A Greve pela continuação do Imposto Sindical

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Com mais pneus queimando do que gente na rua, um índice de adesão baixíssimo pelos trabalhadores e um índice de aprovação ainda mais baixo pela população, a tal “greve” realmente está sendo um fracasso, e não poderia ser diferente. O atual modelo sindical no Brasil está falido.

A baixa adesão dos trabalhadores, sinal de que o modelo atual de sindicalismo definitivamente não representa os anseios de quem bate seu ponto diariamente, reforça um fato gritante: o que ocorre no dia de hoje é não somente um sinal, mas literalmente uma mensagem aos sindicalistas.

O tiro saiu pela culatra e o que conseguiram foi apenas um feriado prolongado. 

A Spotniks publicou algo interessante que eu gostaria de deixar aqui para a reflexão de todos:

“Com mais de 15 mil sindicatos registrados, era de se esperar que nenhum país do mundo conseguisse superar o Brasil quando o assunto é assegurar proteção ao trabalhador, certo? Se sindicatos, afinal, existem para defender os seus interesses e nós os temos em maior número do que em qualquer outro lugar do planeta, a lógica incontestável é que deveríamos ter trabalhadores mais assegurados que na Dinamarca, por exemplo, onde apenas 164 sindicatos atuam, ou no Reino Unido, onde somente 168 dão as caras. A correlação, no entanto, você já deve imaginar: não existe.

Mesmo tendo 50 vezes mais sindicatos do que a Dinamarca, ou 60 vezes mais do que o Reino Unido, menos trabalhadores estão ligados a estes sindicatos por aqui do que por lá. E a razão para isso é de fácil explicação: um sindicato no Brasil não precisa de filiados para ganhar dinheiro.

Graças ao chamado imposto sindical, que retira um dia do seu trabalho todos os anos e repassa aos sindicatos, é possível, entre outras bizarrices, um Sindicato da indústria de camisas para homens e roupas brancas de São Paulo, ou ainda um Sindicato de trabalhadores em entidades sindicais. E nada disso é piada.

Por ano, são R$ 3,9 bilhões distribuídos entre 11 mil sindicatos de trabalhadores e 5 mil sindicatos patronais.

Na reforma recém aprovada, o imposto deixa de existir – apesar de todo o lobby realizado por deputados como o presidente da Força Sindical, Paulinho da Força. Não é uma coincidência que isso gere tantos protestos nesse momento.”

Assim, você quenos lê nesse momento percebe que o que está acontecendo nos bastidores, mais uma vez, uma vil manipulação dos trabalhadores. Ou seja: mais do mesmo.

O fim do Imposto Sindical é apenas o início, já que ainda há mais vespas neste vespeiro.

Alguns sindicatos ainda estão cobertos por ACTs que preconizam a tal Contribuição Assistencial, um desconto mensal em folha quer você seja filiado ou não. Agradeçam ao Senador Paulo Paim, um ilustre anônimo que, quando aparece, é para defender a causa dos trabalhadores… quer dizer, dos sindicatos.

Há também contribuições que as empresas devem fazer para “fundações” ligadas a sindicatos, e tudo escrito no Acordo Coletivo, ou seja: o trabalhador financia o sindicato e a empresa idem.

Criamos uma república sindical, onde o Governo por mais de uma década fez o que quis, deitou e rolou, e contou com a conivência silenciosa dos sindicatos, todos financiados obrigatoriamente pelo trabalhador.

Sindicatos estão aí para representar o trabalhador sim, mas a relação entre trabalhador e sindicato deve ser uma relação onde ambos são parceiros e não uma relação onde o trabalhador é refém do seu sindicato.

Mudanças de estatuto na surdina, assembleias com meia dúzia de gente (geralmente com idade bastante avançada), convenções em locais remotos… Certamente esta não é melhor forma de se fazer sindicalismo.

O fim dos sindicatos não é uma coisa positiva, definitivamente. É sempre melhor negociar coisas em grupo. Porém, a mudança na relação entre trabalhadores e sindicatos é necessária e passa por uma conscientização que, inevitavelmente, exigirá proximidade e transparência nessa relação. Nada mais, nada menos que isso.

Acreditem.

Resta saber somente duas coisas:

1- Sindicalistas estão dispostos a esta proximidade e transparência?

São anos e mais anos de obscuridade, palavras bonitas e práticas espúrias, discursos apartidários e profundas ligações com partidos políticos. E ligação com partido político é uma coisa que, na minha opinião, não é boa nem ruim, sendo apenas um fato. Porém, é algo que deve ficar claro dentro de um sindicato.

2- Trabalhadores vão realmente participar das atividades, comparecer a assembleias, se envolver no dia a dia dos sindicatos?

Infelizmente boa parte dos trabalhadores ainda veem os sindicalistas ou como “heróis” ou como “seus empregados”, do tipo “estou pagando então você trabalhando aí pra mim”.

