O patinho feio dos marítimos

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O transporte marítimo nos últimos anos virou o patinho feio dos marítimos. Ninguém quer embarcar na cabotagem, nem no longo curso, nem mesmo em rebocadores. Todos querem embarcar em unidades offshore. Bem, respeito essa unanimidade, mas é bom lembrar que muitas vezes, quando todos têm a mesma opinião sobre algo, geralmente tem algo errado, como eu, neste texto, quero dizer que tem em relação à rejeição aos navios. 

Entre as causas, como todos sabem, estão o regime, mais folgado e os salários, razoavelmente maiores.

Bem, não vou entrar no mérito de uma pessoa olhar um salário de R$ 11 mil reais e dizer que é “muito baixo”. Eu vivo no Brasil e acredito que a maioria aqui também viva.

Navios andam, plataformas ficam paradas. Nos navios, já se pode embarcar no 1 por 1, 28 dias, dos quais, geralmente, a cada três você está em terra, matando as saudades de tomar um bom chope, descansar um pouco e, dependendo do porto, dá até para fazer uma visita em casa. Na plataforma, bem, são 14 dias, às vezes um pouco mais.

Não sei o que é melhor, nem pior, mas defendo a diferença entre as carreiras. Não há nada como passar a vida viajando o mundo, como um nobre comandante que conheci num navio da Transpetro, quando eu era da EFOMM. Ele conhecia nada menos que 138 países e falava quatro línguas.

Detalhe: Fazia isso tudo, ganhando um salário que só é baixo em relação a quem trabalha em plataformas, porque em se tratando do país inteiro (falei que não ia entrar nesse mérito, mas…), ser oficial de navio ainda se enquadra nos salários top.

Um outro aspecto relevante é como o transporte marítimo é depreciado. Nas plataformas, o carro chefe é o petróleo. Por outro lado, na cabotagem e no longo curso temos nada menos do que a economia do Brasil inteira. Logística intermodal e portuária são assuntos cada vez mais em voga. E dinheiro é o que não vai faltar…Cargos de gerência em terra também não. Aliás, muitos amigos meus, mais modernos do que meus veteranos, que estão começando a ir para terra agora, já estão trabalhando em escritórios de empresas de navegação.

Bem, se eu fosse mercante, hoje, com a experiência que eu tenho, com as conversas que tive com tantas pessoas do meio, eu embarcaria em navios. Ora cabotagem, ora longo curso. Prefiro muito mais passar dias viajando do que parado. E a possibilidade de conhecer outros países? E a necessidade de “empurrar água” para um bom currículo? Eu acho que quem embarca em navios VIVE mais à bordo, em vez de ficar plantado num único lugar, perfurando, sondando, armazenando…

Essa é apenas a minha opinião e respeito muitíssimo quem prefere o offshore. No entanto, venho jogar luz em cima daquelas tantas pessoas, que se dizem mercantes, mas na verdade estão apenas cegas pelo dinheiro, trocando por grana, uma carreira onde poderiam ser realmente felizes.

Aos praticantes, sugiro que conversem bastante com gente experiente. Gente que conhece as plataformas, barcos de apoio, navios gaseiros, conteineiros, navios tanque, navios de cruzeiros…Tudo! Procurem tomar decisões acertadas em relação aos embarques que realizarão, e vamos desfazer este estigma de olhar só para o salário e benefícios, lembrando que por trás disso existe uma carreira, uma vida, um ideal, um objetivo.

Se você pensou nisso com carinho e optou pelo offshore, fico grato! Não quero puxar a brasa para lado nenhum, apenas acho pertinente que se tenha cuidado ao avaliar o verdadeiro panteão da história da Marinha Mercante, que não são as unidades offshore, mas os navios.

Um abraço, pessoal!

Por Marcus Lotfi

24 COMMENTS

  1. Marcus,
    Gostei muito de seu artigo. Estou comandando ha 25 anos no Offshore, mas sinto saudades, do tempo do longo curso, das viagens, em suma, também prefiro viajar.

    • Boa tarde Marcos! Gostei muito da sua opinião, o problema é que você está só se referndo aos oficiais, eu lhe pergunto? E os subalternos onde ficam? Você não sabe a dificuldade que é conseguir um embarque. Entra a historia da experiência, se você tem pergunta se fala inglês, se fala dizem que vão ligar para marcar uma entrevista, Marcos é difícil, conseguir me formar em novembro de 2011, larguei um emprego em uma terceirizada da Petrobras na esperança de embarcarem qualquer coisa que flutue e até o momento nada consegui. Será que terei que fazer um cafezinho para embarcar? Estou muito decepcionado com esta situação, já enviei centenas de currículos pela web e nada. Espero que meus colegas de turma tenham mais sorte do que eu. Desculpe o desabafo e bom embarque!

