Gás natural: continuaremos a depender da Bolívia?

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Se depender dos números expostos na página 47 do Plano de Negócios (PN) 2011-2015 da Petrobras, a resposta é sim.

O PN dividiu a oferta e a demanda do Gás Natural (GN) em dois períodos, 2015 e 2020. Analisemos os números. Para 2015, está prevista uma oferta total de 149 milhões de metros cúbicos por dia (mm³/d), sendo 78 mm³/d de GN nacional; 41 mm³/d de Gás Natural Liqueito (GNL, importado) e 30 mm³/d da Bolívia. Nesse mesmo ano, a demanda total é de 151 mm³/d, sendo que 59 mm³/d para as térmicas (Petrobras e terceiros); 53 mm³/d para as distribuidoras de GN; e 39 mm³/d para a Petrobras (refino e fertilizantes). Observando os números, vemos que há um pequeno déficit de 2 mm³/d, o que pode ser facilmente solucionado, como maior produção nacional (mais provável) ou com importação.

Para 2020, temos uma previsão de oferta total de 173 mm³/d, sendo 102 mm³/d de GN nacional; 41 mm³/d de GNL e 30 mm³/d da Bolívia. A demanda total prevista é de 200 mm³/d, sendo 76 mm³/d para as térmicas; 63 mm³/d para as distribuidoras; e 61 mm³/d para refino e fertilizantes. Ou seja, em 2020 teremos um déficit entre oferta e demanda da ordem de 27 mm³/d.

Esse déficit, mesmo com aumento da produção nacional de 30,77% (78 mm³/d e 102 mm³/d em 2015 e 2020, respectivamente), deve-se ao fato de que haverá um aumento substancial na demanda entre 2015 e 2020 da ordem de 32,45% (151 mm³/d e 200 mm³/d). Pergunta-se: de onde virá esse volume faltante?

O grave nesse panorama é que não vemos a curto nem a médio prazos uma produção nacional que nos deixe livre das amarras e chantagens dos bolivarianos de plantão liderados pelo “cumpanhero (sic!) Evo”, que humilharam há alguns anos o nosso país e confiscaram os ativos do povo brasileiro, sob o olhar leniente dos governantes de então, quando o caminho correto seria os tribunais internacionais. 

De positivo, vemos que a produção nacional de GN, entre altos e baixos, ao contrário da produção de petróleo e derivados, vem tendo uma boa performance. Entre 2000 e 2011, a produção saltou de 36,414 mm³/d para 65,955 mm³/d, aumento de 81,12%; média anual de 6,76%. No primeiro mês de 2012, observamos um recorde na produção diária de 71,093 mm³/d, o que representa um aumento de 7,30% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, para que nos livrássemos da dependência da Bolívia teríamos que crescer 11,0% de forma contínua até 2020, e aí teríamos uma produção nacional de 164 mm³/d que, acrescidos aos 41 mm³/d de GNL, alcançaria 205 mm³/d.

Importante ressaltar o grande esforço realizado pela ANP e pela Petrobras no sentido de diminuir os enormes desperdícios relacionados à reinjeção e queima observadas nestes últimos 10 anos. Em 2002, tivemos uma média diária de 9,269 mm³/d de reinjeção, o que representou 21,81% do total produzido, e 5,844 mm³/d referentes à queima, 13,75% do total. Ou seja, naquele ano, do total produzido, 35,56% não foram utilizados.

Em janeiro de 2012, temos um panorama mais ajustado. A reinjeção foi de 11,256 mm³/d, 15,83% do total produzido, e 4,493 mm³/d referentes à queima, 6,32% do total, resultando entre reinjeção e perda 22,15%. Pelos números apresentados, observamos que estes números podem melhorar ainda mais. Afinal, entre 2002 e 2012, a queima foi reduzida em mais da metade do total produzido (13,75% contra 6,32%).  

No tocante ao GNL, mais caro que o gás convencional em função de suas particularidades, o mesmo continuará sendo importado até que os grandes campos do pré-sal (se confirmados os seus volumes e viabilidade econômica) comecem a produzir. No entanto, como já alertei em textos anteriores, devido à grande distância entre os campos do pré-sal e o continente e outros fatores técnicos, está descartada a utilização de gasodutos para o seu transporte.

Assim, teremos que fazer a transformação do GN em GNL utilizando o sistema offshore e onboard em plataformas do tipo Floating Liquefied Natural Gás – FLNG (plataforma flutuante para liquefação de gás natural), do tipo que será utilizada pela Shell ® no campo de Prelude, na Austrália, conforme descrevi no texto Solução para o gás do pré-sal, publicado no Jornal do Brasil, em 2 de janeiro do ano em curso. Em menor escala, poderemos, também, utilizar o GN do pré-sal na geração de energia offshore, que seria transportada através de cabos submarinos.

Um fato é cristalino: temos que trabalhar para não depender dos humores bolivarianos da Bolívia. Tenho absoluta certeza de que, com afinco, conseguiremos nossos objetivos.

Texto de Humberto Viana Guimarães

Humberto Viana Guimarães, Engenheiro Civil e Consultor, é formado pela Fundação Mineira de Educação e Cultura, com especialização em materiais explosivos, estruturas de concreto, geração de energia e saneamento

Com as informações – Jornal do Brasil

Por Rodrigo Cintra

3 COMMENTS

  1. é esta é nossa politica para energia no Brasil dos estrangeiros se já não basta se eles vem trabalhar aqui ocupando nossas vagas , e ainda o governo prefere queimar o gás natural lá na bacia (jazida) pois assim temos a desculpa para ter que pagar o preço que o governo da bolivia pedir . agora cade o governo do Rio de janeiro para fazer paralisações em garantia do emprego para o contribuinte Brasileiro .vamos fazer a campanha o emprego é nosso.
    assim como o petróleo. e mais o governo e a Petrobras que se dizem ecologicamente corretos estão queimando gás e gerando monóxido de carbono .
    viva vamos queimar o gás e comprar o da bolivia .
    a acho que este gás da bolivia deve ser muito especial.

  2. Engraçado, no ES há um campo que produz gás e gasolina, o gás escoado via gasoduto e a gasolina é misturada ao óleo crú, isso ocorre há alguns anos… Foi construído a toque de caixa um terminal próximo ao campo produtor, em Barra do Riacho, município de Aracruz, no ES, terminal este que já necessita de reparos na estrutura do cais, mas que ainda não ficou pronta a planta de armazenamento… Detalhe: O Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente à epoca, já inaugurou este terminal há dois anos… Creio que se houvesse interesse em operar logo este terminal, poderia se escoar a produção de gás daqui, já que as reservas são grandes e a produção é pequena devido ao problema de escoamento da produção.

  3. Post rancoroso e preconceituoso com os Bolivianos, durante anos, principalmente no Governo FHC a Bolivia foi explorada pelo Brasil.

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