Os primeiros, aqueles que veem os sindicalistas como “heróis”, em sua maioria até participam um pouco, levantando a mão em assembleias, mas não se envolvem de fato, apenas dizem “amém”.

Já os outros, os que veem os sindicalistas como seu empregados, esses são desinteressados mesmo. Posam de conscientizados, mas fazem um mal bem pior do que os primeiros, uma vez que sustentam uma estrutura na qual não confiam, havendo uma simples troca, literalmente uma prestação de serviço mesmo entre as partes.

Esta relação entre trabalhadores e sindicatos deveria ser bem diferente, deveria ser literalmente resumida numa palavra: REPRESENTATIVIDADE. Daquele tipo que você olha pra cara do sindicalista e consegue se enxergar nele. Você, caro leitor, quando olha para os sindicalistas da sua classe, consegue se ver neles?

Faça-se esta pergunta.

Por Rodrigo Cintra

10 COMMENTS

  1. O que está em jogo aqui são direitos dos trabalhadores e já são mais de 14 milhões de desempregados sem perspectiva de conseguir trabalho para produzir seu próprio sustento . É certo que os sindicatos já deveriam ter se manifestado há mais tempo sobre essa questão, entretanto somente com a perspectiva de começarem a perder regalias sindicais proposta na reforma trabalhista constituídas por pontos importantes de modernização é que se mobilizaram em forma de protesto e mesmo assim com pouca ou nenhuma revindicações para reduzir esse quadro.

  2. A partir da eleição do “persona non grata” do FHC, os sindicatos começaram a rápida caminhada rumo ao PELEGATO. Isto colocou em cheque o que agora a CÃMARA e SENADO aprovaram – o fim da chamada contribuição sindical obrigatória. Em parte, com razões já que os valores de imposto são desviados para fins nada sindicais…

  3. Caro Rodrigo Cintra, infelizmente você é mais um que não tem compromisso com o Brasil é seu povo, é mais um que vive a bajular os empresários.
    No teu blog tu nunca deu uma notícia animadora para a nossa categoria marítima.

    • José

      Aqui noticiamos o que ocorre, noticiamos fatos e algumas vezes publicamos artigos com opiniões.
      Você não quer saber, pelo visto, do que está acontecendo.
      Você quer apenas as boas notícias (e já demos muitas boas notícias por aqui, diga-se de passagem).
      Infelizmente alguns colegas preferem uma doce mentira à verdade factual.
      Vá a seu sindicato: ele provavelmente vai te dar boas notícias.

  4. acho que os sindicalistas estão com medo de perder o imposto
    sindical, afinal de contas não querem parar de mamar nas tetas dos trabalhadores, já que muitos sindicatos com diretoria pelega, gosta mesmo e de se locupletar as custas dos trabalhadores, lógico que não são todos os sindicatos, mas a maioria usa em beneficio próprio e não fazem nada pela classe trabalhadora, eu não entendo porque este medo de perder esta verba anual já que o governo esta abrindo mão da parte dele os vinte por cento, e o restante vai para os sindicatos, e repassam uma mensalidade para as centrais sindicais, que também estão mamando as custas dos sindicatos. agora eu quero ver quem vai querer contribuir,ou seja o trabalhador vai ter que autorizar o desconto se já não bastasse a mensalidade que alguns se sentem na obrigatoriedade de contribuir por força de convenção coletiva. estou de pleno acordo com esta redação, os outros pontos tem que ser discutido com mais calma pois algumas questões podem prejudicar o trabalhador no futuro. FIM DO IMPOSTO SINDICAL

  5. bastaria uma reforma sindical não concordo também com a estrutura sindical Brasileira,dai a mudar para pior claro toda uma legislação trabalhista e um absurdo,querem fazer do Brasil um pais de miseráveis,podem enganar a todos,mas nos que somos marítimos sabemos com funciona lá fora em paises de terceiro mundo,bem patronal seu comentário,do tipo quero segura minha boquinha.

    • Marcio

      Você deveria ter vergonha de escrever um comentário como esse.
      Não temos uma equipe que fique à sua disposição em pleno feriado para aprovar seus comentários.
      Moderação significa ordem.
      Se não moderarmos os comentários, todo tipo de baixaria e polêmica fica registrado em nossas páginas e no final sabe quem se responsabiliza?
      Esse aqui que escreve.
      Seus comentários foram aprovados. Tenha paciência.

      • a única vergonha que tenho atualmente e de ser Brasileiro,tudo que os militares faziam como censura ,AI-5,tortura e etc,tinha como desculpa a ordem institucional,que se responsabiliza e quem escreve para isto e registrado seu comentário.

  6. Os sindicatos e partidos correlatos sabem bem usar as 10 Estratégias de Manipulação Midiática do lingüista estadunidense Noam Chomsky.

    Dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores da empresa, pelo menos 33 decidiram voltar ao trabalho. Greve durou 12 dias e atrasou envio de correspondências.
    ! 36 sindicatos !?

    “Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade.”
    “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.”
    “A falta do saber e a falta de informações, são os princípios da manipulação”

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