Sinaval alerta pro barato que sai caro

3
434

No seu primeiro pronunciamento sobre o supernavio afretado à Vale que rachou enquanto embarcava minério de ferro, a entidade que representa a indústria naval brasileira diz que há limitações na redução de custos na construção de embarcações.

“O incidente demonstra que há lições a se aprender e que há um limite para a economia de custos em empreendimentos pioneiros e inovadores para garantir a operação segura”, informou o Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore), em comunicado

“O ocorrido com o navio da STX Pan Ocean demonstra que a construção de navios não é uma atividade trivial. Projeto, métodos construtivos e qualidade dos materiais são itens com grande impacto no desempenho de um navio”, acrescenta.

O Vale Beijing, que tinha acabado de ficar pronto, sofreu rachaduras no terminal de Ponta da Madeira, no Maranhão, no dia 3 de dezembro, enquanto embarcava sua primeira carga de minério de ferro.Algumas fontes ouvidas pela Reuters, que pediram anonimato, disseram que o navio pode ter sido construído com aço de má qualidade, que não teria resistido ao peso da carga, prevista para alcançar quase toda a capacidade da embarcação, de 400 mil t.

A STX não retornou a pedidos da Reuters para comentários sobre as críticas.O navio é um dos 35 supernavios para transporte de minério de ferro que a Vale está adicionando à sua frota como maneira de buscar reduzir custo com frete marítimo e o primeiro de oito supercargueiros que serão entregues pela empresa coreana até 2013 para transportar minério de ferro da Vale.

O conhecimento tecnológico, disse o Sinaval, tem permitido melhor avaliação do desempenho dos materiais, o que possibilita economias de custo de construção, mas que torna menores as margens de segurança.

Os supernavios da Vale estão sendo construídos em estaleiros da Coreia e China, países que constroem embarcações a preços mais baixos que a média mundial.

Os coreanos são conhecidos por produzir embarcações modernas a preços competitivos. O Sinaval defendeu estaleiros locais, que têm sido alvo de críticas por alguns analistas por produzirem mais lentamente e a um custo maior que os asiáticos. “Os estaleiros brasileiros estão tecnicamente preparados para enfrentar esses desafios e construir navios e plataformas de petróleo para operar com grande segurança”.

Metade do preço

O custo de construção dos supernavios da Vale para cada t de capacidade equivale a metade do valor gasto para se construir petroleiros da Petrobras, pelo estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. Cada supercargueiro da Vale com capacidade para transportar 400 mil t de minério de ferro tem custo estimado médio de US$ 150 milhões. São US$ 375 dólares de investimento para cada t transportada.

Dez navios da Petrobras tipo Suexmax, com capacidade para carregar cerca de 170 mil t, com a metade do tamanho dos Valemax, foram encomendados ao estaleiro Atlântico Sul por US$ 1,2 bilhão, média US$ 120 milhões por unidade, segundo a Transpetro, subsidiária da Petrobras.

São cerca de US$ 765 por t transportada. Floriano Pires, Professor da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia que o incidente com o navio da Vale pode em algum momento fazer construtores reverem os projetos de construção das embarcações, considerado um dos mais baratos do mundo.

Em comunicado na quarta-feira, a STX Pan Ocean afirmou que as outras sete embarcações do mesmo porte que serão afretadas à Vale estão sob análise. O diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, diz que o problema do navio da Vale deve ser visto como um erro isolado e não compromete as demais encomendas feitas aos estaleiros mais competitivos.

“Não tem problema nenhum fazer navio no Brasil, mas acho que tem que criar primeiro tecnologia local”, disse Pires. O contrato de afretamento entre Vale e STX para os navios gigantes, fechado em 2009, é da ordem de US$ 6 bilhões, segundo a empresa asiática.

A mineradora brasileira firmou contratos de arrendamento para um total de 16 navios gigantes, conhecidos no mercado como Valemax. Outros 19 navios gigantes foram encomendados para serem operados pela própria Vale, num total de 35 embarcações do mesmo porte.

O Sinaval pondera que “acidentes com navios acontecem”. “Os operadores de frotas e os estaleiros construtores sempre acompanham incidentes deste tipo para aprender e evitar que se repitam”, diz a entidade.

Com as informações – Reuters

Por Rodrigo Cintra

3 COMMENTS

  1. isso já se desconfia pois vamos lucrar e lucrar sem consequências pois somos empresários . lucro acima de tudo e de todos.
    para que CREA , NRs etc….

  2. Mas também com a produção caríssima no atlântico sul,é compreenssível que a Vale compre no mercado sul coreano.Brincadeira! essa indústria naval deveria ser mais competitiva.Por outro lado a Vale deve se preocupar também com o mercado finaceiro,já que seria pessímo para suas “blue chips” um ValeMax afundar.

  3. Pela última fotografia publicada do navio, vai ter o mesmo destino do que partiu ao meio em Nova Zelelandia. Quanto a contrução de navios no Brasil, se não começarmos, nunca iremos ser competitivos, a Petrobras e o Governo Lula estam certos ao iniciar a nova fase de reerguimento da industria naval, a Vale bem que poderia ter encomendado pelo menos um destes cargueiros em estaleiros nacionais.

Deixe uma resposta