Transportadoras de contêineres japonesas anunciam fusão e podem criar gigante local

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Em mais um sinal que confirma a queda da economia Mundial oriunda da redução do volume comercial e seguindo a tendência de fusões que já temos alertado aqui no Portal Marítimo nas últimas semanas, as três empresas de navegação japonesas transportadoras de contêineres anunciaram nesta segunda feira, dia 31 de outubro, a união de suas operações.

Tadaaki Naito, Presidente da Nippon Yusen Kabushiki Kaisha (NYK Line), declarou que as maiores empresas estão num momento bastante ruim e podem ter ainda mais dificuldades individualmente. A indústria Marítima já foi balançada pela quebra da Hanjin, gigante sul coreana, em Agosto, enquanto diversas empresas pelo mundo foram seguindo a tendência de fusões e aquisições.

Aliás, o Portal Marítimo também comentou esta tendência após emissão do relatório da BIMCO recentemente (clique aqui para ler a matéria).

Tadaaki Naito - É fundir ou acabar.
Tadaaki Naito – É fundir ou acabar.

“Se não quisermos que o número de empresas japonesas no transporte marítimo de contêineres chegue a zero, temos que criar uma empresa são somente forte, mas realmente esplêndida”, declarou à Imprensa o Presidente da NYK Line.

Combinando suas operações numa joint venture, as três grandes empresas japonesas, que são a NYK, a Kawasaki Kisen Kaisha e a Mitsui O.S.K., vão criar um gigante num negócio que vale US$ 2,9 bilhões, operando uma frota de 256 navios e representando 7% da tonelagem disponível para transporte de contêineres no mercado global. Na divisão acionária, a Kawasaki e a Mitsui ficam com 31% cada, enquanto a NYK Line controla 38%, segundo o press release divulgado e que pode ser acessado clicando aqui.

A combinação das frotas vai gerar uma economia de mais de US$ 100 milhões por ano e o acordo deve ser concluído em Julho de 2017, com início das operações previstas para abril de 2018. Os navios graneleiros das empresas permanecerão com suas operações independents, mas sinceramente não se sabe até quando, já que a BIMCO já sinalizou o mesmo perfil para os graneleiros.

Na foto, o navio NYK Arcadia em Hamburgo - empresa vai ter o controle acionário com 38% das ações
Na foto, o navio NYK Arcadia em Hamburgo – empresa vai ter o controle acionário com 38% das ações

A crise mundial, o excesso de navios ociosos  e a baixa no preço do frete são as grandes molas propulsoras dessa nova tendência que tem provocado estranhas alianças pelo mundo, dentre as quais destacamos a fusão da CMA CGM (França) com a Neptune Orient Lines (Singapore), a fusão da Hapag-Lloyd AG (Alemanha) com a United Arab Shipping Company e claro, a fusão da Maersk com a MSC, e isso estamos falando apenas de contêineres, pois se formos para o granel há muito mais coisa acontecendo.

Muitas dessas fusões ainda estão sujeitas a aprovações por parte de diversos órgãos locais e internacionais que funcionam como entidades regulatórias anti truste, já que isso pode, por outro lado, levar as taxas de frete a níveis altíssimos, uma vez que a livre concorrência, desta forma, possui um número menor de participantes, diminuindo as opções dos proprietários das cargas.

No caso do Japão o fato é ainda mais gritante, uma vez que, em se concluindo a fusão, o país passará a ter apenas uma grande empresa transportadora de contêineres, mas por outro lado, segundo executivos das três empresas envolvidas, é uma questão de sobrevivência.

Por Rodrigo Cintra

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