Argentina estatiza empresa petrolífera e cria crise com a Espanha

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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, enviou nesta segunda-feira um projeto de lei ao Congresso para tomar o controle da maior produtora de petróleo do país, a YPF, que é a subsidiária argentina do grupo espanhol Repsol.

A expropriação foi anunciada por Cristina na televisão, em rede nacional.

A petroleira espanhola Repsol declarou que a decisão da Argentina de expropiar o controle da sua filial YPF é ilícita e que estuda opções legais de contestar a medida.

Para a expropriação ser concretizada, a lei, enviada para análise em regime de urgência, precisará ser aprovada por dois terços (2/3) dos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado, a mesma exigência de votos para reformar a constituição argentina. O Governo de Cristina tem maioria no Congresso.

Com a aprovação, a YPF passaria a ser controlada pelo Governo Federal e as províncias do país também seriam acionistas.

Foi também anunciada uma intervenção do governo na empresa, que começa antes mesmo de a lei ser votada. Foram nomeados interventores o ministro do Planejamento, Julio De Vido, e o Vice-Ministro da Economia, Axel Kicillof, que virou uma espécie de guru econômico de Cristina Kirchner.

A agência de classificação de risco Fitch reduziu nesta segunda-feira rating (nota) da dívida em moeda local da YPF de “B+” para “B”, horas depois de o governo argentino anunciar a expropriação. A agência também reduziu a nota em escala local de AA+ para AA.

Os títulos da dívida soberana da Argentina aceleraram a queda após o anúncio, enquanto a bolsa caía pressionada pelas ações da YPF, que recuaram cerca de 2,43 % antes de serem suspensas pelo regulador do mercado.

— A soma de todos os males de uma estatização se consumou e isso muda redondamente a tendência de ação — disse o analista Marcelo Paccione, analista da corretora ConsultCapital.

Daniel Volberg, Economista do Morgan Stanley, disse em nota a clientes que “o conflito do petróleo é apenas um aspecto” do que ele chamou de possível “radicalização da política” do governo argentino, que nacionalizou empresas como a Aerolíneas Argentinas, fundos de pensão privados e a maior distribuidora local de águas.

Com as informações – O Globo

Por Rodrigo Cintra

1 COMMENT

  1. Assistimos infelizmente retrocesso de uma política conturbada, não se pode fazer as política sem pensar 360 graus, há de analisar por vários ângulos. A Argentina procura meios para ficar isolada do resto do mundo e começar uma ditadura populista.

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