Falta de Oficiais – DPC apresenta os dados oficiais

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No último dia 23 de Novembro, estivemos presentes na Naval Summit 2011 e tivemos o prazer de assistir a palestra do Gerente de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo da Diretoria de Portos e Costas, o Contra Almirante da Reserva Sergio Freitas, ex Comandante do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha.

A palestra beirou o brilhantismo, não somente pela acessibilidade da linguagem para todos, mas principalmente pela correção e clareza que apresentou ao divulgar os números oficiais da DPC em relação a falta de oficiais de Marinha Mercante no Mercado. O Almirante foi sutil e incisivo, usando dados oficiais, dando um enfoque diferente à situação ao dado por Roberto Galli, Vice-Presidente do Syndarma.

Sergio Freitas abriu seu painel explciando ao público o conceito de aquaviário, mostrando o fluxo da carreira e reforçando a importância destes profissionais para o Brasil como um todo. O Almirante também explicou a RN-72 e como ela afeta as tripulações. Além disso, o palestrante deixou claro para a platéia a diferença de responsabilidades em relação aos profissionais, pois enquanto a Marinha do Brasil, através da DPC, Centros de Formação e Capitanias, tem a responsabilidade de formar os profissionais através dos diversos cursos do Ensino Profissional Marítimo, fica a cargo das empresas providenciar o treinamento de seu pessoal.

A TRANSPETRO contratou a Consultoria Schlumberger Business Consulting, referência mundial na área,  para fazer um estudo estatístico, revelando em números como está a relação entre oferta e demanda hoje para os oficiais de Marinha Mercante no Mercado de Trabalho no Brasil e a pesquisa se restringiu aos oficiais por a entidade entender que que a situação dos subalternos está equilibrada entre oferta e demanda. A convite da empresa, a DPC coordenou o trabalho que envolveu a participação do SINDMAR, SYNDARMA e da própria TRANSPETRO.

Os números revelam a situação em 31 de Julho de 2011.

Vamos aos números:

EMBARCAÇÕES OPERANDO NO BRASIL: 199 brasileiras e 416 estrangeiras, perfazendo um total de 615 embarcações, das quais 89% estão diretamente envolvidas em operações da indústria do petróleo e gás.

OFICIAIS NECESSÁRIOS PARA SE OPERAR AS EMBARCAÇÕES LEVANDO-SE EM CONTA O QUE REZA A RN 72 DO CONSELHO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO (CNI): 3626 oficiais, dos quais 45% estariam atuando em embarcações estrangeiras, no caso de se levar em conta apenas a Tripulação de Segurança (lotação mínima no CTS – Cartão de Tripulação de Segurança) ou 4662 oficiais, dos quais 47% estariam atuando em embarcações estrangeiras, no caso de se levar em conta a Tripulação Típica de cada unidade.

ACRÉSCIMO DE DEMANDA: 5% relativos a eventualidades (absenteísmo, licença médica, treinamento, etc) ; 1% referente a marítimos afastados de bordo, mas que continuam a descontar imposto sindical para o SINDMAR; e 5% referente ao desemprego estrutural (pessoal disponível em mercado de pleno emprego que, por razões diversas, não consegue se colocar, como ocorre em qualquer grupo de profissionais).

CERTIFICADOS DE COMPETÊNCIA EM VIGOR: 5427

EVADIDOS (20%) – 1140 oficiais, mas com potencial retorno à atividade, uma vez que seus certificados ainda são válidos.

EMBARCADOS – 4287 oficiais (oferta)

REALIDADE DO MERCADO EM 31/7/2011 :

Demanda de oficiais empregando os CTS – 4074
Oferta de oficiais  – 4287
SuperaviT –  213

Demanda de oficiais empregado-se tripulações típicas e cumprimento da RN-72 – 5193
Oferta de oficiais – 4287
Deficit – 906

Demanda de oficiais empregando-se tripulações típicas e cumprimento da RN-72 com flexibilização, como verificado em 31/7/2011 – 4514
Oferta de oficiais  – 4287
Deficit –  227

Este último número (deficit de 227 oficiais) é o número considerado pela DPC como a realidade do mercado em 31/7/2011.

No que se refere a formação de oficiais após o período de estágio embarcado (PREST), 46 foram disponibilizados em 2000 e em 2012 serão 721, número superior ao que se observava nos anos 70, por ocasião do auge da construção naval no País.

