Menos, menos…

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O país anda destemperado no trato de assuntos técnicos e contratuais e, assim, demonstra imaturidade para o mundo, que hoje nos foca com grande atenção. Temos tantas oportunidades no momento, mas precisamos de pragmatismo e união para o trabalho. Causa estranheza a pauta política e a mídia. E, infelizmente, o Governo. Falta pragmatismo.

A chamada Lei da Copa não poderia mexer no famoso Caderno de Encargos, base da candidatura do Brasil para sediar a Copa de 2014, nem nas exigências para a Olimpíada. O Brasil lutou, pediu, e o então presidente Lula jogou o seu prestígio internacional para os eventos. E, diga-se, a bem da verdade, contou com os esforços de nomes reconhecidos no meio desportivo, como João Havelange e Carlos Arthur Nuzman, e políticos, como o Governador Sérgio Cabral.

Todo mundo sabia do patrocínio de uma cervejaria à Fifa, portanto, caberia apenas uma regulamentação da venda, que poderia ser limitada ao intervalo e ao final das partidas, e não durante as mesmas, por exemplo. O assunto foi tratado com emoção e desgastou o governo para obter uma aprovação da lei. Não tinha esta importância para parar praticamente o país, como se não estivéssemos vivendo uma crise de âmbito mundial.

Depois, a questão do vazamento da Chevron, que foi um acidente. A empresa teve e terá grandes prejuízos, e não caberiam medidas constrangedoras para seus dirigentes, como o recolhimento de passaportes. Assim, vamos perdendo credibilidade internacional. Afinal, o capital só vai aonde é bem-vindo, sem maiores riscos. A exploração do pré-sal já é complicada, pois requer investimentos que a Petrobras não tem condições de arcar sozinha. A Chevron é uma das cinco maiores do mundo. Esta “patriotada” não vai nos atender em nada, a não ser criar problemas desnecessários. A empresa deve responder, é claro, mas sem emocionalismos bobos.

Também é desnecessário falar da infeliz, inoportuna e inconstitucional Comissão da Verdade, que desune o país, pois os excessos, quando ocorreram, foram de ambos os lados. Os militares apenas cumpriram com os seus deveres, apoiados pelas polícias estaduais. A anistia foi a reclamada: ampla, geral e irrestrita. E deve ser respeitada.

O Brasil já perdeu confiabilidade para a disputa de um lugar no Conselho de Segurança da ONU com as relações amistosas demais com o Irã e a demora em se posicionar na questão da Síria – apoiada apenas pela Rússia, China e Coreia do Norte. Além dos  problemas conhecidos com os vizinhos mais exóticos. Admiramos mais a desmoralizada e degradada Venezuela do que o exemplar Chile, que lidera o continente na credibilidade e na qualidade de suas instituições.

A Presidente Dilma já mostrou que prefere administrar a ficar na futricaria. Foi visitar uma ferrovia importante em Goiás e não levou políticos por ser uma viagem técnica. Aliás, esta deve ser a pauta nacional: liberar projetos de energia, de transportes, de portos, aeroportos e não este elitismo ideológico, comportamento típico de país subdesenvolvido mentalmente.

Texto de Aristóteles Drummond, Jornalista do Jornal do Brasil

2 COMMENTS

  1. Meu amigo, sugiro que se atenha as questões que envolvam o setor naval. Quando este blog adentra em política mostra-se uma tendência exacerbada á direita. Os comentários acima são tendenciosos e simplórios ao extremo. Nunca se soube, em pais algum, que tortura fosse obrigação de militares. Se pensando em cumprir suas “obrigações” extrapolaram o limite e mataram, torturaram e descumpriram determinações contitucionais devem responder pois aparentemente estavam cumprindo a lei e preservando o bem comum. Mas matar e torturar certamente não possuiam autorização constitucional para isto, então caso “obedeceram” uma ordem que não tinha base legal, erraram e devem pagar por este erro. Além disto, proteger uma companhia que estava indo além da autorização que tinha para perfurar poços, tentando atingir o pré sal e achar que isto é afastar o capital estrangeiro é brincadeira. Devemos continuar sendo submissos e aceitar que os estrangeiros façam o que quiserem em nossas águas costeiras senão o capital não chega. Brincadeira amigo. O “Capital” chega onde tem oportunidade e no Brasil tem muita. Agora temos que mostrar que não somos uma republica de bananas e sim um país onde os contratos devem ser assumidos e as penalidades cobradas. Parece que o reporter acha que poluir o meio ambiente marinho é uma situação normal, principalmente nas águas brasileiras. Brincadeira.

    • Prezado Julio. Seu comentário reflete justamente que você não conhece nosso trabalho, ou então acompanha-o há pouco tempo.
      Divulgamos o texto por citar toda fanfarrice em relação à Chevron.
      Tem tanto texto aqui malhando a Chevron, basta você procurar.
      Não há tendência para esquerda ou direita. Há exposição de diferentes pontos de vista.
      Divulgamos diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto, a fim de que a discussão seja fomentada no meio.
      Isso chama-se ISENÇÃO. Outros chmam de IMPARCIALIDADE. Em se tratando de Jornalismo, Imparcialidade é quase uma Utopia, mas a gente tenta, do jeito que dá.
      Note que a matéria não é de autoria nossa, apenas clipamos o texto de um um outro veículo.
      O dia em que este Blog tomar partido de algo neste sentido, todo o trabalho que vem sendo desenvolvido de maneira séria vai perder a credibilidade.

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