    • Excelente pensamento, Marcus, e estava na situação de escolha e escolhi viajar. Acredito que se eu ficasse trabalhando por 14 dias dentro de um local que no máximo dá umas e naõ sai do lugar, ficaria muito entendiado e ansioso, valeu!

  2. Excelente artigo.
    Eu optei por viajar na cabotagem. Comecei no longo curso e as coisas aconteceram naturalmente quando as dezenas de empresas de navegação, de longo curso, faliram uma após outra.Na verdade, a cabotagem me escolheu.
    Formei em 83 e praticamente desconhecíamos a cabotagem. A única cabotagem, de nível de longo curso, era nos navios da FRONAPE.
    Lembro também que, tudo depende de oportunidade e do perfil de cada um. Tem mais de 20 anos que o longo curso acabou e sobrou o que vemos hoje. Sobrou? Maneira de falar pois o que ficou hoje é infinitamente melhor do que tínhamos na década de 80.
    Moldei-me ao regime da cabotagem nos navios da Fronape/Transpetro. Lembro que conheci um comandante (Comandante Luz/EFOMM 74,, cearense) que recusava ser promovido a CLC só para continuar na cabotagem e outros que davam a vida para uma promoção a CLC para ir comandar no longo curso nos navios da Fronape/Transpetro.
    Em fim, as condições e opções de hoje sãoo muito melhores mesmo não existindo mais a navegação de longo curso.

    • Caro Breno,

      Faz pouco tempo que comecei a pesquisar sobre a marinha mercante e o seu comentário me deixou um pouco confuso. Poderia, por favor, explicar por que não existe mais a navegação de longo curso? Confesso que minha vontade de entrar para a vida mercante é calcada no desejo de viajar o mundo.

      • Na verdade ela existe mas não nos pertence mais. Mas temos, mesmo assim, um mercado de trabalho muito bom na cabotagem( TRANSPETRO) e Off Shore.Pelo menos, para os oficiais, não falta emprego bem remunerado.
        Se não me engano, o Brasil tinha mais de 300 navios atuando no longo curso nas décadas de 70 e 80. Hoje, não tenho certeza, mas acredito que não passam de 20 ( se é que ainda existem).
        Atuando no longo curso:
        Netumar tinha mais de 20 navios
        Docenave mais de 20
        lloyd mais de 60
        Fronape mais de 20
        CBTG tinha 12 navios
        Grupo libra mais de 15
        Aliança mais de 20
        Transroll 04 navios
        Citei acima só as que eu trabalhei. Exceto a FRONAPE/Transpetro. Todas quebraram.
        Tinham muitas outras mais mais como Frota Oceânica, Frota Amazõnica etc..
        Em fim, foi uma política em que perdemos o longo curso e não recuperamos mais. Eram todos os navios tripulados por brasileiros e com guarnição completas.
        Nessa época ninguém queria andar na cabotagem. A cabotagem era só para remos. Perdemos os navios da cabotagem também. Dezenas de empresas da cabotagem também quebraram.
        SE NÃO FOSSE O OFF SHORE E A TRANSPETRO ESTARÍAMOS A VER NAVIOS.
        SE UM DIA RECUPERARMOS A CABOTAGEM E O LONGO CURSO SEREMOS UM PAÍS DE PRIMEIRO MUNDO.
        Abraço
        Breno Bidart

  3. Puxa, comandantes…Muito obrigado!
    .
    No mais, o site Cabotagem Brasil (www.cabotagembrasil.com), do qual eu também sou editor, fala só sobre isso. Acompanhem-no também!

  4. Nossa adoraria trabalhar na cabotagem atualmente estou trabalhando em dragagem. Mais acho a cabotagem iria irriquecer muito mais o meu aprendizado já que hoje sou moço de convés

  5. Eu sou um saudosista,fiz meu primeiro embarque na “NETUMAR” e como era bom aquelas viagens de longo curso,so que naquela epoca,nos asssociavamos uma vida agradavel tanto na cabotagem quanto no longo curso a um salario digno so que hoje as empresas estao nos oferecendo algo que eu considero injusto ou seja,voce trabalha por uma escala e seu salario que ja e menor do que em offshore,tem um valor embarcado e outro em casa.A poucos dias,recebi uma oferta de embarque em uma empresa que opera na cabotagem e eu realmente gostaria muito de voltar para navios mas as empresas deste setor precisam saber que quando nos contratam,nao estao nos fazendo favor,estamos assinando um contrato de interesses mutuos.
    Sds.

