“O perfil do líder moderno”

3

A palavra líder vem do inglês e significa guia. Líder é aquele que conduz e para isso tem a visão do caminho certo a ser seguido. Descortina na frente os novos cenários e o que precisa ser feito para atender às novas realidades. O bom líder não se surpreende, surpreende, pois é o primeiro a perceber. É o precursor a partir de sua visão de longo alcance.

O líder moderno está atento às novas conjunturas que se impõem quando já estamos às portas do terceiro milênio; procura adequar a elas o seu estilo de liderança, os seus liderados e a empresa, esta, em termos de redefinição do seu negócio ou missão, estratégias e valores básicos.

O negócio ou missão deve ser determinado pelo tipo de necessidade do cliente que a empresa quer e pode atender da melhor forma. Se a necessidade muda ou está em processo de mudança, o negócio ou missão da empresa também precisa mudar para conformar-se às novas realidades, de preferência, antecipando-se. É melhor prevenir a remediar.

A título de exemplo: no passado, a melhor fábrica de carruagens da Inglaterra fechou suas portas porque os clientes não mais usavam carruagem e sim carros. Da mesma forma, no Brasil a fábrica de chapéus Ramenzoni, fechou porque os clientes deixaram de usar chapéu e a empresa não rediscutiu a tempo qual deveria ser o próximo negócio. E caiu…

Decidida a missão, qual é e qual deve ser o novo negócio, impõe-se a definição clara das estratégias – como atingi-lo e conseguir competir vantajosamente – e dos valores. Estes são a bússola. Fundamentais. Mas não podem existir apenas no papel ou no discurso sem a prática, e a prática começa pelo exemplo do líder. São os exemplos que arrastam, como já afirmava Santo Agostinho no séc. III: As palavras comovem, os exemplos arrastam.

Por falar em exemplos que arrastam, chegamos ao segundo ponto básico que é a distinção entre poder e liderança. Não é líder quem se impõe pela força e poder, mas quem usa o poder da liderança, isto é, o poder da persuasão e a capacidade de influenciar, sabendo mostrar, como um guia, o caminho que ele vê e conhece melhor. A melhor persuasão é o exemplo. É incrível, e lamentável, constatar que, já em plena virada de milênio, ainda existem empresários e executivos de alto nível que confundem liderança com uso arbitrário do poder. Autoritários, inacessíveis e distantes, emocionalmente descontrolados, donos da verdade, pois não aceitam qualquer tipo de questionamento. São pessoas no fundo muito inseguras, por isso não conseguem ouvir. São, excessivamente, transparentes para expressar o que sentem, mas não admitem nos outros essa mesma transparência. Pagam um preço muito alto por isso apesar de não o perceberem ou de não quererem percebê-lo.

Pensa o líder autoritário, ou finge que pensa, enganando-se a si próprio, que com seu autoritarismo e reações duras e descontroladas controla as situações e obtém a adesão e o comprometimento dos que lhe são subordinados, pois ele é o chefe – palavra que já devia estar arquivada! Na verdade, tudo o que consegue é a submissão aparente, pois pela força não dão o melhor de si e, quando puderem, o derrubarão ou, no caso dos melhores, se mandarão logo que tiverem chance no mercado. Silenciosos ou politicamente submissos diante dele, na rádio corredor ou rádio peão deixam escapar o que pensam e sentem. Os baixos resultados e a falta de qualidade e de criatividade são as piores conseqüências deste uso do poder dos que não sabem distinguir entre o poder e poder da liderança.

O modelo de autoridade na sociedade e na família mudou e continua mudando e a empresa precisa acompanhar essas mudanças. O líder autoritário, ou melhor, o chefe, tem como modelo incorporado a imagem ultrapassada do pai autoritário. Nada mais questionável do que a clássica afirmativa ainda tão repetida: Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Quem é esperto ou politicamente hábil, é claro, não vai fazer confrontação fatal com o chefe prepotente. Seria suicídio. Mas vai fazer de conta que obedece. E o poderoso chefe pensa que tudo controla e que tem a adesão incondicional de todos.

Uma característica fundamental do bom líder moderno, da qual queremos nos ocupar mais aqui, é que ele trabalha, efetivamente, em equipe. Ele não é mais e nem pode ser uma estrela que brilha solitária no firmamento da empresa: líder e liderados devem brilhar juntos em uma mesma constelação. Ele faz parte da equipe que anima, é próximo, acessível. Não faz, faz fazer. Ao contrário do líder tradicional, não centraliza. Delega, dá autonomia, possibilitando o maior crescimento e comprometimento dos liderados e atuação mais ágil e mais criativa. Mais que tudo isso, baseado no dado científico e inquestionável da sinergia do trabalho em equipe, evita as atuações isoladas e individualistas, conduzindo e estimulando todos a atuar em um time unido que joga em conjunto, em estreita colaboração.

