Peruanos e venezuelanos vêm com tudo para o Brasil

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Nosso ex colunista Caê Mahan enviou-nos este texto sobre a entrada de peruanos e venezuelanos em nosso mercado marítimo.

Peruanos bem organizados e com uma meta bem definida, estão obtendo vistos de permanência por trabalho antes mesmo de obter o emprego, ganhando a CIR brasileira e começando a tripular navios e unidades marítimas em nossa costa. E é pela grande rede que eles trocam informações e incentivam uns aos outros a aprenderem português e virem tentar, e conseqüentemente, conseguir, a vida no nosso país.

Não cabe a mim apontar dedos e concluir o óbvio. As imagens abaixo falam por si:

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“Semana muito produtiva no Brasil! ” “Gente, vamos estudar português!” Diretamente do mural do grupo de Marinha Mercante do Peru.

[https://fbcdn-sphotos-a.akamaihd.net/hphotos-ak-snc6/150159_10151741113750204_673720203_24518670_1726265591_n.jpg]

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Aqui são peruanos interesados em fazer o curso de português “para vir com força”, como diz um dos comentários.

[https://fbcdn-sphotos-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/s720x720/576306_10151741257570204_673720203_24519153_2006378055_n.jpg]

Aqui, a Transpetro oferece vagas para a Cabotagem brasileira.

E não acaba aí, o óbvio começa a acontecer bem debaixo de nossos olhos, com algumas empresas já em contato direto com tais marítimos, para articular a contratação dos peruanos em detrimento dos brasileiros. Sabemos como funciona a lei da oferta e da procura, e sabemos o que isso representa em médio prazo para todos nós, marítimos brasileiros.

Em uma das principais imagens, vemos o contato direto dos armadores (e/ou seus representantes), com os marítimos peruanos.

Um marítimo brasileiro, em conversa direta e presencial, sobre o assunto, com o sr. Severino de Almeida, Presidente do SINDMAR, me enviou o seguinte relato:

“Hoje, aproveitando que estava no sindicato, falei com o Severino sobre os peruanos. A conversa ia bem até ele ficar sabendo que eu não era sindicalizado. Foi então quando ele referiu-se aos professores da EFOMM com uma série de adjetivos inadequados e disse que estes nos fizeram pensar que somos indispensáveis, quando o único que podemos ser é importantes para a indústria, e só. Ainda afirmou que não temos idéia do mercado marítimo porque pegamos uma boa fase. Resumindo o que ele falou depois foi, que no Brasil, hoje, há cerca de 200 oficiais peruanos, que estão vindo muitos mais, e que eles podem obter a CIR brasileira e ninguém poderá fazer nada contra isso. Disse além que o que eu disse à ele era um boato, e que não era prova suficiente para o sindicato fazer algo, que levantaria só poeira! O engracado é que ele já sabia sobre as reuniões que a Escola do Peru estava tendo com alguns armadores no Brasil. Severino continuou dizendo que os peruanos sao apenas uma parte do problema pois ainda tem os venezuelanos que estão por vir no ano que vem, e a diferença do Peru é que na Venezuela tem offshore.
 A minha opinião é que as empresas vão encher de venezuelanos e peruanos, na mesma escala que os brasileiros, pra depois quando tiver muitos deles a bordo, aumentar as escalas, baixar o salários e o brasilero que quiser continuar nessa empresa, ter que aceitar.”

Fecharei os olhos para a passividade já conhecida do nosso sindicato, pois aqui falo diretamente com meus iguais, os marítimos brasileiros, coisa que eles, há muito, já deixaram de ser.

A nossa classe sempre foi vista como sendo desunida e desorganizada e aí estão as conseqüências.

Não estamos aqui incentivando o xenofobismo, e sim querendo que as coisas sejam feitas da maneira certa. Brasileiros com CIR brasileira, peruanos com a peruana, venezuelanos com a venezuelana e por aí adiante, salvo em casos de exceção, como sempre foi.

Por Caê Mahan

1 COMMENT

  1. Prezados companheiros,
    O que esta acontecendo é só a ponta do ice berg vem muito mais coisas por aí. No entanto, nós podemos sim fazer mudança se quizermos, temos força pra realizar um protesto em prol dos nossos direitos, pois, não é justo que agora neste momento em que o nosso mercado esta aquecido e muitos profissionais estão em busca de oportunidades que os estrangeiros venham tomar o pão de nossas mãos, afinal, esperamos muito tempo por este dia.

    Fico contristado com isso, mas espero que agora, enquanto ainda há tempo de esboçar reação possamos gritar nossas dores, isso não é justo.Portanto, não deixemos isto passar despercebido, precisamos agir rapidamente.

