O pré-sal não é o futuro do Brasil – Entenda o porquê

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Qual a relação entre a riqueza gerada pelos recursos naturais de um país e o conhecimento e a capacitação dos seus alunos de nível médio?

Um interessantíssimo estudo realizado por pesquisadores da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), recentemente publicado (ver aqui), mostra a correlação entre o desempenho no exame Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) – que a cada ano avalia o nível de proficiência em matemática, ciência e leitura de alunos de 15 anos de idade de 65 países – e a renda total proveniente de recursos naturais como percentagem do produto interno bruto em cada um dos países participantes.

O resultado é ESTARRECEDOR: segundo Andreas Schleicher, supervisor dos exames do Pisa para a OCDE, os resultados indicaram que há “uma relação significativamente inversa entre o dinheiro que os países obtêm com os seus recursos naturais e o conhecimento e a capacitação dos seus alunos de segundo grau”. 

Em resumo, os países que tem uma renda expressiva (em percentual do PIB) proveniente de recursos naturais (como petróleo ou minerais), tem um BAIXO rendimento no PISA. Segundo Schleicher, paises como Cingapura, Finlândia, Coreia do Sul, Hong Kong e Japão se destacaram por terem apresentado notas elevadas no Pisa e serem países com poucos recursos naturais, enquanto Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Argélia, Bahrein, Irã, Síria, Brasil, Argentina e México chamaram atenção por apresentarem as maiores rendas derivadas do petróleo e as notas mais baixas no Pisa!

Claro que podemos fazer diferente. Explorar o petróleo e melhorar nosso ensino. Seríamos um ponto fora da curva. A prática e o estudo da OCDE demonstra claramente que países com muitos recursos naturais não valorizam a educação e a inovação como forma de gerar riqueza. A exceção são o Canadá, a Austrália e a Noruega, que também são países de grandes riquezas naturais, mas que tiveram boa classificação no Pisa. Segundo Schleicher um dos principais motivos para isto é o fato de estes três países implementarem políticas no sentido de poupar e investir a arrecadação proveniente dessas reservas em educação e inovação, em vez de simplesmente consumirem tais recursos. NÃO É O QUE ESTAMOS FAZENDO!

O estudo deixa claro que o bom desempenho de um país no século 21 não será principalmente baseado na exploração de suas reservas de petróleo nem nas suas minas de ferro, e sim na qualidade dos seus estudantes e professores e na capacidade de fazer o conhecimento gerado se transformar em riqueza através de inovação. “O nível de aprendizado atual na escola se constitui em um poderoso instrumento para a previsão da riqueza e dos indicadores sociais dos países no longo prazo”, explica Schleicher.

Conhecendo a realidade de nossas escolas, se for verdade o que diz Schleicher nosso futuro está comprometido! Mas eu sou otimista! Acho que ainda dá tempo de mudar isto! Mas só teremos o sentido de urgência para promover as mudanças necessárias se RECONHECERMOS QUE ESTAMOS NO CAMINHO ERRADO! QUE PRECISAMOS CORRIGIR NOSSO RUMO,tirando o foco da exploração das commodities (soja, petroleo e ferro) e colocando todas nossas energias (e os recursos obtidos com a exploração destes recursos) na construção de um ensino público, universal e de QUALIDADE! E fazendo da INOVAÇÃO uma obsessão de nossa política econômica!!!

A hora é essa. O futuro já começou!!!!!!!

Texto de Marcos Cavalcanti / Inteligência Empresarial

1 COMMENT

      • Vá para o norte da Europa e conheça Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia.
        Tenha a mais absoluta certeza que você vai vivenciar algo com índices de corrupção baixíssimos (praticamente nulos, pois sempre há quem se corrompa, independente do país ser rico ou pobre) e com punições altíssimas para quem se meter nisso.
        Não é que não haja corrupção, mas é que a consciência popular é diferente e as punições são exemplares.
        Tente subornar um policial lá.
        Tente comprar algo falsificado.
        Veja o que acontece com político corrupto, que desvia verba de Saúde e Educação…
        Os países têm problemas, mas pergunte a um cidadão de lá o que ele acha do país dele.
        Agora… pergunte a um brasileiro o que ele acha do Brasil e fique atento á resposta da maioria.
        O Povo aqui reclama, mas não se envolve em nada, não se compromete para mudar o país.
        Nosso Povo paga por sua característica de querer dar um jeitinho em tudo.
        Os políticos são o nosso reflexo, pois quando você vota em alguém, ou até mesmo quando você se omite, é porque, de alguma forma, você se identifica com esse alguém, pela razão que for.

        • Você falou sobre país sem corrupção e não baixíssimo nível de corrupção. conheço os países que mencionou e a especificamente a noruega vive das grandes reservas de petróleo que possui. No seu novo comentário, você simplesmente concorda que depende do povo e não de reis, deuses, rainhas e governantes.

      • Luiz Alberto Silva • Enquanto o povo não tomar as rédeas de seu destino, vamos ficar aqui invejando o país dos outros, sentadinhos no sofá. Adorando deuses, reis e rainhas. Esperando milagres que não acontecem e cumprindo tudo o que seu mestre mandar.
        O bem estar social não depende só de críticas raivosas. mas também de ações contundentes no enfrentamento das questões que nos afligem.

  1. Pais rico é país com imprensa verdadeiramente livre, o que não é o caso do Brasil. São muitas as mazelas, mas os jornalistas são tolhidos ha quase dez anos. Todos só falam maravilhas do governo. Tudo de errado que existe é computado ao Congresso Nacional (que tem culpa por ser omisso) e os “mal feitos” do executivo são computados até hoje aos governos do século passado. Basta ver que todos os canais mostram as mesmas notícias, com o mesmo texto e na mesma sequência, tornando óbvia a intervenção nos eios de comunicação. Alguém já viu algum canal falar que estamos entre os últimos em educação? Que estamos abaixo de todos os países da América do Sul e abaixo até de pobres paises africanos? Alguma emissora já denunciou que gastamos bilhões em pseudo-cursos de “qualificação profissional” que não preparam ninguém para o trabalho profissional efetivo.

    • A raposa toma conta do galinheiro. Um país, qualquer que seja, depende muito mais do seu povo e do amor à pátria, do que de governos.Enquanto não nos dermos conta de que depende de nós, vamos ficar remoendo sobre os governos, sentadinhos confortavelmente em nossos sofás.

  2. O problema não são as commodities e sim o comodismo que elas geram.
    Países sem commodities, por necessidade transformam sua própria população em geradora de riquezas estimulando a pesquisa, criação, empreendedorismo. Consequência disso, esses países não só apresentam melhores níveis de educação como também menos desigualdade social. No entanto, o pré-sal gerará sim muita riqueza que poderia ser reinjetada em educação e pesquisa, mas visto que fazer isso não se trate de uma necessidade economica é fundamental a existência da pressão popular para que isso aconteça.

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