MODU Code – Solução ou Problema?

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MODU (Mobile Offshore Drilling Unit) – estas quatro letras estão causando um alvoroço danado no meio Marítimo e Offshore. Entre a Cruz e a Espada, o Marítimo fica no eterno dilema entre certificar-se fazendo cursos que na verdade são apenas um resumo do resumo dos cursos que este já fez, ou então lutar contra isso e tentar, de uma forma que eu realmente não imagino, invalidá-lo.

Já entre os petroleiros, os mais antigos reclamam em fazê-los, achando que isso nada vai agregar a seu conhecimento profissional.

A grande verdade é que este Código causa uma grande polêmica em nosso meio, isso é fato.

O Código para a Construção e Equipagem de Unidades Móveis de Perfuração, de 1989 (MODU Code/1989), foi aprovado por resolução da Assembléia A.649 (16) e abrange as unidades construídas a partir de 1º de maio de 1991.

Em 1989, substituiu o Código MODU/1979 que havia sido aprovado por resolução da Assembléia A.414 (XI).

O Comitê de Segurança Marítima (Maritime Safety Comitee – MSC) aprovou as alterações ao Código MODU/1989 em maio 1991 e decidiu que, para manter a compatibilidade com SOLAS, as emendas deveriam entrar em vigor em 1º de Fevereiro de 1992.

Outras emendas foram aprovadas em Maio de 1994, para apresentar o Sistema Harmonizado de Vistoria e Certificação (HSSC) no Código, fornecer orientações para os navios com sistemas de posicionamento dinâmico e apresentar também disposições relativas às instalações para helicópteros (helipontos).

O Comitê decidiu que as alterações a serem introduzidas no HSSC deveriam entrar em vigor na mesma data. Como a SOLAS de 1988 e os Protocolos de Linhas de Carga (Load Line Protocols) faziam referência à HSSC (ou seja, 3 de fevereiro de 2000), as orientações previstas para os navios com sistemas de posicionamento dinâmico e as disposições para helipontos deveriam entrar em vigor em 1 de Julho de 1994.

É visível, principalmente entre os profissionais de Marinha Mercante, uma série de questionamentos a respeito deste Código. Nada de anormal, visto que somos preparados para a vida no mar desde o primeiro dia de Escola ou Curso de Formação, vivenciamos isso, estando isso presente em nosso linguajar, nosso comportamento e nos nossos hábitos.

As pessoas questionam o Código, mas não sabem o que estão falando. Falam como se o Código fosse um problema, quando, na verdade, o problema está em duas resoluções da IMO, baseadas no STCW/95 (apesar de não estarem incluídas nele) e que se referem às MODU: a resolução A.890, que trata do Certificado de Tripulação Mínima de Segurança  (Safe Manning) e a resolução A.891, que trata do Treinamento e Certificação de Pessoal. O Código é bom, inclusive as resoluções, porque antes tínhamos o seguinte: vários profissionais sem a mínima idéia de segurança e salvatagem tripulando diversas plataformas. O Código e as Resoluções vieram para aumentar o nível de segurança nas operações e padronizar o treinamento e qualificação desse pessoal.

Particularmente eu acho o seguinte: se um profissional não marítimo vai fazer um cursinho e tira uma Certificação qualquer para trabalhar em MODUs, unidades marítimas por definição, nada impede um Marítimo de fazê-lo. Atrevo-me a afirmar que qualquer Marítimo faz esses cursos “com o pé nas costas”. Já tive a oportunidade de fazer um desses cursos, e digo: não vi nada que não tenha visto nos bancos escolares da minha saudosa Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Aliás, vale comentar que todos os Professores do Curso são Oficiais da Marinha Mercante ou Professores da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Por que será, hein?

Por outro lado, sem esse curso, eu não poderia almejar profissionalemnte o que hoje posso almejar.