  6. Interessante como às opiniões e exemplos são voltados sempre embasados na vida dos oficiais, atè parece que a marinha mercante èxiste sò por causa deles.
    è lògico que os salàrios de oficiais sâo quase sempre a mesma coisa, exite diferenca minima entre uma eompanhia e outra, mas, e o pessoal (CANELA) do convès e da màquina que vive a mercê de politicas de comando covardes ? talvez, trabalhar com os grincgos, para os “CANELAS” seja bem melhor, eles, ao menos, respeitam nosso trabalho e nos remuneram bem para efetuà-lo.
    Nunguèm nos dias de hoje quer embarcar em navios de cabotagem ou longo curso, não è apenas pelo salàrio baixo, mas, pelas politicas de bordo que são impostas por uma meia dùzia de profissionais mal formados que não entendem absolutamente nada sobre LIDERANCA, muito menos sobre respeito, reconhecimento profissional e humano.
    O que està faltando na maarinha não è dinheiro, E SIM PESSOAS QUE RESPEITEM E GOSTEM DE PESSOAS.

    RSF
    MNC

    • Concordo com o amigo.
      Estou na pedra há meses, e no momento concordaria em embarcar até em uma “papa-lavagem”, contanto que me desse um salário e contasse tempo de embarque.

  7. Amigo Reginaldo esta coberto de razão tanbem trabalho em uma companhia de cabotagem brasileira, só com tripulantes brasileiros, e infelizmente encontro muito autoritarismo, e diferenças, se todos são funcionarios da empresa o tratamento deveria ser igual a todos por que por exemplo o comandante pode levar sua esposa no navio no ano novo e o resto da tripulação e proibido de levar seu familiares. Por que vejo Comandantes, Imediatos abusarem do seu poder, isso me indigna e juro que se for comigo não vou aturar sou homem, pai de familia como qualquer um deles, Adoro viajar e conhecer cidades mas estou quase indo para um rebocador ficar no mar direto, porem com salario melhor e com tratamento digno ja trabalhei com extrageiros sempre fui respeitado e nunca vi abuso de poder como estou vendo agora com comandantes brasileiros, um bom exemplo e que a empresa oferece farta comida mas tem um comandante que gosta de racionar e ja deiixou a tripulação 18 dias tomando agua e prato principal salsicha ai esse cara desembarcar outro comandante assume não gosta do que ve na geladeira em 3 dias comida farta com tudo que tem direito eu ja passei por isso e não consigo entender…Sou maritimo sim , não sou rico mas nem em casa o prato primcipal e salsicha por 3 dias seguidos..

    • Souza, voce bateu na mosca. Meu formei no exterior em 1975 em Genova, Italia e por conhecimento ainda conseguí ainda fazer umas viagens na bandeira Brasileira. Não cheguei a CLC não. Não obstante, após ter viajado em “liners” ingleses e alemães não mais tive vontade de viajar em navios nacionais. Havia muito militarismo a bordo (e de fato havia pessoal da marinha de guerra a bordo e em terra) em todos os setores, Lloydbrás, Netumar, etc. era comandantinho para todo lado. Não havia atmosfera para uma convivencia hamoniosa que mais parecia um quartel. Nos navios do Lloyd (onde fui gerente de tráfego) havia agua gelada e nada mais na geladeira, era uma vergonha. Os navios fediam a “Casas da Banha”. Aquellas cozinheiras horríveis com aquelas comidas insalubres. Realmente acho que Brasileiro pode sim trabalhar no offshore porque está perto de casa, etc. No longo curso a vida a bordo de navios brasileiros não era aquela coisa fantástica como todos pensam. Já nas linhas inglesas, italianas, alemãs era fantastico. Em tempo, no offshore ou cabotagem, acho que (exceto plataformas), a comida continua horrível, já comí porcaria em navio da Alianca recentemente (macarrão cozido demais com feijão). Sou a favor da concorrencia no ensino do setor naval (empresas privadas) deveriam também poder escolher e formar o pessoal marítimo (como em países do primeiro mundo). Este negócio monopolista de CIAGA/CIABA EFOMM, etc. não é salutar. Paulo Vasconcellos

  8. Concordo plenamente que meus textos quase sempre tomam como base os oficiais e peço desculpas por isso. Sei perfeitamente que são duas Marinhas diferentes: A dos oficiais e a dos “praças”. Realmente, tenho centenas de contatos que são oficiais e eu gostaria muito de explorar essa outra Marinha. Aqueles que quiserem, sintam-se à vontade para conversar comigo sobre pautas que acharem interessantes.

