual de nós nunca passou por situações nas quais tentando explicar nossa profissão encaramos olhares e expressão de profundo desconhecimento da mesma ?!

As metáforas que usamos são as piores possíveis, “dirigir ou guiar o navio” para piloto, que, na maioria das vezes leva o ouvinte a imaginar o piloto com um timão e nada mais. A maioria nem cita que cuida da salvatagem do navio evitar maiores questionamentos… Para maquinista temos tanta sorte na maioria das vezes por que a melhor definição que temos é : “Somos responsáveis pela manutenção de todos os equipamentos do navio!!” que torcemos para não vir com a pergunta “mas que equipamentos existem no navio?!” , que vem na maioria das vezes e lá se foi nossa tarde explicando…

Oficias, Taifeiros, Mestres, MNM , MNC…São  engraçadas as expressões que criamos para nos definir, das quais esperamos relatos de vocês, nossos leitores vapozeiros ou não, que já escutaram ou proferiram pérolas assim.

Porém meus caros, apesar dessas situações, o fato da nossa profissão não ser muito divulgada pela Marinha do Brasil é como um todo ruim?

A MB defende com unhas e dentes a manutenção do monopólio do ensino Marítimo, por motivos econômicos, obviamente. Hoje já há algumas instituições tentando quebrar tal monopólio, porém, ainda não tem força suficiente para tal. Se tal fato fosse mais divulgado e tais instituições ganhassem apoio popular talvez até conseguissem, e em conseguindo, quais seriam as consequências ?
Nosso anonimato após o período negro da marinha mercante nas décadas de 80 e 90, fez com que houvesse uma escassez de profissionais no mercado, o que, concordemos, é o motivo de termos uma tranquilidade laboral e salários bem acima da média da realidade brasileira.

Imaginando qualquer faculdade  “Varejão do Ensino” disponibilizando o curso de “Bacharel de Ciências Náuticas, venha ser rico trabalhando como DPO em Plataformas”, tira seu sono, meu amigo mercante? Ou então “Aberto inscrições para o CFAQ, 4 meses de curso, saia ganhando acima de R$2.000,00”, as tradições marítimas, para onde iriam junto com nosso salários?

O fato é, a situação atual, apesar de embaraçosa, está confortável para os lados mais fortes que poderiam mudar a situação, os Vapozeiros já trabalhando e a MB. Para os alunos do Ensino Profissional Marítimo, não está tão confortável assim, mas a maioria ao migrar para a zona de conforto, esquecem ou não se interessam mais pelos problemas de outrora.

Então senhores, eis  o papel do Portal Marítimo, Estamos dispostos a divulgar nossa profissão, mas estaremos sempre “watching our step”, tomando cuidado por onde navegamos, pois temos noção do quão poderosa ferramenta de comunicação estamos utilizando, e sabemos que há algum tempo já estamos mudando o curso da Marinha Mercante Brasileira.

Por Felipe Vasconcelos

20 COMENTÁRIOS

  1. O grande problema é que sempre tem um ou outro querendo banalizar nossa profissão.
    Todo mundo quer trabalhar embarcado, mas não faz idéia do que se passa. Muitos pensam que vão trabalhar engomadinhos, fardados de branco e somente mandando.
    Quando olham “pra boca da dala”, acabam vendo que a coisa não é bem assim.

  2. “Mas você é o que mesmo,;?”,
    -Oficial da Marinha Mercante
    “AH……e em qual quartel você serve?”
    -Não você não entendeu, Marinha Mercante,
    “AH…..claro po é aqueles “soldado” de verde que invadem na praia que nem como é mesmo…..isso o Fuzileiro…”(transcrição de parte de um diálogo juro veridico)

    E assim se vai mais um dia perdido na pesca de corrico, tentando explicar quem faz o que na Marinha Mercante

    Não adianta gente temos de trabalhar muito pra mostrar o que faz o Marítimo e do que ele é capaz.

    Abraço a todos

  3. POSTS MUITO INTERESSANTE, MAIS SO UMA PERGUNTA. NÃO PODERIA MUDAR O NOME DO TITULO PARA MARITIMOS OU APENAS MERCANTE, POIS NÃO ESTA SO FALANDO DE OFICIAL (GRAÇAS A DEUS) E O ANUNCIADO ESTA OFICIAL MERCANTE. UMA OPNIÃO.