Até 2020, serão colocados no mercado de trabalho mais 8619 oficiais. Caso não houvesse evasão, alcançaríamos naquele ano 12906 (8619 + 4287) oficiais para uma demanda de 10300, necessária para atender a evolução da produção marítima de petróleo e gás natural prevista pela PETROBRAS, assim como o crescimento da cabotagem.

Assim, uma evasão de 2606 oficiais até 2020 (12906 – 10300) faria com que alcançássemos 2020 com o mercado equilibrado, o que representa cerca de 275 oficiais por ano. A Schlumberger, no entanto, estima a evasão em 550 por ano.

A DPC considera que a evolução futura da carência de oficiais será menos dramática do que a apontada pelo estudo recém concluído, principalmente porque a evasão por ele estabelecida não corresponde ao observado nos últimos anos. Como os salários pagos pelas empresas de navegação estão muito atraentes e as condições de trabalho melhoraram muito, é duvidoso tamanho crescimento da evasão.

A DPC considera factível que a oferta x demanda de oficiais esteja equilibrada a  partir de 2015, estando habilitada a acompanhar sua evolução com acuidade, apta a adotar tempestivamente as medidas reguladores que lhe competirem.

Estima-se que o esforço desenvolvido pela Marinha do Brasil, somado aos das entidades de classe e governamentais envolvidas na questão, serão suficientes para, no médio prazo, manter o equilíbrio entre a oferta e a demanda de oficiais ao longo dos anos. )

Assim,  a DPC não acredita em “Apagão Marítimo”, nem em equilíbrio, mas sim numa ligeira falta de oficiais e apresenta números que comprovam seu esforço para suprir a demanda e é bom divulgarmos isso porque alguns setores da Marinha Mercante de vez em quando se comportam e dão declarações como se nada estivesse sendo feito.

Nota – Agradecemos à DPC, representada no contato com o Portal Marítimo pela figura do Almirante Sergio Freitas, pela cooperação no fornecimento dos dados usados nesta matéria e gostaríamos de deixar um agradecimento especial ao Almirante, que tratou a nós do Portal com toda atenção necessária para que esta matéria pudesse ser publicada com total correção.

Por Rodrigo Cintra

11 COMMENTS

  1. falando nisso (oferta x demanda), qual é a previsão de divulgação de um novo concurso de Ason/m ?
    vcs do blog tem alguma noticia do ciaga em relação a isso?

  2. Essa consultoria, contratada pela Transpetro, maior interessada em INCHAR o mercado afirma que 550 marítimos deixarão a profissão por ano…
    Baseados em que?
    Com uma profissão que remunera mais do que a maioria das “profissões de terra”, quantos sairiam do mar?
    Ao invés de “atulhar” o mercado, a DPC deveria se preocupar em melhorar a qualidade dos profissionais formados.
    sds,

    • Você acha mesmo, Ramalho?
      A matéria não mostrou qual critério a tal consultoria contratada pela Transpetro usou para afirmar 550 oficiais abandonariam a vida no mar todos os anos nos próximos anos…
      Se isso não é “achismo”, eu posso chamar de “má fé”, posso chamar de “dolo”ou qualquer termo para mostrar o que está por trás da intenção da Transpetro: Inchar o mercado, baixar salários, retirar benefícios…
      Porque eles tem a pior relação trabalho/repouso? Quem acha que eles pensam nos marítimos, está sendo ingênuo (no mínimo).
      sds,

  3. eu acho esquisito falar em falta de proficionais na area pois eu sou capitao fluvial trabalho na area fluvial e estou tentando cambar para maritimo e nao estou conseguindo as proprias autoridades colocãomuitos obstaculos para que não gamosigamos a mudança isso e um desabafo

  4. quem pode responder a pergunta do sr Osvalino.
    sou capitao fluvial e estou na mesma situaçao.
    responda par favor

  5. Marcos

    Quando o ACON/ ACOM entra para ascender de categoria
    esqueceram de mim não , nosso paraninfo da turma de 2008 Sergio Freitas.

  6. Gostaria de saber se esta pesquisa é voltada para todos oficiais formados como os do ACON? ou é só para os do ASON? bem como as ofertas de trabalho/

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