Acertadamente, Transocean prepara a venda de toda a sua frota de auto elevatórias

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A empresa de perfuração norueguesa Borr Drilling, anteriormente conhecida como Magni Drilling, planeja comprar as 15 plataformas de perfuração auto elevatórias da Transocean, todas com alta tecnologia embarcada, por US$ 1,35 bilhão.

A empresa manifestou seu interesse nesta segunda feira através de uma carta de intenções assinada com a Transocean e das plataformas envolvidas no negócio, dez estão em atividade e cinco ainda em construção no Estaleiro da Keppel Fels, em Cingapura.

O Conselho Diretor da Keppel aprovou o negócio, até mesmo por querer se ver livre dessas unidades, cuja entrega vem sendo continuamente adiada devido a falta de contratos no momento e o excesso de oferta de plataformas no mercado.

A Borr Drilling assumirá as parcelas de pagamento e qualquer outro passivo que ainda seja devido à Keppel e cada plataforma tem o valor estimado em US$ 216 milhões. Três plataformas serão entregues entre 2017 e 2018 e as restantes até 2020.

A transação está sujeita à aprovação dos Conselhos Diretores da Transocean e Borr e isto deve acontecer até o final de maio, segundo informações divulgadas para a Imprensa.

No final do ano passado, Borr comprou duas plataformas de perfuração também auto elevatórias, construídas em 2013 da falida Hercules Offshore.

A Borr é uma empresa que foi recentemente formada e conta com gente como o ex-CFO da Seadrill, Rune Magnus Lundetræ, que agora é CEO da Borr. O COO da empresa, Svend Anton Maier, também trabalhou para a Seadrill entre 2007 até 2016. Também vemos nomes como Tor Olav Trøim, que foi Vice Presidente da Seadrill e Fredrik Halvorsen, que foi Presidente e CEO da Seadrill.

É a Seadrill fora da Seadrill e por isso imaginamos que estejam indo bem, obrigado, e no caminho certo, pois “haja disposição” para investir em auto elevatórias, um mercado extremamente ardiloso. Devem buscar uma boa briga com as empresas que oferecem verdadeiras sucatas ao Mercado, pois é impressionante a quantidade de plataformas deste tipo que são isso mesmo: sucatas.

A Transocean arvorou todas as auto elevatórias simplesmente porque o mercado já não é mais interessante para ela, simple as that. A própria Petrobras já percebeu isso e está fazendo o mesmo, como noticiamos recentemente.

É um mercado limitado, com poucos contratos e onde plataformas novas e antigas disputam na unha diárias muito baixas.

Num mercado com águas cada vez mais profundas, essas unidades passam a ser interessantes apenas para projetos extremamente específicos em águas rasas. A Transocean hoje é a empresa líder em águas ultra profundas e deve focar nisso, pois já não faz mais muito sentido ter auto elevatórias em sua frota.

A empresa fatura hoje US$ 10,8 bilhões em águas ultraprofundas e irrisórios US$ 161 milhões nas rasas com as auto elevatórias. Não faz sentido continuar nas águas rasas se ela pode focar no seu ponto mais forte, onde é líder mundial.

Na nossa opinião, caso a crise demore mais que o previsto será questão de tempo apenas para a empresa ter apenas navios sonda, pois num mercado como o atual, o mais recomendado é determinar um core business dentro do core business, pois a coisa tá feia.

Redundante? Não! Apenas precavido.

Ficar andando fora do quintal, onde a gente conhece bem cada cantinho, talvez não seja a decisão mais sábia no momento para nenhuma empresa, então é bom que se deixe quem está fora dele se divertir…

Pelo menos por enquanto.

Por Rodrigo Cintra

1 COMMENT

  1. Gostaria de saber onde é esse estaleiro da Keppel Fels, no qual existem cinco plataformas da Transocean em contrução.

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