Peritos receiam explosão em plataforma no Mar do Norte

0
271

A plataforma Elgin, com uma fuga de gás há quatro dias e uma chama que continua activa, poderá explodir no Mar do Norte, ao largo da Escócia, receiam peritos. A petrolífera Total admite que existem riscos. Em redor da estrutura foram criadas zonas de exclusão.

Afuga, que ainda não está controlada, foi detectada domingo na plataforma Elgin-Franklin, da Total, a 240 quilómetros da cidade portuária de Aberdeen, segundo um comunicado da empresa.

Mas só ontem à noite a petrolífera deu a informação de que a chama da plataforma continuava activa, como resposta a uma pergunta do jornalista do canal de televisão Channel 4, noticia o jornal The Guardian. “Temos dado a informação que consideramos relevante à medida que a situação se desenrola. O facto de a chama continuar activa não era pertinente nem era a nossa preocupação imediata”, disse David Hainsworth, responsável pelo departamento de segurança, saúde e Ambiente da Total.

De acordo com os técnicos da petrolífera, a chama está 90 metros acima do ponto da fuga de gás. Mas, com os ventos fortes na região, receiam que o gás possa subir e entrar em contacto com a chama.

“A chama está activa, como é normal numa plataforma”, disse à agência AFP Brian O’ Neill, porta-voz da companhia petrolífera francesa, sem dar detalhes. No entanto, Hainsworth reconheceu ontem que existe um risco de explosão. “O gás é inflamável e a alimentação eléctrica foi cortada na plataforma para minimizar os riscos. Mas é evidente que existe um risco, é pequeno mas não deixa de existir.”

“A chama está no topo da plataforma e a fuga de gás bem mais abaixo. Há uma separação física entre as duas”, disse Martin Preston, especialista em poluição maítima na Universidade de Liverpool, à BBC. “Mas, obviamente, se houver uma rajada de vento mais forte, o gás pode subir e entrar em contacto com a chama. Não é seguro para ninguém aproximar-se da plataforma. E neste caso, terá de ser encontrado um plano B [para colmatar a fuga de gás]. Mas este envolve a perfuração de um poço de apoio, o que demorará muito tempo”, acrescentou. A Total estima que isso poderá demorar seis meses.

À BBC, David Hainsworth disse que ninguém pode prever quando a chama se vai apagar. “Provavelmente até se pode extinguir por si só mas não se pode dizer se dentro de uma hora, um dia, dois dias ou mesmo mais tempo.”

O responsável acrescentou que não houve tempo para apagar a chama quando a plataforma Elgin foi evacuada, porque a prioridade era a segurança dos funcionários. Agora, não é possível fazê-lo remotamente. Ontem foram retirados das instalações 219 funcionários, com a ajuda da Guarda Costeira de Aberdeen, com recurso a sete helicópteros. Perto da plataforma Elgin, a quatro milhas náuticas, a companhia petrolífera Shell retirou 85 trabalhadores da plataforma Shearwater e da estrutura de perfuração Noble Hans Deul, como medida de precaução.

Um responsável do sindicato de funcionários marítimos, que representa os operários da plataforma, Jake Molloy, comentou hoje à BBC que não se consegue compreender por que razão a chama continua activa. Na sua opinião, poderá estar eminente uma “devastação catastrófica”.

A Total, que ainda não descobriu as causas da fuga de gás, já considera este o seu pior acidente no Mar do Norte da última década. Em redor da plataforma foram accionadas zonas de exclusão para navios e aviões.

Com as informações – Público (Portugal)

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta