A imprensa que o Mar merece

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Como disse no texto anterior a este, o panorama quando o Portal Marítimo começou era bem favorável à nossa criação. Rodrigo Cintra foi um visionário nesse sentido e enxergou que havia não só espaço como a necessidade de se criar não apenas mais um veículo, mas um portal de notícias e um canal de comunicação com a classe.

O reflexo direto disso é o fato de muitas empresas não estarem preparadas para uma abordagem competente de imprensa especializada. Aí é que o nosso trabalho complica.

Trabalhamos duro e graças ao meu bom Deus, temos livre acesso nos ambientes de Marinha Mercante, do Brasil e Offshore. No pouco tempo de vida, o Portal Marítimo construiu relações muito boas com suas fontes, rendendo até medalha para o nosso Diretor e Fundador.

Entretanto, algumas empresas, quando chega o Portal Marítimo, parece que ficam perdidas, sem saber o que fazer. Natural num ambiente carente de imprensa decente. Chegamos com profissionalismo, com vontade e com o máximo de preparo que nossas dedicações alcançam – isto é – para eles, somos extraterrestres.

Com licença, você pode nos responder algumas perguntas?

Aí, o braço destas empresas (repito que não são todas) que é feito para apertar a mão dos jornalistas – as assessorias de imprensa – em vez de criar uma ponte, viabilizando uma comunicação amistosa, duradoura e produtiva conosco, cria, na verdade, uma barricada com direito a sentinelas armados mirando em nossas testas. Aí fica difícil.

Existem assessorias de imprensa que são tão perdidas que reclamam do que beneficia a empresa. Escrevemos um bom texto, baseado numa boa entrevista, exibimos dados bacanas e publicamos. Resultado: o texto literalmente bomba! Dá banho de comentários, compartilhamentos e acessos. A empresa está bem na foto, e a assessoria diz que não. Fazem contra-propaganda de si próprios! Vai entender…

Olhando sob esta perspectiva, fica realmente difícil trabalhar num ambiente que tinha tudo para ser fácil. Estar só às vezes é complicado. Lembro-me no primeiro evento de grande porte que fomos cobrir – a Rio Oil & Gas – lembro que coisa de 80 por cento das assessorias não tinham preparado releases para a participação de seus clientes no evento.

Agora pense: Se você está numa exposição, você pretende…Expor! Ok, vamos ao segundo passo: Se você tem algo a expor, o ideal é que a imprensa cubra ou ignore? Cubra! Ok, vamos ao terceiro e último passo: Se você tem algo a expor e quer que a imprensa cubra, você dispara um release para os jornalistas ou fica sentado na porta do estande e oferece um ridículo e vago “folder”?

E num evento desses, não tinha release.

Jo soy el mejor del mejor del mundo en sir incompetente

A única explicação que me vem à mente é justamente essa: A maioria das empresas não está acostumada a lidar com uma imprensa especializada atuante, competente. A Petrobras, como é a estatal mais badalada dos últimos 30 anos, está careca de falar com jornalistas…Eles não têm uma assessoria, mas uma Gerência de Imprensa. Os caras são bons com isso, independente de concordarem ou não com as minhas idéias.

Com o tempo, o mercado deixará de ser deserto e, se Deus quiser, seremos um dos pioneiros desta revolução que é dar à Marinha Mercante e ao universo Offshore uma imprensa à altura de seus feitos, que tenha força, independência e preparo para falar com propriedade sobre os propulsores deste país. Quando este dia chegar, as empresas se preocuparão em cercar seus diretores de profissionais competentes nesse sentido…

…e os antigos terão que fazer outra faculdade.

Um abraço, gente!

Por Marcus Lotfi

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