Petrobras é condenada a pagar em juízo dívida de terceirizada

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Petróleo Brasileiro S.A. é responsável pelo pagamento dos créditos salariais devidos pela Mont Sul Montagens e Instalações Industriais a ex-empregado em caso de descumprimento das obrigações por parte da prestadora de serviços. O fato de existir prova de que a Petrobras não fiscalizou os atos praticados pela empresa contratada levou a Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho a rejeitar o recurso da petrolífera contra a condenação.

No juízo de origem, a Petrobras foi condenada subsidiariamente ao pagamento das verbas trabalhistas devidas ao ex-empregado da Mont Sul. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP) manteve a sentença por entender que a Petrobras, ao contratar empresa prestadora de serviço, com posterior lesão aos direitos dos trabalhadores, causou prejuízos a terceiros e, por isso, deveria responder, de forma subsidiária, pelo ato. O TRT ainda destacou a existência de culpa in eligendo (na escolha) e in vigilando (na fiscalização) na hipótese, uma vez que a Petrobras não zelou pelo cumprimento das obrigações derivadas do contrato de trabalho.

Na Primeira Turma do TST, a Petrobras alegou que não terceirizou atividade fim ou atividade meio do negócio, tendo em vista que a Mont Sul foi contratada para executar obras e serviços. Logo, era aplicável ao caso a Orientação Jurisprudencial nº 191 da SDI-1 do TST, que isenta a empresa que contrata serviços de construção civil por empreitada de responsabilidade solidária ou subsidiária pelas obrigações trabalhistas do empreiteiro.

Contudo, o recurso de revista da Petrobras contra a decisão do Regional não ultrapassou pôde ser conhecido, porque a Turma concluiu que não havia violação constitucional nem contrariedade a súmula do TST para autorizar a análise do mérito do apelo. A Turma observou que, embora o artigo 71 da Lei nº 8.666/93 estabeleça a ausência de responsabilidade da Administração Pública pelo pagamento dos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato, a norma refere-se à hipótese em que o contratado agiu dentro de regras e procedimentos normais.

A Turma lembrou que o artigo 37, parágrafo 6º, da Constituição Federal consagra a responsabilidade objetiva da Administração, que tem a obrigação de indenizar sempre que causar danos a terceiro. Além do mais, a responsabilidade subsidiária da Petrobras era decorrência do seu comportamento omisso e irregular, ao não fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo contratado, ou seja, situação típica de culpa in vigilando, quando falta atenção do tomador do serviço aos procedimentos e atitudes da empresa prestadora em relação aos empregados que trabalham em benefício do tomador de serviços.

O julgamento na SDI-1

Na SDI-1, os embargos da Petrobras também não tiveram o mérito analisado. O relator dos embargos, ministro Renato de Lacerda Paiva, votou pelo não conhecimento, na medida em que a empresa não demonstrara a existência de divergência jurisprudencial, e foi acompanhado pela maioria do colegiado. O relator destacou que, embora não pactue diretamente com o trabalhador, o tomador dos serviços dirige sua atividade, por isso a situação econômico-financeira da prestadora deve ser capaz de suportar o pagamento dos empregados – o que não ocorreu no caso.

O ministro esclareceu também que o Supremo Tribunal Federal decidiu, na Ação Direta de Constitucionalidade nº 16, 24/11/ 2010, que é constitucional o artigo 71, parágrafo 1º, da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações), que veda a transferência de encargos trabalhistas da empresa contratada à Administração Pública nas situações de inadimplemento das obrigações pelo vencedor da licitação. Depois desse julgamento, a Justiça do Trabalho não pode atribuir ao ente público contratante, de forma automática e genérica, a responsabilidade subsidiária pelo pagamento das obrigações trabalhistas descumpridas pelo contratado, em terceirizações lícitas.

Por consequência, afirmou o relator, o TST alterou o item IV da Súmula nº 331 e acrescentou o item V para deixar claro que, havendo conduta culposa da Administração Pública no cumprimento das obrigações contratuais, ela pode ser responsabilizada subsidiariamente, a partir da verificação de cada caso e com base nas provas processuais.

Como a Primeira Turma do TST partiu das provas e fatos registrados pelo Tribunal Regional, entre eles o de que a Petrobras teve comportamento omisso ou irregular ao não fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo contratado, a SDI-1 concluiu que estava caracterizada a culpa da empresa e, portanto, a obrigação de pagar pelos créditos salariais devidos ao trabalhador caso a prestadora de serviço não o faça.

Durante a sessão, o ministro João Batista Brito Pereira defendeu o conhecimento dos embargos por contrariedade ao item V da Súmula nº 331 do TST (acrescentado em maio de 2011), que seria um desdobramento do item IV, mencionado pela empresa no recurso. Com a divergência votaram os ministros Horácio de Senna Pires e Milton de Moura França.

Com as informações – TST

Por Rodrigo Cintra

5 COMMENTS

  1. Quem sabem agora a administração da Petrobras comece a olhar nos terceirizados com mais carinho, pois com a politica de contratar empresas sempre pelo menor valor da licitação, sem avaliar se o valor informado é o real ( suficiente para manter a saude do contrato ) para a realizada do tipo de serviço orçado.
    Pois no fim, todos nos sabemos quem para a conta né, ou melhor quem deixa de receber seus direitos para que a empresa não deixe de lucrar!!

  2. Me Parece que com a Exposição da Mídia esses Casos tem tomado Novos Rumos…

    Essa Semana Recebi a negativa da Sul América Seguros ( AIG ) que diz que não vai pagar meu Seguro mesmo depois do Acidente que Destruiu minha Coluna em PETROBRÁS26 e me deixou incapaz de Trabalhar aos 32 anos ( Laudo INSS ).
    Alegação : Dizem que Eu já era Doente quando me Tornei Mergulhador da Petrobrás ( EMBRAOS/CONTINENTAL ), Acreditam que devo ter conseguido esconder que era aleijado por 5 anos e por mais de 40 Unidades Offshore, Milhares de Embarques e Manobras, srrsrsrsr.
    Dica : se Sofrer um Acidente em Ambiente Petrobrás Gerado por Funcionário Petrobrás e Ocasionado pela incompetência da Gestão da Petrobrás, não faça como Eu que quando percebi que ia morrer pedi a Deus para me Salvar…Hoje me Arrependo e já gostaria de Estar com Ele desde o Acidente, afinal depois você vira Lixo Social, gerando gastos e infelicidade sem Fim para todos que o cercam, você vira uma Massa Humana jogada em cima de uma Cama que pra nada mais Serve a não ser gerar gastos e dar Trabalho. Malditos Operadores da P26 que não Tiveram a Competência de Me Matar e sim a Incompetência de Me aleijar e Esconder sua Atitude como Covardes que são.
    DEUS : Pai me faz um Favor??? Me leva logo daqui, não quero viver nesse mundo de Ganância e Injustiça!!!

  3. Oi Mauricio. Estou querendo saber como posso requerer o seguro de vida maritimo de meu pai que morreu em função de um cancer contraido por excesso de exposição a radiação solar no rebocador que era da empresa Satro em Macaé. Nunca consegui o endereço desta empresa. Mas sei que existe este seguro.voce pode me ajudar?

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