Há absurdos exigidos pela Marinha do Brasil para que alguns profissionais ascendam na carreira, principalmente para o pessoal que faz o CFAQ que, além de ter que conviver com um Mercado inchado de Marinheiros Auxiliares, clamando desesperadamente por uma vaga para poderem embarcar, ainda ficam mais desanimados com as exigências literalmente “sinistras” para que possam ascender na carreira. Os cursos de carreira do PREPOM não são adequados à realidade offshore. Isto é fato. Pouquíssimas empresas liberam seus funcionários para irem para a Escola para ficarem de 4 a 8 meses em curso e, em sua maioria, estes poucos colegas que conseguem, praticamente “vendem a alma” para essas empresas. Se “meterem o pé”, se queimam.

Vejo colegas embarcando, por exemplo, em navios sonda de empresas de perfuração e ficando eternamente como 3rd Engineer. O cara fica 15 anos na Empresa esperando uma oportunidade, mas permanece como 3rd Engineer.  No Offshore, por exemplo, mais especificamente em navios sonda, um Marinheiro de Convés tem muito mais horizontes que um Oficial de Máquinas. Que se manifeste aqui quem viva uma realidade diferente disso em Empresa Internacional.

Um curso em uma entidade certificada pela Autoridade Marítima, que no nosso caso é a DPC (Diretoria de Portos e Costas) faria a diferença em permitir que esse Oficial de Máquinas conseguisse sua colocação em posições mais altas, como Barge Engineer, RMS (Rig Maintenance Supervisor) e até mesmo OIM (Offshore Installation Manager).

Conheço muitos Marinheiros de Convés que passam a Técnicos de Segurança e depois Coordenadores de Segurança, atingindo níveis salariais comparados ao de Comandantes de Navios Mercantes.

Na Marinha Mercante, um Marinheiro Auxiliar não chega a Capitão de Longo Curso fazendo cursos de carreira. Não chega. Quem disser que chega está mentindo para os senhores, caros leitores do Portal.

No Offshore, um Homem de Área pode chegar a Gerente de Platafotma (OIM – Offshore Installation Manager).

Isso sem falar nas empresas que mantêm Marinheiros de Máquinas (Oilers), em navios sonda, subordinados a Motormans.

Enquanto uns reclamam do Código MODU, alguns procuram se adequar ao mesmo e já desfrutam das benesses de fazê-lo e, forjados pela experiência adquirida a bordo de navios mercantes (os que se permitiram essa experiência técnica inigualável), podem galgar posições nunca antes imaginadas em suas carreiras.

Você que é Marítimo e que também possui a Certificação MODU, tenha a mais absoluta certeza de que você é muito valorizado no Mercado de Trabalho. As oportunidades estão aí.

Tanto o MODU como as resoluções da IMO que se aplicam à qualificação de tripulação para essas unidades estão aí há algum tempo mas, como tudo no Brasil, não era muito divulgado.

A Marinha do Brasil NUNCA vai ministrar esses cursos, apesar de ser quem certifica e autoriza o funcionamento das Instituições que o ministram, uma vez que o EPM (Ensino Profissional Marítimo) é mantido pelas Empresas de Navegação. Se você fosse o Diretor Executivo de uma Empresa de Navegação, você estaria de acordo em financiar algo que qualifcasse uma mão de obra que com quase 100% de certeza não iria te dar retorno?

Claro que não! Nem a pau, Juvenal!

Quando as empresas ligadas às atividades de Petróleo visualizarem o EPM e começarem a financiar, como timidamente algumas já estão vendo, tenham a mais absoluta certeza de que esses cursos vão começar a ser ministrados pelos Centros de Instrução. Isso vai afetar diretamente a “mina de dinheiro” que são os Cursos de Treinamentos voltados para o Offshore.

Uma vez que a  Marinha do Brasil não tem capacidade física, no momento, para suportar tamanha demanda e que os Cursos são, em sua maioria, de propriedade de pessoas de alguma forma ligadas à mesma Marinha do Brasil, isso vai continuar ainda por um bom tempo e teremos que buscar qualificação fora dos Centros de Instrução.

