Santa Catarina atrai investimentos de US$ 1 bilhão em novo porto

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O setor portuário de Santa Catarina atraiu o interesse de investidores que querem erguer um porto de 1 bilhão de dólares no Norte do estado. Embora represente benefícios econômicos, o projeto pode ameaçar o meio ambiente, como mostrou o RBS Notícias.

O projeto promete construir no estado o quinto maior porto multigás do país, em um área de 1,2 milhão metros quadrados, gerar três mil vagas de emprego e R$ 400 milhões em impostos por ano.

“O investimento previsto para o porto Brasil Sul implantando todos os seus negócios está em torno de 1 bilhão de dólares. Pra você ter ideia do que geraria em impostos, fizemos a simulação, entre 2020 e 2030, considerando a movimentação das cargas, daria R$ 3,8 bilhões em impostos municipais, estaduais e federais”, disse Marcus Barbosa, Diretor da WorldPort.

Capacidade superior

Em relação aos portos que Santa Catarina já tem, a capacidade para movimentar cargas deste é muito maior, já que daria para atracar até oito navios de uma vez e as rotas previstas incluiriam, além da costa brasileira, países vizinhos e a Ásia.

“Teria contêineres no primeiro momento, depois teríamos forte investimento na parte de veículos e carga em geral. Depois, com o aumento natural da demanda que surgiria no Brasil e no mundo, você teria os demais que são granéis e sólidos”, complementou Marcus.

O empreendimento pretende se instalar na ponta do sumidouro, entre as praias do Capri e do Forte, em São Francisco do Sul. A ponta do sumidouro foi escolhida para o projeto por causa da profundidade, são cerca de 22 metros. Em outros portos catarinenses, a profundidade é de aproximadamente a metade disso.

Impasse

Com uma profundidade maior, navios de grande porte poderiam atracar no local. Um estudo dos empreendedores também analisou a movimentação das correntes e concluiu que, mesmo com a passagem de navios, não teria depósito de areia, assim não haveria necessidade de dragagem.

No entanto, a área é de preservação permanente. Em função disso, ambientalistas e moradores já fizeram um protesto na câmara de vereadores contra a instalação do porto.

“É uma fonte de sobrevivência para os pescadores, tanto da área artesanal quanto da área industrial, porque a Baía da Babitonga também será atingida bastante com este porto, porque ela abriga 80% dos manguezais de Santa Catarina, ficando responsável pelo criadouro de diversas espécies que mantém a pesca industrial”, disse o presidente da associação comunitária da Enseada do Acaraí.

Os empreendedores reconhecem que é impossível construir um porto sem impactos, mas mencionam ações de controle de efluentes e recuperação de mata em outro ponto. O Ministério Público do estado também está em alerta e abriu um inquérito para apurar se a obra traria prejuízos.

Portos em atuação

Atualmente, cinco portos operam em Santa Catarina. Em São Francisco do Sul e Itapoá, na Baía da Babitonga;em Itajaí e Navegantes, um de cada lado do rio Itajaí-Açu e um no Sul do estado, em Imbituba.

Joinville é uma das cidades que mais exporta no estado e consegue escoar toda produção por esses terminais. “Se estamos bem supridos? Digamos que sim. Temos hoje uma logística que atende importadores e exportadores. Teria uma lacuna de estrutura? Acredito que isso tá sendo bem resolvido entre os portos”, comentou Carla Pinheiro, presidente núcleo negócios internacionais Associação Comercial Industrial de Joinville (Acij).

A escolha de um porto para importar ou exportar ou até para a navegação de distância curta, chamada de cabotagem, não é aleatória. Primeiro, o terminal tem que fazer a rota que a empresa precisa. Depois, tem que ter capacidade pra receber o navio do porte necessário e, ainda pesam questões como as taxas cobradas e a especialidade de cada terminal.

São Francisco do Sul

O porto de São Francisco do Sul, que é público, é o segundo do Brasil em cargas gerais, principalmente grãos. Em Itapoá, o terminal que é privado, está em expansão e contando com crescimento na movimentação, a partir do escoamento dos carros produzidos pela BMW.

“Hoje se nós tivéssemos mais espaço, talvez já tivéssemos mais transbordo, mais carga. A área que nós estamos dobrando nesse momento vai sair de 500 mil teus/ano para um milhão nesse primeiro momento, faz parte do projeto maior, que vai deixar o pátio de contêineres quatro vezes maior”, disse o diretor do Porto de Itapoá Roberto Pandolfo.

Itajaí

No complexo do rio Itajaí-Açu, também dá para ver essa diferença do privado para o público. O Terminal de Navegantes é mais eficiente e barato. No de Itajaí, a empresa que faz as operações tenta renovar o arrendamento com o governo federal há tempos e diz que sem isso não fará novos investimentos. Por enquanto, as obras para movimentar outras cargas além de contêineres estão paradas.

“Nós tivemos problemas relacionados à liberação de recursos, tivemos problemas técnicos. Esses impasses estão sendo resolvidos e a tendência é que nós tenhamos a retomada dessas obras a partir de maio de 2017”, disse Heder Cassiano Moritz, assessor de direção do porto.

Os técnicos que atuam no porto também esperam pela dragagem do rio. Embora o governo federal tenha prometido a obra, até agora não retirou a areia assoreada e com isso navios maiores não conseguem mais atracar.

Expectativa

Esse cenário nos portos que já operam fazem os investidores privados verem oportunidade em Santa Catarina. A secretaria de estado de Desenvolvimento Econômico também tem expectativa com relação a esta implantação.

“Novos terminais criaram novas empresas em Santa Catarina, novas oportunidades, novos mercados pras nossas empresas já existentes e outras que vão vir com esses investimentos que ocorrem”, declarou o secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável Carlos Chiodini.

A definição do impasse está nas mãos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma).

Fonte: G1/ RBS

Por Redação

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