Indústria Naval está preparada para crescer, segundo a ABENAV

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Começa a operar hoje (9) de julho o navio de produtos Sérgio Buarque de Holanda, construído pelo Estaleiro Mauá, do Rio de Janeiro. O petroleiro é a segunda embarcação entregue pelo Estaleiro Mauá e a terceira construída dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), responsável pela revitalização da indústria naval brasileira.

Com 183 metros de comprimento, 43,8 metros de altura e capacidade para 48,3 mil toneladas de porte bruto, o navio fará o transporte de produtos derivados claros de petróleo (gasolina e diesel) entre os estados do país. Ainda não foi decidida qual será a primeira viagem do Sérgio Buarque de Holanda.

Para o Presidente da Associação Brasileira da Indústria Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, a indústria naval do país vive um momento “mágico”: “existe mercado, o governo está incentivando, temos apoio da Petrobras e participação do sistema financeiro. A indústria está estruturalmente preparada”, disse ele.

O Promef encomendou 49 embarcações junto a estaleiros nacionais, com investimento de R$ 10,8 bilhões. Dois navios do programa já estão em operação: o suezmax (petroleiro com dimensão que permite sua passagem pelo Canal de Suez) João Cândido, construído pelo Estaleiro Atlântico Sul (PE), e o navio de produtos Celso Furtado, do Mauá. Outras duas embarcações, batizadas de Rômulo Almeida e José Alencar, já foram lançadas pelo Mauá e estão em fase final de acabamento.

Segundo informações da Transpetro, as encomendas do Promef trouxeram investimentos para a modernização do parque naval existente no país e para a implantação de três novos estaleiros: o Atlântico Sul (em operação) e o STX-Promar (em construção), em Pernambuco, e o Estaleiro Rio Tietê (em construção), em São Paulo. A construção do Rio Tietê aconteceu graças às encomendas do Promef Hidrovia, responsável pela operação de comboios para o transporte de etanol pela Hidrovia Tietê-Paraná.

Encomendas

De acordo com Mendonça, o plano de negócios da Petrobras para o período de 2012 a 2016, apresentado em maio, em que a estatal anunciou investimentos de US$ 236,5 bilhões, 60% deles destinados à área de exploração e produção, se traduz numa demanda anunciada de novos equipamentos e produtos no valor de US$ 180 bilhões até 2020.

“Trabalhamos com uma expectativa de reserva na faixa de cem bilhões de barris de petróleo. As primeiras avaliações do pré-sal são de 40 bilhões de barris, então a gente chega a cem bilhões tranquilamente. A Petrobras tem uma expectativa de produção de quatro milhões de barris ao dia em 2020. Para isso, vai ter que ter equipamentos”, explica ele.

Mais plataformas, barcos e petroleiros

Somente para atender às necessidades da Petrobras, diz Mendonça, até 2020 a indústria naval deverá construir mais 105 plataformas de produção e sondas de perfuração, 542 barcos de apoio e 139 petroleiros. Mendonça explica que 19 plataformas já estão em fase de construção e 35 sondas de perfuração estão em processo de contratação.

“Temos o desafio de cumprir o conteúdo local com competitividade. Todos os desafios colocados para a indústria naval têm sido cumpridos tanto em relação ao conteúdo local como a prazos. Queremos ter uma indústria que seja referência mundial”, disse Augusto Mendonça.

Segundo Mendonça, a indústria naval brasileira atinge índices de conteúdo local de 65% a 70%. Para ele, a política de conteúdo local não deve ser vista como uma reserva de mercado e sim como uma grande oportunidade para o Brasil desenvolver sua indústria com competitividade.

“Isso é uma coisa importante e grande. Agora, temos que trabalhar a competitividade para fazer nossa referência de preço ser internacional. Nossa missão é atrair cada vez mais fornecedores, com tecnologia mais avançada, para ter um índice de competitividade bom”, disse ele.

Mendonça diz que o setor vive o pleno emprego, com 60 mil pessoas empregadas em estaleiros e expectativa de atingir cem mil em 2016.

“A mão de obra é de boa qualidade, o difícil é achar gente para contratar, tem pouca oferta”, reclama Mendonça, que diz que cada emprego criado num estaleiro gera mais de sete na economia.

Com as informações – Midia News

Por Rodrigo Cintra

4 COMMENTS

  1. se fala muito bem de investimentos que utiliza o dinheiro do povo (contribuinte) e de vagas em setores . mais nada de qualificações para este mesmo povo (contribuinte) e aumento de vagas nos cursos de todo o pais (brasil) . ou será que estas vagas será destinada a gringos?????

  2. Excelente notícia.
    Gostaria de receber informações de como proceder para conseguir uma vaga de emprego neste ramo de atividade que há muito tempo venho querendo ingressar.
    Obrigado.

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