Essa é uma característica essencial do líder e da empresa moderna que quiser ter condições de ser competitiva no mercado dos novos cenários.

A competição interna, mais ainda quando estimulada pelas lideranças conformes ao modelo tradicional, cada vez mais tornará a empresa enfraquecida para competir externamente. A empresa de visão incentivará sempre mais e desenvolverá o trabalho em equipe ou, em um sentido ainda mais profundo, a atuação como um time. A empresa e/ou líder de visão não estimula a divisão!

A prática do feedback é outro ponto importante desde que realizado em clima de total transparência construtiva e receptiva. E o bom líder é o primeiro a dar o exemplo. Estimula os liderados a lhe dar feedback e sabe ouvir. Procura também desenvolver sua habilidade em saber dar feedback, nunca sendo grosseiro, inábil! Também, é claro, não deve ser paternalista. Para usar expressão forte, não deve dar nem Fodeback nem Floresback!

Por tudo o que expusemos até aqui, líder é aquele que tem a visão abrangente de longo prazo e consegue, a partir de uma alta inteligência emocional – habilidade de saber lidar com as próprias emoções e as dos demais -, arrastar os liderados pelo caminho a ser seguido, usando do poder de persuasão e capacidade de influenciar as pessoas, sem precisar apelar para o uso do poder. O autoritário é um inseguro que se mascara atrás do poder. O líder moderno atua em equipe, conhecedor que é da sinergia e criatividade do trabalho em equipe / time e, para isso, procura desenvolver os seus liderados, utilizando e valorizando os treinamentos comportamentais como instrumento valiosíssimo do desenvolvimento pessoal, grupal e organizacional. Além disso, é claro, no dia-a-dia, ele está muito voltado para o desenvolvimento e crescimento de seus liderados.

O verdadeiro líder tem segurança psicológica. Não se sente ameaçado por compartilhar as decisões com os liderados e ser receptivo as suas idéias e iniciativas – o inseguro receia que esses apareçam mais do que ele –, nem teme um clima saudável de transparência em que todos recebem feedback. Pelo contrário, ele é o primeiro a ouvir o que os liderados têm a lhe dizer para dar o exemplo. A sua principal preocupação não é destacar-se, mas que os resultados se destaquem a partir de uma equipe unida, comprometida, criativa, onde todos dão o melhor de si em mútua colaboração. Isso é que é visão e não ilusão!

A verdadeira liderança é como o fermento: aparece, sobretudo, através dos resultados e do crescimento dos liderados. Isto supõe visão e segurança. O bom líder é como a água mole em pedra dura tanto bate até que fura e não como o fogo: Age com veemência e tudo transforma rapidamente em cinza, inclusive ele! A água é penetrante e fertilizante.

Fonte, baseado na obra.
CASTELO, Luciano. O perfil do líder moderno.
Recomendo a Todos, ótimo livro

Por Wilson Bonicenha

3 COMENTÁRIOS

  1. isso tudo é uma mentira pois tenho varias experiencias de que as empresas querem junto com a alta gerencia apenas aumentar os seus lucros a qualquer preço ate de sua falência,
    e vale apena ressaltar que o “PREGO“ que se destaca é o primeiro a levar a martelada . e nas empresas atuais cada vez mais se vê é o uso do bom e velho “QI“ quem indicou? e o profissionalismo fica esquecido , pois basta ter um certificado o que não prova ser um profissional e uma boa indicação . pronto temos um líder.
    vamos parar com essa hipocrisia e vamos abrir os olhos e ver quem realmente é o profissional.
    vamos usar a lei pois para que serve o período de experiencia . líder não se nômea já nasce líder. queiram ou não serem liderados por este. e o pior é que este sem este poder (titulo) dentro da empresa sera o prego que se destaca.

  2. O tema é bastante esclarecedor,nao existe essa teoria do PREGO E DO MARTELO, o que existe é um comprometimento profissional.O lider sempre vai aparecer, no bom sentido.A inveja profissional sempre existirar.NAILTO

  3. não se nomes líder.
    nasce líder.
    mais na pratica nem sempre os lideres estão no comando então se torna um anarquista , louco , solitário . pois tudo o que sabe conhece e aprendeu seja na escola ou na vida com a experiencia dos mais velho fica para ele pois sabe que é o verdadeiro LÍDER só não tem o poder do líder na“ empresa “ pois não tem QI.
    quem indique ao cargo pois líder não puxa saco.
    e oque mais vejo nas “empresas“ é isso puxa saco.

Deixe uma resposta