    Segue meu e-mail: marcuslotfi@gmail.com

    Um forte abraço!

    Bem, reforçando que, além de escrever no Portal Marítimo, edito um Portal que fala sobre Cabotagem, Transporte Marítimo, Portos e Logística.

    O Cabotagem Brasil espera sua visita: http://www.cabotagembrasil.com

    Um abraço!

  9. ESTOU QUERENDO COMESAR UM CURSO DE CABOTAGEM , MAS TENHO QUE TER OUTROS CURSOS , ANTES DESTE OU POSSO ENTRAR LOGO NA CABOTAGEM , DES QUE TINHA 15 ANOS SEMPRE QUIS SER MARINHEIRO DA MARINHA MERCANTE , MAS POR MOTIVO FAMILIAR NÃO PUDI ESTUDAR NA ESCOLA NAVAL , HOJE AOS 52 ANOS QUERO ME FORMAR EM UM PROFICIONAL , NA AREA MERCANTE QUERO FALAR , TRABALHAR EM NAVIOS , AINDA POSSO OU NÃO , QUANDO COMESA O CURSO , MUITO OBRIGADO , FIQUEM COM DEUS .

  10. Excelente matéria sobre o “Patinho Feio”, lembrando que aborda apenas os oficiais, parcela bem pequena da Marinha Mercante brasileira, sou Marinheiro de Convés, portanto faço parte do subgrupo da MM. Mas independente de sermos praças ou oficiais, todos nós somos “vendedores” de mão de obra, trabalhamos afim de sermos remunerados e seria hipicrisia da minha parte falar que vou para uma empresa que paga pouco porque quero abraçar a minha carreira. É muito romântica a maneira como o autor da matéria aborda os valores dos marítimos, mas isso não traz nenhuma vantagem para nós que somos pais de família. Estou no Offshore desde que comecei minha carreira marítima, oriundo da marinha de guerra, e nunca pensei em embarcar na Barcas S/A, Transpreto, etc, simplesmente pela baixa remuneração. Trabalho em uma multinacional da área da perfuração, sou o “Marinheiro” ou “AB” de bordo durante minha quinzena, aqui tenho meu espaço e o respeito de todos da plataforma, não existe o preconceito que meus amigos lidam rotineiramente nos navios de cabotagem ou longo curso. O salário é outro diferencial, bem acima das companhias de navegação. Gosto de navegar, de empurrar água desde os tempos de marinha, mas não vou abrir mão do meu conforto e dos benefícios que encontrei no Offshore. Mas esta é minha opinião, respeito as demais.

  11. Marcus, excelente artigo!!! Muito bom, com sempre!
    Realmente o longo curso tem ficado de lado, principalmente devido as escalar!
    Você comentou que há empresas de longo curso que já operam no regime de 1×1. Você sabe quais empresas estão com esse regime?
    Estou querendo mudar para o longo curso, mas numa escala de 1×1, mas ate agora não encontrei uma como esta escala!
    Agradeço a ajuda!

  12. Sou MNC, não consigo embarcar em nada já levei varios CV em varias empresas e nada estou disposto embarcar em qualquer lugar, e dizem que a cabotagem é o patinho feio.

  13. Meus caros amigos. Sou Ubiracir, moro em Angra, e fui tripulante do N/M Olivia da Netumar na decada de oitenta.
    Naquela epoca ja não se respeitava os direitos da tripulação, tomando como exemplo, uma certa estivagem que o convés teria que fazer no porto de Porto de espanha/ Port of Spain ( Trinidad e Tobago).
    Me lembro que chegamos do canada com containeres atingindo altura de 4, mas ao atracarmos o sindicato da estiva local proibiu seus estivadores operarem o Navio.