  2. Vergonha ver a formação brasileira ser rascunhada de tal forma,
    ver a ilusão que é dada a muitos na escola no período de formação
    e a falta de inflência devida do sindicato perante tais acontecimentos.

  3. Prezados,nao sao so peruanos e venezuelanos,na empresa que trabalho,ha colombianos e chilenos que fazem uma escala de 2×1.Um dia estava entrando na base(da empresa)e haviam sete ‘gringos’ saindo com epi completo para embarque imediato.E isso ai o Brasil esta sendo um pais de otimas oportunidades para os nossos vizinhos ja que ninguem faz nada contra isso e os sindicatos nao se mobilizam para coibir esses abusos das empresas.
    Sds.

  4. isso e uma sacanagem pois muitos estao correndo atraz de cursos como e o meu caso sou capitao fluvial tenho os 4 especiais so falta o cfq3m por conta da burocracia imposiçoes das autoridades nao concigo faser ocurso de que preciso para canbar para o maritimo enquanto esses barrigas verdes conseguem de graça vai ai omeu desabafo

  5. Não só peruanos e venezuelanos. Hondurenhos, panamenhos, equatorianos, chilenos, espanhóis e filipinos, no caso dos sul americanos, só vinham oficiais para embarcações com bandeiras de conveniência, hoje vêem até MOC’s gringos. Os sindicatos, salvo algumas exceções, só pensam em pegar o dinheiro das contribuições para gastos pessoais. Só jogam com o patrão, dane-se o marítimo! Do jeito que a coisa está, muito em breve nós teremos que implorar por postos de trabalho. Os gringos vem, trabalham 90X30, sem receber na folga, com salários mais baixos, sem contribuir com a previdência, sem recolher qualquer imposto e expatriando tudo o que recebem no Brasil. Fica o alerta: Srª DILMA ROUSSEF, SE A SENHORA NÃO INTERFERIR IMEDIATAMENTE, FAZENDO VALER A RN 72, A PREVIDÊNCIA SOCIAL VAI QUEBRAR, A FAZENDA VAI QUEBRAR, OS MARÍTIMOS BRASILEIROS VÃO ACABAR E O BRASIL VAI AFUNDAR!!! ESTAMOS CAMINHANDO PARA A PIRATARIA!!!!

  6. Deixa eu ver se entendi: Há necessidade do colega que esteve com Severino, identificar-se. Não há nada de mais. E se realmente Severino adjetivou inadequadamente os professores do Ciaga, seria o caso de perguntar: Por que membros do Sindmar não vêm aqui ministrar aulas e nos iluminar com suas profundas experiências mercantes? Quanto aos nossos formandos serem indispensáveis, eu sei que não são, pois ninguém é! Jamais diríamos tal disparate. Porém, comparando com qualaquer oficial estrangeiro, na minha área, posso garantir que não devemos nada a ninguém! Se não formamos melhores oficiais, é por falta de alguns recursos, os quais poucas empresas interessadas se propôem a fornecê-los, talvez achando que a Mãe Pátria deve tudo fornecer. A aventura marítima, não é privilégio de ninguém, é um compartilhamento de ações em benefício de todos. Temos algumas salas de aula e equipamentos bancados por poucas entidades. Deveria ser muito mais. Agora, investir em ensino de alta qualidade, apesar de todas as dificuldades, estarmos acima dos padrões STCW, deveria ser motivo de louvor e se parte da Armação “nacional” acha que vai estar mais bem servida empregando estrangeiros de todo e qualquer tipo, visando apenas o lucro imediato, isso é filme velho classe “B”, já passado em outros países, que se arrependeram amargamente desta decisão. Verifiquem como os Estados Unidos protegem sua cabotagem, e depois venham conversar. O Barato sempre sai caro, já dizia minha avó. Gostaria imensamente de um posicionamento oficial por parte do Sindmar a respeito desta invasão, de peruanos, venezuelanos, filipinos, ucranianos, americanos, moicanos e afins, bem como uma palavra a respeito do meu dileto amigo Cintra. e de quem mais quizer se manifestar. Só não venham denegrir o nosso trabalho, que é feito com amor, dedicação, altruísmo e diletantismo, pois que eu saiba, muitos de nossos colegas não querem vir para cá lecionar. Tenho dito. Sds. Mercantes.

