A falta de produtos e serviços e seus impactos nas operações

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Lembrando um supermercado com as prateleiras vazias, a cena é cada vez mais comum e recorrente em empresas ligadas ao setor marítimo e do petróleo…

Unidades construídas no exterior, com equipamentos fabricados no exterior, muitos deles sem representante oficial no Brasil. Monta-se um estoque ainda nos estaleiros (se bem que eu já soube de empresa que trouxe sonda da Coréia pra cá sem estoque) e lá vamos nós para o Brasil.

Consome-se um, dois, três … acabou o estoque. E agora? Quem poderá nos defender?

Eu! O Chapolin Colorado!

É impressionante a falta de detrminados materiais no Brasil.

Mais impressionante ainda é a exigência muitas vezes absurda do Governo por Conteúdo Local… que conteúdo? Sem subsídios de verdade não haverá Conteúdo Local e a sobretaxação de navipeças em geral será sempre repassada ao consumidor final, tornando esta opção nem um pouco atrativa.

Como se já não bastasse a eterna polêmica do “falta ou não falta gente”, agora o problema que vem ficando cada vez mais visível é a falta de materiais específicos e algumas peças de reposição em nosso país.

Um dia desses precisei de um ferro danforth (âncora) AC-14, que é um tamanho mais ou menos padrão, e simplesmente não achei aqui no Brasil. Esse é apenas um de diversos exemplos.

Já soube também do contrário, de gente comprando lá fora artigos disponíveis no Brasil. Já vi até mesmo válvulas, conexões e ferramentas de uso geral sendo importadas, um verdadeiro absurdo e um tiro no pé em relação aos custos operacionais.

Falta um catálogo decente para que precisa comprar, falta algo que realmente atenda às necessidades da Indústria Marítima e Offshore e, apesar de termos alguns disponíveis, a grande verdade é que esses dados não estão concentrados em lugar algum.

Uma grande prova disso é que nós, do Portal Marítimo, lançamos o nosso Cadastro de Fornecedores para a Indústria Marítima e Offshore (clique e se informe), não de maneira despretenciosa, é claro, mas pensando em algo que ia demorar um pouco a se consolidar.

Eis que recebemos diversos cadastros, muito mais do que esperávamos, a ponto de não estarmos dando conta da catalogação de todo mundo, o que já gerou um atraso neste projeto do Portal, e pudemos ver que tem gente muito boa querendo oferecer seus produtos e serviços ao Mercado, mas que simplesmente esbarram em velhas “lendas” que estão por aí monopolizando o Mercado e até mesmo encarecendo tudo para a Indústria. Já chegou ao ponto de eu achar sobressalente similar aqui no Brasil com qualidade superior aooferecido pelo fabricante.

Agora, se falta produto, serviço é o que realmente incomoda. Produto você tras pelo REPETRO, foge de impostos, consegue algumas coisas similares locais, mas serviço…

Já passei por poucas e boas nesta minha caminhada ainda curta em terra.

– Empresa de serviços que não se prepara para receber equipamentos para reparo, coloca seu equipamento na fila de espera e ainda quer te cobrar pelos dias de espera.

– Gente que não tem a mínima noção de como são os serviços oferecidos por suas empresas a frente de negocições, em contato direto conosco, os clientes.

– Empresas que mandam seus técnicos a bordo para realizarem reparo e os mesmos não resolvem nada, mas mesmo assim as empresas cobram.

– Empresas que parecem não querer receber pelos serviços feitos, pois temos que ficar no pé delas para podermos pagar.

– Atendimento de médio pra ruim na maioria das empresas de serviços, salvo algumas exceções.

Os gargalos criados pelo sucateamento de nossa Marinha Mercante e Indústria Naval nos anos 80 e 90 vêm alimentando e aumentando uma bolha no mercado de navipeças e serviços, e esta bolha se faz presente entre nós diariamente, atrapalhando as operações, causando-nos diversos aborrecimentos diários com coisas simples e fazendo-nos passar vergonha, e digo isso como brasileiro.

Produto, até que tem, quando não tem de imediato, a gente faz uma força e importa, mas serviços, bom atendimento….

TÁ PEGANDO MUITO!

Por Rodrigo Cintra

3 COMMENTS

  1. Cintra, Somando a esse problema de logística, temos a prática de manter estoque mínimo ou “zero” (inclusive para os equipamentos considerados críticos) e assim apresentar números favoráveis à alta direção das organizações. O problema é que quando ocorre a falha e a falta de material aparece, os mentores dessa estratégia, normalmente não se apresentam.

    • É a velha máxima do “filho feio não tem pai”.
      Moore, eu conheci um Chefe de Máquinas que trouxe um conteinero de Koingstown, Jamaica até o Rio de Janeiro sem um sobressalente sequer em estoque.
      Eu não sairia do cais.

  2. Vejo um filme na minha cabeça. Meu setor industrial em terra sofre o mesmo problema e ainda colhe maus frutos do sucateamento. Mesmo 20 anos depois.

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