Assim, meus colegas marítimos e petroleiros, digam “Olá” para o MODU Code e suas Resoluções, procurem sua qualificação e sorriam para os novos horizontes que inevitavelmente vão aparecer.

“Em terra de cego, quem tem um olho é rei”.

Acho que meus amigos Marítimos entenderam muito bem a mensagem desta frase devidamente destacada acima.

Para mim, este Código é solução. Será problema somente para os que desejarem a carreira no Offshore e não estiverem dispostos a seguí-lo, lembrando que a IMO, que está acima de nós todos, foi quem promulgou e o Brasil, como país signatário, aderiu.

Está escrito, preto no branco.

Assim… Cumpra-se.

Simple as that!

Vamo que vamo!

Força e Honra! Sempre!

Por Rodrigo Cintra

8 COMENTÁRIOS

  1. Ao contrário de abrir horizontes, a Marinha do Brasil parece querer fechá-los. A Norman 1 foi alterada e hoje o profissional que se dedica a trabalhar por algum tempo em plataformas e unidades regulamentadas pelo MODU Code estão sendo “surpreendidos” quando vão renovar seus certificados com uma “Limitação para unidades MODU” nos mesmos.
    Ou seja, ao invés de estarem agregando uma qualificação a mais como os profissionais que trabalham com navios de cargas especiais, regidos pelo capítulo 5, parágrafo 1 do STCW/95, estes profissionaos deixam de ter sua habilitação válida para navios convencionais.
    Como estou no offshore há muitos anos e “desaprendi o que é a navegação”, depois que vier a renovar meu certificado terei que fazer um curso de Arrais Amador para poder sair com meu veleiro da marina?

  2. é Rodrigo Cintra .
    tudo isso é muito frustrante mais a realidade é muito pior , pois o governo federal junto com as entidades classistas seja da própria categoria como empresariais só querem aumentar seus lucros seja as custas dos postos de empregos aqui em nosso continente pois trazem cada vez mais gringos para trabalhar aqui e alegam que nós os tupiniquins não temos capacidade para o cargo. não cumprem as regulamentações e nem fiscalizam .cade a famosa RN72 que parece um ET todos já ouviram falar mais ninguém viu !
    só em nosso pais tem estas tais exigências de se cadastrar seu certificado em concelhos de classes estas entidades que só querem mesmo é dinheiro pois ´só serve para dificultar o ingresso no mercado dos profissionais aqui formados em terras tupiniquins . por falta de investimento nas escolas de formação criam pretextos para tirar os oficias da marinha mercante tupiniquins de seus postos no off shore e contratam os gringos sobe alegação de se ficarem em sondas ancoradas perderam sua carta CIR por não estarem em embarcações com propulsão . os gringos que aqui estão trabalhando não sei de nenhum que tenha feito validação de certificado aqui em terras tupiniquins . e estejam cadastrado e contribuindo para algum concelho de classe . será que estes concelhos estão acima do ministério da educação pois seu certificado só tem valor se voce estiver cadastrado neles . acredito que se a esta falta de mão de obra qualificada .já esta na hora do governo acabar com as dificuldades para o povo tupiniquim poder se qualificar e ter seu posto de trabalho sem estas burrocracia que só serve para criar empecilho e argumentos para o governo empresários e entidades trazerem os gringos para terras tupiniquins.

  3. Boa tarde gostaria de acrescentar a falta de valorização da maquinas em FPSO Aqui um oficial de maquinas tem que ter todos os cursos e um bom inglês para ficar de operador de praça de maquinas … Enquanto existem varios gringos que mal sabe oque e um STCW e tem um seamen book de Wiper ,estao dando as ordens e mais tomando as vagas de quem sai das fabricas de Moços CFAQ … Eu nao consigo enterder como eles chegam a oficiais tao rapido trabalham 6 mese como oilers e vao para casa e voltam com engenheiro !!! Porque isso ???