    • Eu acredito que o ensino no CIAGA poderia ser melhor sim, principalmente revendo o conteúdo e colocando-o de acordo com a realidade de bordo pois é inadimissível os oficiais chegarem do jeito que chegam hoje nas empresas. Há excessões, mas o padrão hoje é de um oficial formado de um jeito e dentro de um conteúdo programático que não atende às necessidades de mercado e às demandas tecnológicas atuais. Essa visão de “sou oficial, não me sujo e o canela faz tudo pra mim” tem que acabar pois o padrão mundial não é esse. O padrão mundial pede um oficial que conheça as fainas da guarnição, que domine estas fainas, e para isso, há que se fazer uma reformulação no curso e voltá-lo para quatro anos, quiçá mais, mas ainda esbarramos em velhos paradigmas tanto da Marinha Mercante como da Marinha do Brasil que, infelizmente, nos impedem de fazer isso. O CIAGA forma PROFISSIONAIS, não MILITARES, e isso é ma coisa que, apesar de haver uma clara tentativa de se mudar, não muda. Agora, o porquê disso, eu não sei. Realmente não sei.
      O papo de “vamos formar de qualquer jeito, vamos formar em quantidade, para que o gringo não entre”, já não cola. Os estrangeiros são uma realidade em nosso Mercado e se os mesmos são parte do problema ou parte da solução, depende do seu ponto de vista.
      Quanto ao referido sindicato, acho realmente engraçado como não se envolve em determinadas questões e como vê seus representados, detrminando se você contribui eu te defendo, se você não contribui, eu não defendo, e olha que, no fim das coisas, todos os marítimos ainda empregados em atividades embarcadas, quer sejam sindicalizados ou não, pagam a contribuição anual, e agora, a assistencial. Mais engraçado é que se as empresas não descontam esta contribuição assistencial, as mesmas são penalizadas, ou seja: o sindicato força uma barra, cria algo no Congresso (obrigado Paulo Paim), e não coloca a cara… coloca na conta das empresas. Nunca vi um pronunciamento oficial deste sindicato a respeito da Contribuição Assistencial. Se o Caê quiser entrar em contato com o colega e ele se identificar, é com ele mesmo, o espaço está aqui aberto, mas provavelmente o cara não vai se identificar e vai ficar o dito pelo não dito.
      Adjetivar professores do CIAGA de forma desrespeitosa, acho que é ponto de vista de cada um.
      Eu mesmo tenho severas críticas a alguns docentes que aí estão e que DEFINITIVAMENTE não estão envolvidos no bem formar dos alunos mas, ADJETIVÁ-LOS DESRESPEITOSAMENTE, eu nunca faria. Sempre dirijo a crítica à função, nunca à pessoa, ao pai de família, pois posso ser julgado da mesmíssima forma.
      Não vou apontar o nome de A ou B, mas, Professor Sidney, olhe a sua volta e veja…
      O senhor realmente acha que o CIAGA tem o melhor Corpo Docente que poderia ter? O senhor acha que este conteúdo programático realmente contempla o que o Mercado pede? Antigamente contemplava, mas a tecnologia avançou a passos mais largos do que o CIAGA pôde acompanhar e a minha geração já foi penalizada por isso. A quantidade de cursos extras relativos a coisas como automação, hidráulica, penumática, eletrônica, eletricidade e mecânica diesel que eu e diversos colegas tivemos que fazer para que pudéssemos estar dentro de algo aceitável a nível internacional está fora do gibi, a ponto de eu passar praticamente 2 anos sem ter repouso. E não foi empresa pagando tudo não. Alguns as empresas pagaram, mas a maioria saiu do meu bolso. Nada contra investirmos em nós mesmos, mas eram cursos que, na minha opinião, deveriam estar dentro do conteúdo programático do CIAGA de maneira mais efetiva, mais real. Ser oficial embarcando oficina pra tudo é mole, gerando um custo absurdo pras empresas.
      Como pode um Oficial hoje querer encarar a Manutenção sem conhecer uma oficina, um chão de fábrica… abrindo e fechando aquele motor lá da fragata de mil novecentos e antigamente ou aquele caterpillar velho do laboratório do CIAGA? Definitivamente não, professor.
      As razões são inúmeras, desde extrema falta de critério na seleção de professores e instrutores, passando pela má remuneração e falta de investimento na contínua qualificação dos docentes até o famoso “vim aqui ganhar o meu e meter o pé” por parte de alguns.
      A situação é mais complicada do que parece. Muito mais.

  7. Concordo com vc. Mas como disse eu faço a minha parte. Que venham para cá quem quizer ajudar. Já perdemos um simulador de estabilidade de plataformas para o SENAI, que deveria estar no CIAGA. Todos os interessados na formação têm que cobrar, como vc. está fazendo. A armação paga e desconta o FDEPM. Pois que cobrem e também invistam, para não terem que assitir e depois se queixarem deste velho filme “B” como citei. Relembro, vejam a proteção do USA à sua cabotagem. Duvido apesar de todas as deficiências que vc. apontou, que a nossa formação seja inferior aos países latinos e asiáticos que navegam por aqui. Pode melhorar, mas depende da cobrança de todos. Sds. Mercantes.

