Moradores de meta di Sorrento prestam seu apoio ao Comandante do Costa Concordia

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Os moradores da cidade Meta di Sorrento, na província de Nápoles, onde nasceu Francesco Schettino, Capitão do navio Costa Concordia, que naufragou na Itália, têm demonstrado apoio a ele.

Comandante por mais de dez anos, Francesco Amato, que já trabalhou com Schettino, conta que eles cresceram juntos. “Logo percebemos como ele era competente. Ele era o melhor entre todos nós”, conta o colega, que diz que Meta di Sorrento é uma cidade de marinheiros.

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“Há muitos anos sugerimos a ele que, se quisesse seguir carreira, deveria mudar de companhia com o objetivo de trabalhar na Costa. Foi assim que ele construiu uma carreira brilhante”, detalhou Amato.

Decepção

Ele também revela sua decepção diante da divulgação do diálogo entre Schettino e o responsável pela Capitania dos Portos, que o manda voltar a bordo para ajudar no resgate das vítimas. Amato afirmou que está “convencido de que a sua reação foi ditada pelo choque”.

De acordo uma tia do Capitão, Laura, o que aconteceu foi muito cruel. “Somos uma família de marinheiros e sempre cumprimos com o nosso dever. A mãe de Francesco está arrasada com as infâmias que ouve sobre o filho”, diz, acrescentando que quem comete erros deve pagar, e que se Schettino foi responsável pelo acidente, ele não deve escapar ileso.

A cidade está dividida entre aqueles que acreditam se tratar de uma tragédia ou de um acidente que poderia acontecer com qualquer um, mas todos repetem o ditado: “Chi va per mare naviga, chi sta a terra giudica” (“Quem sai para o mar, navega, quem fica em terra, julga”, em tradução livre do italiano).

Naufrágio

As operações de busca dos desaparecidos após o naufrágio foram suspensas nesta quarta-feira. “Os instrumentos (de medida em terra firme) revelaram que o navio se move, estamos avaliando se encontrou um novo ponto de apoio antes de decidir se podemos retomar as operações. Por enquanto, não podemos nos aproximar”, declarou o Porta-Voz, Luca Cari.

O navio afundou na última sexta-feira. Ao menos 11 pessoas morreram e outras 24 estão desaparecidas, segundo informações da Guarda Costeira e da Costa Cruzeiros.

Com as informações – Ansa / Band

Por Rodrigo Cintra

4 COMMENTS

  1. Muito boa a matéria. Para se chegar à verdade, é preciso ouvir os dois lados!! Não caiam na asneira de ir na onda do povo…Porque a maior parte dele só quer mesmo é ver o circo pegar fogo! Precisamos sempre equilibrar as informações para formular uma opinião equilibrada das coisas.
    .
    Muito bom. Parabéns à Band por ter dado esse viés.

  2. que bonitinho guti guti ….. e as vitimas eles tambem iram ser solidarios estão dando apoio aos proficionais envolvidos no resgate?

  3. Tem muitos pontos que precisam ser considerados.

    1. O local onde o navio estava passando tinha fundo rochoso e não era muito largo. Além disso, as rotas convencionais dos Ferries que seguam para o norte deixam a ilha Giglio por BE, não passando por onde o Comandante (sim, o Comandante. A palavra final sobre a derrota tem que ser dele) decidiu passar, especialmente com um navio daquele tamanho. Eu não passaria ali sem uma extrema necessidade, o que não era o caso, pois estes navios trabalham com uma boa lazeira de tempo para os trajetos entre escalas.

    2. Segundo o que foi apurado até agora, o Comandante determinou que o navio passasse mais perto da ilha ao invés de passar no meio do canal, assumindo um risco desnecessário.

    3. Atualmente, em regiões de grande tráfego como as águas européias, é comum haver mais de um oficial no passadiço. Normalmente um “senior” e um “junior”, além de timoneiro e “vigia”. Em águas mais tranquilas, como aqui na nossa costa, o mais comum é encontrar um oficial e um marinheiro. Em todo caso, se o Comandante determinou que o navio passasse mais perto da ilha, tudo indica que houve um abatimento para BB, o que fez o navio atingir as rochas do fundo.

    4. Apesar de não ter como eximir de culpa o Comandante, há que se admitir que ele teve muita “presença de espírito” e raciocínio rápido para manobrar e encalhar o navio em um local onde o mesmo não afundasse por completo. Se isso acontecesse, com o tamanho da avaria identificada, e o enorme volume de água entrando, o navio iria afundar muito rapidamente e, neste caso, o número de vítimas fatais poderia ser muito maior.

    Estranha-me o fato do sistema de controle de estanqueidade não tenha funcionado. Os navios de passageiros tem sistemas com portas nos corredores e uma série de divisões que permitem que se mantenham compartimentos estanques mesmo em caso de avarias grossas como foi o caso. O navio que trabalhei em 91/92 (fui 2ON e encarregado de navegação) tinha 15 compartimentos e com 5 compartimentos isolados era o suficiente para manter a flutuabilidade. O sistema de fechamento das portas podia ser acionado no local ou à distância, do Passadiço, por sistema eletro-hidráulico.

    Há uns 10 anos (ou pouco mais, talvez) um experiente comandante da VARIG foi para as manchetes dos jornais por “mergulhar” na Baía da Guanabara após um pouso desastrado no aeroporto Santos Dumont. entrevistado, o Comandante, com mais de 30 anos de voo, assumiu que foi negligente em alguns procedimentos. Ele assumiu que, por excesso de confiança, errou! O mesmo pode ter acontecido com o Schettino. Agora, como o comandante do avião, cabe a ele assumir o erro.

    sds,

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