    Daí, O Cnte Sr thales Fleuri de Godoy e um certo imediato chamado Sr Jurandir, que era conhecido como o ” Urubu baleado, segundo informações de tripulantes mais atigos, teria conseguido este apelido após levar alguns tiros de um taifeiro do também saudoso Lhoyd, convocaram o convés a efetuar a estivagem carregando e descarregando os containeres.
    Só que nos ofereceram apenas dois dolares US$2.oo por tonelada , quando havia um aviso no quadro, confirmando que em caso de estivagem, deveria ser pago R$8.00 por tonelada.
    E assim, imediatamente houve a recusa, e ao invés de zarparmos na manhã seguinte, ficamos la por uns 6 dias, e a maquina também recusou, e desta forma co o não tinha outra saida, o nosso querido e talvez ja falecido Cnte dissse que a compania havia sedido e que nos pagariam o justo.
    Realizamos toda tarefa, retornamos ao Brasi chegando a santos, dai quando atracamos no Rio, todos fomos demitidos e não recebemos o combinado e esperado.
    Mas o castigo veio a cavalo, pois uns dois anos depois ali por 1988, o Olivia foi preso em Philadelfia abarrotado de clandestinos ou “passarinhos”, como eram chamados esses compatriotas que ousavam entrar nos EUAs desta forma, e a nossa falecida Netumar teve que arcar com toda despesa gerada pela prisão de toda tripulação, sendo presenteada com uma multa de uns R$ 200.000,000 ( duzentos mil dolares ).

    E eu entrei de gaiato no motim do Navio,, era novo de casa, era meu primeiro embarque, então dancei junto com os outros, e jamais voltei a embarcar, mas por isso não morri de fome, pois 2 meses mais tarde fui readimitido na receita federal e de la pra cá exerci varias profissões, sendo a ultima como intérprete na Halliburton (USA), e to prestes a me aposentar e com o teto maximo.

    Assim sendo, aconselho voces jovens tripulantes dos dias de hoje a não se iludirem que vão conhecer o Mundo a bordo de Navios, pois primeiro que existem cidades que não são portuárias, é obvio.
    Segundo que oos avanços tecnológicos fazem com que a cada dia os navios fiquem pouquissimo tempo em portos.

    Diferente daquela epoca que ainda dava tempo de se ir em terra, e se ganhava um “levanta caido extra” ( dinheirinho), levando algumas centenas ou até milhares de garrafas da boa cachaça , conhaque eoutras bebidasbrasileiras para vender para os gringos, lembrando que eles adoravam.
    Portanto jovens tripulantes, estudem, adquiram outras profissões, e sejam um ” Hand in ” como eu fui, pois o charme e brilhantismo da nossa MM já se naufragaram.

    “Que Netuno, Yemanjá e o Almirante Tamandaré que os tragam de volta os portos dos sete mares, que por muito tempo conheceram a bandeira Brasileira”.

  14. Gostei ! será que pode dar umas dicas estou tentando trabalhar na função de plataformista já tenho os cursos .grato Leme

  15. Iniciei minha vida de marítimo em 1974, tinha 19 anos. Pratiquei no Lloyd Brasileiro e de lá sai em 1997, com o fechamento da empresa. Até o começo dos anos 90 a marinha mercante era longo curso. O Lloyd era a única empresa brasileira que apostava os seus navios no mundo todo. Em todo Porto comercial do mundo havia um navio do Lloyd. As outras empresas exploravam linhas específicas. Esse comandante que lhe disse conhecer 138 países, embarcado na Fronape, atual Transpetro, exagerou. 138 cidades é possivel, 138 países, nem o Lloyd fazia tanto. “Papo de vapozeiro”. O Lloyd foi extinto, incentivado pelo SINDARMA, que achou que com a extinção do Lloyd eles ficariam com as linhas comerciais e com as cargas, mas não contavam com as grandes empresas internacionais que tomaram de assalto o comércio marítimo brasileiro, inclusive a cabotagem, pois grande parte das empresas “brasileiras” pertencem ao capital estrangeiro. Com o fim do Lloyd fui trabalhar na cabotagem, como tripulante e como inspetor de navio. Em 2011 comecei a trabalhar no Offshore. Não há dúvida que trabalhar no offshore é bem mais cômodo, mais tranquilo, não há aventura, não há “causo” é mais burocrático. Infelizmente quem controla o Offshore é a Petrobras (uma empresa de segurança que eventualmente extrai petróleo) que transformou a nossa vida em pilhas e pilhas de papel. Temos o controle do controle do controle na vã tentativa de evitar acidentes. Se você se adapta com facilidade à burocracia, não quer ter muito que esquentar a cabeça, então venha para o Offshore, se você quer aventura e história para contar, vá para o longo curso( acabou no Brasil mas na Europa continua vivo, vá lá e viva essa aventura) se quiser só meia aventura, então vá para a cabotagem.
    Meu nome é Paulo Nascimento e sou OSM.

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