  4. CARO RODRIGO CINTRA SEI ATRAVÉS DO SR SOBRE O CODE MODU…PORÉM TE-LO PARA CONSULTA SERIA ADEGUADO PARA TODOS NÓS…OU MESMO FAZER O CURSO…QUE VI MUITAS VEZES SENDO DIVULGADO AQUI MESMO NO PORTAL…SOLICITO SUA ORIENTAÇÃO….POIS, ATRAVÉS DA EQUIVALENCIA DO CODE MODU VERIFIQUEI…QUE PODERIA FAZER O CESMA(CURSO ESPECIAL SUPERVISOR DE MANUNTEÇÃO)…..NO ICN….PORÉM FUI BLOQUEADO….POIS,O CURSO NAO ACEITOU OS REGISTROS NA MINHA CIR….UMA VEZ…QUE PEDIU….APENAS REGISTROS EM EMBARCACÕES…FTPS….NAO ENTENDI….ATE HOJE…NAO CONSEGUIR…SAIR DE MINHA CATEGORIA DE CDM….JA SE PASSARAM POR MIM…VARIAS TURMAS DO CIAGA…ONDE VC….FAZ O TRABALHO(DANDO AULAS PARTICULARES A ELES IRMÃO MARITIMOS.) É OUTROS LEVAM A FAMA….TENTEI POR DIVERSAS VEZES ME INSCREVER NO ACOM…NUNCA CONSEGUIR SEGUER ME INSCREVER….MESMO TENDO TODOS OS REQUISITOS…SEMPRE ….A CADA ANO…NOVAS ….BARREIRAS NA ULTIMA TENTATIVA…RASURAS NA CIR…FIZERAM PERDE A MAIORIA DO MEU TEMPO DE EMBARQUE…É NAO CONSEGUIR DA EMPRESA O TEMPO DE EMBARQUE….TIVE QUE COLOCAR A MESMO NA JUSTIÇA….É COM ISSO….JÁ SE PASSARAM …2AA…(A AUDIENCIA ESTAR MARCADA PARA O DIA 21/01/2014 ).ASSIM É AS COISAS…QUANDO A MARINHA QUER É O MEIO QUER VC..NAO IMPORTA NEM SE TEM DIPLOMA….VI ISSO…EM MACAÉ…QUANDO A EMPRESA PRECISA DE VC….ELA NAO MEDE ESFORÇO….MAIS QUANDO NÃO…TAMBÉM NAO MEDE ESFORÇO PARA IMPEDI-LO…HOJE TENHO JÁ 49 ANOS…É AINDA CONTINUO NA LUTA…SEI QUE ANTES DOS 60AA…DEVO CHEGAR A OFICIAL…OU MESMO SUPERVISOR DE MANUTENÇÃO…POIS O SONHO…NUNCA DEVE SER DEIXADO..MESMO QUE O MUNDO….O TENTE IMPEDIR…ANTONIONETO

  5. PARA OS MARITIMOS ESPERTOS SE VC NAO CONHECE NAO CRITICA ,VEJA SÓ NO PAÍS DO LULA PARA SER UM MARITIMO OU SEJA BASTA O CARA FAZER UM CURSO FULO DE 3 MESES QUE POR MAIS FORTE QUE SEJA O INSTRUTOR É DIFICIL ENFIAR NA CABEÇA DO SER HUMANO CERTAS APLICAÇOES ,O WIPER OU OILERS OU 3THR ENG FAZEM 4 ANOS DE ESCOLA NAVAL E NAO IMPORTA SE ELE QUISER SER MARINHEIRO WIPER OILER ELE VAI FAZER 4 ANOS ,E SE KISER DEPOIS SER OFICIAL DEPOIS DOS 4 ANINHOS DE CURSO MAIS UM ESTAGIO E UMA PROVINHA QUE GARANTO É OSSO ENTAO NAO ME VENHA COM XURUMELAS SAFÓ.KKKKKKK NO BRASIL DO LULA SAO POUCOS ANALFABETOS QUE VAO A PRESIDENTE.

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