Cruzeiro praticamente naufraga na Itália, deixa mortos e levanta discussões sobre segurança a bordo

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O brasileiro Luciano Castro, um dos passageiros do Costa Concordia, navio que naufragou na costa italiana na noite dessa sexta-feira, relatou à imprensa italiana que, por volta das 21h30 (horário local), “todos estavam jantando quando a luz apagou, houve um tranco e os pratos caíram da mesa”.

Quando a luz voltou, o Comandante anunciou uma avaria num dos geradores elétricos e garantiu um conserto rápido, mas o barco começou a adernar. A tripulação pediu que todos colocassem os coletes salva-vidas e logo veio a ordem para abandonar o navio, revelou Castro.

Conheça o cruzeiro de luxo que naufragou na Itália

O Costa Concordia partira de Civitavecchia, da região de Roma, e costeava a Toscana, quando, aproximando-se da ilha de Giglio, acertou rochas e tombou. Havia 4.229 pessoas a bordo, das quais três morreram e 40 ainda seguem desaparecidas. O Comandante do navio, Francesco Schettino, foi interrogado durante horas e depois detido pela procuradoria de Grosseto, cidade da região do acidente. Ele é acusado de homicídio culposo múltiplo, naufrágio e abandono do navio enquanto muitos passageiros ainda se encontravam na embarcação. Schettino teria aproximado o Concordia de modo “desajeitado” da ilha, causando o acidente, segundo a acusação.

Comandante foi detido na Itália sob diversas acusações

O Comandante está sendo acusado pela promotoria de homicídio culposo múltiplo, naufrágio e abandono do navio enquanto muitos passageiros ainda se encontravam na embarcação. Francesco Schettino foi detido em Grosseto, cidade da região do acidente, após passar por um longo interrogatório comandado procurador chefe da localidade, Francesco Verusio.

Schettino, de 52 anos e natural de Nápoles, foi ouvido por várias horas por Verusio, após o navio que pilotava e que transportava 4.229 pessoas ter encalhado a 500 metros da ilha toscana. De acordo com a imprensa italiana, o comandante deixou o cruzeiro por volta das 23h30 (hora local), quando parte dos tripulantes e dos passageiros ainda aguardavam para serem levados. As últimas pessoas só deixaram o navio por volta das 2h30 e 3h deste sábado.

Navio encalhou em banco de areia e começou a emborcar rapidamente

Outro tripulante do Costa Concordia, o Primeiro Oficial de Náutica Ciro Ambrosi, também está sendo investigado, de acordo com a imprensa local. A caixa-preta da embarcação, na qual se encontram as gravações das conversas entre o navio e o porto de Livorno, o mais importante da região, já foi recuperada, informou o Procurador Chefe.

Como se pode observar, o navio estava próximo demais da costa

Verusio disse que o impacto com as rochas aconteceu às 21h45 e que as capitanias dos portos próximos não foram avisadas imediatamente. De acordo com a primeira reconstituição feita pela procuradoria, o Capitão se aproximou demais da ilha de Giglio, fez uma manobra errada e o lado esquerdo do casco do navio se chocou com as rochas. Em pouco tempo, cerca de 20 minutos, muita água entrou dentro da embarcação. De acordo com a companhia proprietária do navio, a Costa Cruzeiros, o Comandante Schettino assegurou neste sábado que as pedras não apareciam no mapa que estava no Costa Concordia.

O navio levava cerca de 4 mil pessoas a bordo

O naufrágio vai acelerar uma discussão internacional sobre a possível modificação em projetos de transatlânticos, avalia o Engenheiro Segen Estefen, Professor de Estruturas Oceânicas e Tecnologia Submarina da Coppe, que congrega os cursos de Pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Passageiros chegam ao porto após escaparem com vida do acidente

“O que se coloca hoje é a viabilidade prática de se evacuar grandes transatlânticos com segurança”, disse Estefen. Segundo ele, esses navios podem ser projetados para que, em caso de acidente, determinadas partes flutuem e funcionem provisoriamente como uma embarcação de segurança.

Bombeiros italianos observam pedra que causou rasgo no casco da embarcação

Com essa mudança de projeto, passageiros poderiam aguardar em pontos específicos do próprio navio até a chegada de uma embarcação de resgate, evitando a necessidade de se lançar uma série de balsas ao mar. “Seria uma alternativa. O ingresso de água e o tombamento podem se dar em velocidade maior do que a capacidade de evacuação. Retirar 4 mil pessoas não é tarefa simples”. Segundo Segen, comitês da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) já iniciaram discussões sobre o tema.

Vídeo gravado por passageiros mostra momentos de tensão:

As últimas informações confirmam que seis pessoas morreram e 14 pessoas ainda estão desaparecidas.

Com as informações – Terra / Agência Estado/ AP

Por Rodrigo Cintra

2 COMMENTS

  1. Este acidente ressalta a importância do trabalho e da competência da tripulação de um navio, e mostra para nós, marítimos, o quão é essencial o treinamento especializado de segurança a bordo! Vidas em risco!

    Faça o seu melhor, sua família o espera!

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