  8. PS. Foi difícil, mas consegui fazer vc. se pronunciar. Parabéns pela coragem e firmeza de seus comentários. Já nem olho em volta pra não chorar. Agora vamos ver se o Sr. Severino se pronuncia sem ser pelo site oficial.

  9. Caro Cintra, a matéria é de 05/5, pois veja que o colega tinha razão. O Editorial da revista do Sindmar, “escrito” pelo Severino confirma na íntegra o que o colega argumentou. Minha resposta permanece a mesma. Não mudo uma vírgula do que falei. Duvido muito que Severino queira debater comigo e outros professôres mercantes os problemas da nossa querida Escola, que mal ou bem, colocou-os na vida profissional, e se hoje muitos são o que são, foi aqui que começaram a entender das lides mercantes. Aí está na minha humilde opinião, o que deve ser feito, um debate amplo sem prazo, entre a Autoridade Marítima (DPC), despida de autoritarismo, Armação Nacional, Sindicatos de classe, e representantes do Corpo Docente das Escolas de Formação, que em última análise são os responsáveis pelo que está no mercado. Mercado este que não têm coragem de denunciar, mas que postam anúncios vários em diversos países, pedindo profissionais. Por que não investigar as causas de tanta evasão? O que leva os recém- formados a se evadirem tão cedo? Este e muitos mais assuntos, até a respeito de currículos devem ser debatidos neste “seminário” (?). Agora, mais uma vez façam chegar este humilde post, ao Sindmar, já que não conseguimos nos comunicar, a mim falta tempo. Não sei o que falta aos críticos. Sds. Mercantes..

  10. Boa Tarde

    Talvez possam me ajudar, estou com uma dúvida a respeito do Seamans Book of Bahamas.
    Um Brasileiro que possui este documento por ter trabalhado embarcado em navios de cruzeiros, caso pretenda migrar para area de cabotagem ou até trabalhar em rebocadores por exemplo.
    Minha dúvidade está nesse ponto, é necessário tirar a CIR Brasileira ou esta, é substituida pela ” CIR ” de Bahamas?
    Possuo o certificado de STCW válido. Até cheguei a prestar a prova
    para o CFAQ, mas com o aproveitamento de 82,25%, não acredito em uma classificação entre os titulares Avulsos.
    Bom, essa é minha dúvida e se alguem puder me ajudar.
    Desde já grato.

    Caio Cesar

  11. É INADIMISSÍVEL A ENTRADA MASSIFICADE DE ESSE ENORME BATALHÃO DE MISERÁVEIS IMIGRANTES DE PAISES, QUE NÃO NOS ESTÃO TRAZENDO NENHUMA RIQUEZA E SIM MAIS MISÉRIA, COMO SE NÃO BASTASSE OS NOSSOS MISERÁVEIS BRASILEIROS. AGORA QUE NOSSOS BRASILEIROS TERIAM ALGUM LUGAR AO SOL ESPERADO SACRIFICADAMENTE DURANTE ANOS ESTÁ NOS SENDO ARRANCADO ESSE DIREITO, POIS AS AUTORIDADES ESTÃO CADA VEZ MAIS FAZENDO VISTAS GROSSAS ,NÃO ESTÃO, NÃO SEI PORQUE NEM UM POUCO PREUCUPADOS , OS IMIGRANTES ESTÃO ESPALHADOS PELAS RUAS DE TODOS OS BAIRROS DE COMÉRCIO DO RIO, FAMÍLIAS INTEIRAS VENDENDO E PEDINDO ESMOLAS ,A QUALQUER HORA ESTARÃO TRAFICANDO, SE PROSTITUINDO E ROUBANDO E NÃO DEMORARÁ MUITO TEMPO SEM CONTAR QUE IRÃO SE COLOCAR NO MERCADO DE TRABALHO A TROCO DE MISÉRIA , SERÃO NOVOS ESCRAVOS INVADINDO AS RUAS DESSE PAÍS QUE SUPOSTAMENTE SE DIZ ESTAR EM CRESCIMENTO ,TALVEZ ESSE SUPOSTO CRESCIMENTO SE DIZ VIR POR PARTE DA MISÉRIA.QUE SE INSTALARÁ NO PAIS E NÃO VAI DEMORAR MUITO.

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