    MAIS CONCORDO COM O NOSSO AMIGO FELIPE QUE A NOSSA PROFISSÃO QUASE NAO É DIVULGADA TIRANDO A EFOMM, MAIS A CULPA DISSO É DAS PESSOAS QUE ADMINISTRAM O NOSSA MARINHA MERCANTE, QUE TOMAM CONTA DO ENSINO PROFISSIONAL MARITIMO. MAS POR OUTRO LADO É BOM PORQUE O DESEMPREGO SERIA MAIOR, POIS CADA VEZ MAIS TEM “VAPOZEIRO” NA “PEDRA” MUITOS MOC, MNM, MNC ENTRE OUTROS… A VIDA É DURA COMPANHEIRO, MAS ESTAMOS AQUI PARA SOMAR E ELEVAR A NOSSA MARINHA MERCANTE PARA TODOS.

  4. A PIOR COISA É SER CONFUNDIDO COM MILITAR SEMPRE PASSO POR ISSO AINDA MAIS QUANDO FUI NA CAPITANIA DO RIO FAZER MEU RECADASTRAMENTO… OLHA O MARINHEIRO… É DE QUAL QUARTEL???
    RSRSRS

  5. Geison
    Não acredito que a culpa da falta de divulgação de nossa profissão seja dos militares.
    A culpa é nossa. Somente nossa.
    O marítimo sempre teve o hábito de esconder o jogo de tudo. Poderia até ser uma maneira de auto defesa, auto preservação ou sei lá o quê.
    A regulamentação da profissão, através da criação de um Conselho Federal de Marinha Mercante, na minha opinião, seria o grande acontecimento que daria ao marítimo seu lugar de destaque, mais que merecido, perante a sociedade.
    Muito Obrigado pela participação.

  6. Há uma grande demanda de pessoas que não sabem o que fazemos, como fazemos, e pra que fazemos nosso trabalho. Não cabe somente ao nós, trabalhadores maritimos, mostrar e divulgar nossa profissão. Mas cabe, também, às instituições que nos representam se fazerem valer do poder de comunicação e apresentar pra sociedade o que realmente fazemos no Mar.

  7. Sem dúvida não há divulgação sobre a nossa profissão, o que de certa forma deixa os mercantes numa posição de conforto, já que não existe propriamente desemprego para a nossa classe. Entretanto, a demanda está aumentando muito e é bom que esse desconhecimento comece a mudar… caso contrário perderemos nosso espaço para os estrangeiros que são mão de obra farta e barata e esse é o sonho dos armadores! Precisa haver um planejamento , para atender as necessidades do mercado com acuidade para que não fique saturado e acredito que isso já está acontecendo. As vagas na Efomm estão aumentando e de certa forma a sociedade está abrindo os olhos para esse novo círculo.
    A 39 dias para a formatura no CIABA; vejo me muito empolgada com o que a atual situação que nos espera!!

    • Obrigado por sua participação, Paloma.
      Você citou algo muito importante: A Sociedade está começando a ficar de olho em nossa atividade.
      Isto é fato.
      Isso nos chama à reflexão e acende a luz amarela quanto à necessidade da criação de um Conselho Federal de Marinha Mercante, para regulamentar nossa atividade, deixando a sociedade mais a par do que fazemos, melhorando nossa imagem perante a mesma e aumentando a sensação de segurança em relação ao que fazemos.
      Divulgue nosso site para seus colegas, pois as visitas de vocês, alunos, é muito importante para nós.

  8. Realmente, concordo com o que foi publicado nesse post. Essa é a nossa realidade.
    Nas décadas de 80 e 90, com as crises, o declínio da Marinha Mercante Brasileira e baixos salários, nossa profissão perdeu status e desvalorizou-se na sociedade. Quem viveu essa época deve ter sofrido bastante com a incerteza do desemprego e a falta de oportunidades. Vivemos agora um momento de renascimento, com expansão econômica e crescimento.
    Nosso mercado de trabalho precisa, daqui para diante, continuar protegido, empregando brasileiros – na minha opinião esse será o maior desafio dos próximos anos para que a nossa profissão continue valorizando-se – ou teremos somente estrangeiros de países mais pobres fazendo o nosso trabalho por metade do nosso salário.

