O que fazer num Mercado com tantas sondas ociosas?

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A Perfuração Offshore é uma atividade completamente dependente do preço do barril de petróleo em diversas partes do mundo, o que é preocupante num cenário onde o barril de petróleo chegou a US$ 50 após chegar ao fundo do poço com valores de até US$ 30 no inicio do ano.

A EIA (Energy Information Administration) e outras entidades tem publicado previsões de que o barri de petróleo atinja o valor de US$ 60 por volta de setembro de 2017, o que é considerado o preço para que se aumente as atividades de perfuração em alto mar.

Há até mesmo quem defenda o ponto de vista que o barril a US$ 60 é como se fosse a US$ 90, o que deve ser encarado com extrema cautela. Porém, é fato que a US$ 60 o barril, muita coisa pode mudar.

Agora, por quanto tempo os preços mais altos podem ser mantidos, aí já é uma outra questão, já que a demanda por combustíveis fósseis está diminuindo em algumas partes do mundo, em face do desenvolvimento de novas tecnologias e das leis que vem restringindo o uso dos mesmos cada vez mais.

O mercado de plataformas de perfuração está enfrentando sua pior crise desde os anos 80. Desde setembro de 2014, quando a atual queda do mercado começou, o nível de utilização de plataformas de perfuração caiu mundialmente em 20%. Juntamente com a utilização, as diárias das sondas também caíram, em alguns casos, pela metade, isso com extensões de contrato e que ainda por cima tiveram mudança de escopo. Rescisões de contratos viraram meio que uma regra no Mercado, encerrando mais de 100 contratos pelo mundo nos últimos dois anos. Estamos falando de US$ 20 bilhões em contratos e plataformas paradas, mas em constante depreciação, o que é um outro problema.

Como se não bastasse, e acompanhando o que ocorre em muitos setores da navegação mundial, hoje há uma capacidade excedente absurda no Mercado. São plataformas que já foram construídas ou que estão sendo construídas e que, neste momento, não terão utilização alguma, o que causa um sério problema para quem encomenda e para quem constrói. Neste exato momento, outubro de 2016, há 143 plataformas de perfuração já encomendadas ou até mesmo já em construção, entre navios-sonda, semi submersíveis e auto elevatórias, isso sem incluir as atuais 29 sondas para operações aqui no Brasil. Isso é muito mais do que a atual demanda pode absorver. A construção de muitas plataformas já foi concluída, inclusive, mas as empresas tem feito diversos acordos com os estaleiros para atrasarem a entrega e evitar custos adicionais. Atualmente, somente 17 dessas 143 sondas possuem algum contrato. Em um período de um ano, contando de agora, ainda há cerca de 100 plataformas com previsão de entrega até setembro de 2017, mas a realidade é que pouquíssimas dessas serão realmente entregues.

Como se não bastasse, enquanto no primeiro semestre de 2016 trinta sondas foram definitivamente aposentadas, ou seja, cinco por mês, entre Julho e Setembro apenas sete foram aposentadas, ou seja, aproximadamente duas por mês. Isso significa mais sondas operacionais ociosas.

Muitas empresas que dizem estar renovando suas frotas tem postergado a aposentadoria dessas sondas antigas, alegando problemas com a responsabilidade que tem sobre elas ou até mesmo por questões financeiras, mas o fato é que quase que a totalidade dessas sondas já está obsoleta e não serão mais utilizadas e precisam ser definitivamente aposentadas. Ou seja, a única questão que fica não é se, mas quando elas serão definitivamente retiradas de serviço. A previsão para os próximos 12 meses é que algo entre 50 e 75 sondas sejam definitivamente retiradas de serviço.

Muitas diárias de plataformas de perfuração atingiram níveis abaixo de seus custos operacionais em algumas regiões e estamos falando de plataformas que não estão obsoletas. Por outro lado, ainda há muitas sondas operando sob altas diárias, negociadas entre 2011 e 2013 e em breve essas diárias serão ajustadas, ou as empresas perderão seus contratos.

É uma situação nada confortável para a perfuração e com a alta do petróleo pode-se enxergar algum horizonte melhor do que o que temos hoje, porém, ainda muito longe da época de ouro onde as diárias eram altíssimas.

Diversas medidas tem sido tomadas para estimular a indústria novamente, porém, o momento é de explorar e tirar o petróleo dos poços já perfurados.

Vamos ver se com a alta do barril as perfurações retomam os áureos tempos.

E aí? Quem quer discutir o assunto?

Comenta aí embaixo e vamos trocar uma ideia.

Se quiserem, escrevam para mim: rodrigo.cintra@portalmaritimo.com

Vamos tomar um café e conversar sobre isso.

Por Rodrigo Cintra

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