“Grandes Empresas ou grandes salários?”

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Coloco entre aspas, pois o nem o título é autoral. Tomo a liberdade de extrair a idéia de um tópico criado na comunidade EFOMM 2006-2008 turma que eu felizmente, faço parte. Aproveito também para elevar a discussão pra outra esfera, pois não são somente os oficiais recém-formados que se questionam sobre o assunto. Todos nós, quando estamos em busca do primeiro emprego, e o mercado se mostra favorável, ficamos nessa “sinuca de bico”.

Por mais que seja um tanto quanto óbvio, preciso comentar logo de cara: não há uma regra geral para isto. Isto varia com o que estamos buscando no momento, nossos objetivos a curto, médio e longo prazo. Mesmo sabendo que historicamente, pra nós, jovens, enxergar em longo prazo sempre é um pouquinho complicado!

Um grande amigo meu, Oficial de náutica definiu da seguinte forma:

1. Atuação em low level – O tipo de profissional que pula de um lugar pra outro em busca do melhor dinheiro inicial. O profissional busca a melhor grana pra sua posição, depois sai um outro concurso e/ou vaga e ele faz, pra ganhar mais. E fica nessa busca por grana, sem antigar em carreira nenhuma. Ele sempre fica como iniciante, mas ganha o que ele quer e precisa no momento;

2. Atuação em solid step – O tipo de profissional que enxerga a carreira em degraus e aceita se ‘estoporar’ um pouco no início em troca de solidez e consistência profissional, para médio e longo prazo poder usar esta experiência em prol de salários melhores. O cara sobe degraus. De início, pode-se ganhar menos que os low levels, mas tem experiência acumulada.

Isso é somente a opinião de um profissional, opinião que achei muito interessante. Temos opções para todos os gostos, por assim dizer:

Algumas empresas do setor oferecem cursos e mais cursos, em detrimento de um salário a little bit abaixo da média;

Já outras empresas oferecem salários tentadores, mas na avaliação final você fica sem um plano dentário, sem uma previdência privada, e pra fazer um cursinho de DP só conseguindo uma recomendation letter do papa, rubricada pela Madre Tereza de Calcutá!

Temos muitas tripulações assim trabalhando em nossas águas

E agora, falo o que pra mim é mais importante: tripulação. Quem faz o navio é a tripulação. Empresas maravilhosas têm navios péssimos, onde ninguém quer nem pisar, e empresas menores, muitas vezes consideradas pirangueiras, tem navios que tripulações se mantêm por anos e anos! Mas isso aí já é outra estória…

Tripulação estilo “família” – Dê valor a isso, mas não deixe de cobrar o filé da empresa

Em suma, você que achou que a matéria iria tirar sua eterna dúvida já pode começar a ficar desapontado. Você mesmo precisa tirar esta dúvida. Ninguém pode decidir isto por você. Se valorizar como profissional, é um dos grandes pontos pra alcançarmos nossos objetivos. Não é qualquer cartão de alimentação com um trocado a mais que deve lhe convencer a ir para Empresa X. Você tem família, é sozinho? Você está em busca de cursos de especialização, ou só precisa de dinheiro asap? Pensa no futuro, ou o futuro pra você é o seu jantar? O ponto é: não há errado ou certo nisso tudo. Nunca haverá.

Realmente não estou aqui pra ensinar ninguém, pois eu mesmo ainda estou aprendendo. Aprendendo, pois conto com amigos que estão sempre dispostos a colocar opiniões e experiências para ajudar. Espero que esta matéria abra essa discussão da melhor maneira possível. Você mais jovem, como está decidindo? E você, que já começou há algum tempo como foi que tomou sua decisão e as coisas aconteceram? Grande empresa ou grande salário?

yeah!

Por Caê Mahan

6 COMMENTS

  1. ISSO EH VERDADE TRABALHEI COM UM OFICIAL DE NAUTICA QUE FALAVA QUE QUEM FAZ ESTABILIDADE E EMPREGO BOM EH O DINDIN… A SORTE DE VCS”MINHA OPNIÃO” QUE O MERCADO TA FAVORECENDO E AS EMPRESAS AJDANDO POIS HA MUITAS VAGAS, MAS JA NO MEU CASO COMO SUBALTERNO AONDE CAIR TEMOS QUE FICAR E MOSTRAR O MELHOR DE MIM… GRAÇAS A DEUS PAREI NUMA EMPRESA ESTOU A 4 MESES E DO CAPITAO AO MEU CONTRA MESTRE NORUEGUESES TODOS ELES GOSTARAM MUITO DE MIM E NÃO QUEREM QUE EU SAIA DO NAVIO, MAIS ISSO EH UM DIFERENCIAL QUE EU TENHO QUE EH AMAR O QUE EU FAÇO E COM ISSO SEMPRE ACABO FAZENDO O CERTO E PERFEITO… CREIO TBM QUE OS LOW LEVEL OS DIAS DELES ESTÃO CONTADOS…
    SAUDAÇOES MARÍTIMAS…
    SAUDAÇÕES MERCANTES E O PORTAL EH 10

  2. Cada um deve fazer seu plano de carreira e traçar os objetivos que deve cumprir para alcançar o que realmente quer.
    Tive um professor chamado Orlandino, Chefe de Máquinas, que me deu até hoje a mior lição sobre isso.
    Muitos acham que ficar a vida toda num mesmo navio, sendo estagiário, praticante, oficial e chegando a Chefe, por exemplo, é O EXEMPLO de carreira de sucesso.
    Eu já acho que é UM DOS EXEMPLOS.
    Principalmente quem é de Máquinas, não adianta, tem que conhecer equipamentos e mais equipamentos é é uma variedade enorme.
    Como já disse, o objetivo pessoal do profissional deverá sempre ser o fator preponderante em suas escolhas, até porque, quem não sabe aonde quer chegar, não chega a lugar algum.

  3. Eu penso que não existem fórmulas prontas, cada qual vai encontrar a condição à qual se adapta melhor e que satisfaz seus anseios profissionais e financeiros. Durante a sua carreira, com a evolução profissional, a sua lista de prioridades pode até mesmo mudar.
    A busca incessante pelo salário mais alto talvez deixe de fazer sentido em um determinado momento e você começa a dar mais importância a coisas que julgava de menor valor na sua vida quando começou a trabalhar.
    Geralmente no início da carreira somos ansiosos para ganhar dinheiro e comprar um carro, uma casa, depois um carro melhor, uma casa maior…
    Com o tempo, você descobre que os navios são todos de aço e que trabalhar com gente com quem você se identifica e em um bom ambiente de trabalho pode ser mais gratificante do que ganhar uns trocados a mais em um ambiente de trabalho ruim.
    Ter um planejamento para o futuro é sempre bom, fazer um plano de previdência logo no início da carreira, saber onde se deseja chegar, planejar como fazer isso e seguir o plano – ajustando-o ao longo do percurso – também ajudam.

    • Sem Dúvidas, Müller! É exatamente o que eu tentei exprimir com meu texto, porém tais conclusões vindas de um Cmt como o senhor fazem muito mais sentido! rs
      Mesmo sem ter todas as metas traçadas, algo que é muito difícil no início de carreira, coisas como um bom plano de previdência devem se fazer primordiais. Concordo 100%.

    • Eu demorei cerca de 4 anos para enxergar isso, Müller.
      Em 2008 a “ficha caiu”.
      Tem gente que fica uma vida inteira e não enxerga.
      Obrigado por sua visita e continue participando do Portal.

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