    C.A.Müller
    Comandante de Navio

    • Concordo, Müller, mas há um detalhe: a demanda por profissioanis vem aumentando cada vez mais e se ações não forem tomadas, como a habilitação de instituições privadas para ministrar os cursos, vai pegar. E vai pegar muito.
      Müller, olha para a Baía de Guanabara que você vai entender o que eu falo. Há muitas embarcações de fora fundeadas, aguardando liberação para operarem.
      Olha no site da Praticagem a lista de fundeio.
      Não digo que tem que “abrir a porteira”, como muitos pregam, pois a MB está fazendo mais ou menos desta forma e já temos colegas que mal sabem escrever pleiteando uma Carta de Oficial e outros que saem da EFOMM sem diretriz alguma em relação ao que é a carreira marítima, sem PIM, sem nada, ou até mesmo que foram sendo empurrados desde o primeiro ano. Isso sem falar nos que estão literalmente “desesperados” com uma CIR de MAC ou MOC na mão e não conseguem embarque. Ninguém fala isso, todos querem ser politicamente corretos, mas isto é fato. Os próprios professores do CIAGA dizem isso.
      Esta “filosofia” de formar abaixo da demanda para garantir mais vagas que profissionais, ainda pode virar-se contra nós.
      Na minha opinião, deve-se abrir, mediante EXTREMO controle, essa atividade para ser ministrada pelas instituições privadas também, mas deve-se “apertar” desde o CFAQ para que tenhamos profissionais realmente aptos e qualificados para fazerem uma carreira possibilitando sua ascenção até Comandante ou Chefe. Do jeito que está, o que estão fazendo é “empurrando goela abaixo” do mercado muitos profissionais de qualidade questionável e isso ainda pode virar-se contra nós. Se houvesse um Conselho Federal de Marinha Mercante que fiscalizasse isso tudo, regulamentando nossa profissão e aplicando um Exame de Avaliação nos moldes do que faz a OAB, como condição sine qua non para o marítimo exercer a profissão, estaríamos seguros para dar um grande passo em direção à abertura de novas Universidades e Escolas Técncias de Formação para a vida no mar. O problema é saber se a Marinha aceitaria um órgão de fora fiscalizando as atividades de formação ministradas por ela, mas essa é outra estória.

  9. Rodrigo Cintra,

    se as faculdades começarem a oferecer o curso de ciências náuticas, vai ser um verdadeiro mangue. As empresas vão desvalorizar totalmente os seus profissionais, as condições de trabalho vão piorar, o fator QUEM INDICA vai ser cada vez maior e as pessoas formadas nessas faculdades não vão ter a disciplina e o respeito de hierarquia que a carreira EXIGE. O ideal seria a ampliação de vagas no CIABA e no CIAGA e a criação de mais um centro de instrução, na região nordeste, no mesmo molde dos dois existentes.

  10. A desgraça da marinha mercante chama-se, autoridade maritima. A anos comen tudo o dinheiro destinado ao ensino mercante, fundos da marinha mercante e que é o que fazem: um sistema de praticagem rídículo, até cómico para as outras marinhas mercantes, escolas de ensino cheias de professionais que nunca pissaram navio mercante e por aí vai.
    Já esta na hora de assuntos da marinha mercante ser administrados pelo pessoal da marinha mercante!!!!

  11. Senhores, está mais do que na hora de criarmos o nosso Conselho de Classe, pois só assim seremos reconhecidos e independentes.

    Saudações Marinheiras

  12. boa noite parceiros de ceu e agua, a minha opinião,no momento de tanta soberba e menospreso de nosssos governantes, eu simplesmente,convocaria todo o pessoal mercante,independente de (MB) que vive nos manobrando,e, por outro viez,e, dicipulada pela corja do governo,a mesma maneira a ser tratada, simplesmente criando o corpo de pessoal de embarcação de transportes diversos,e, gozar-mos das mesmas prerrogativas,de mesmos uniformes ( insignias, distintivos,divisas.etc). todo governo, tem autonomia para tais mudanças! quem sabe esse paiz,não tomasse rumo certo,e, ate mesmo fosse copiado pelos demais……afinal tudo não passa de marinha!!!!!!!!!!!!!!!!! abraços. enf-silas.

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