Maersk Line afirma que recuperação de volumes nos portos deve levar mais três anos

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Serão necessários, ao menos, mais três anos para que o Brasil recupere os volumes de importação e exportação movimentados antes do início da crise econômica, em 2015. A previsão é da Maersk Line, líder mundial no transporte de contêineres, que usa como base a participação do País nas trocas comerciais.

Entre janeiro e março, as operações do grupo, no Brasil, cresceram 5,8%. Foi o segundo trimestre consecutivo de crescimento no País após quedas contínuas no transporte de cargas nos últimos 15 meses.

“Mesmo com as importações aumentando, e vão continuar aumentando no segundo e terceiro trimestres de 2017, temos que lembrar que estamos lidando com uma base de comparação extremamente baixa. Estamos falando dos piores níveis já vistos desde os anos 90. Assim, a Maersk permanece cautelosa em 2017. Estamos falando de uma recuperação mas ainda muito tímida”, destacou o diretor da Maersk Line para a Costa Leste da América do Sul, Antonio Dominguez.

A projeção do executivo leva em conta o crescimento de 14% nas importações e o discreto aumento de 0,1% nas exportações no primeiro trimestre. Mas, apesar da aparente recuperação, quando comparados com os índices verificados há alguns anos, a queda ainda é grande. “Nós achamos que somente vamos atingir o patamar pré-crise em 2020. Isso está motivado pelo fato de que as importações, ainda crescendo dois dígitos, continuam muito deprimidas. Se faz o comparativo com 2014, a redução é de 40% a 45%. É muita coisa que ainda temos para recuperar”, destacou Dominguez.

De acordo com o diretor, no primeiro trimestre, as importações cresceram 14%, totalizando o desembarque de 467 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Mas em 2015, o volume transportado entre janeiro e março de 2015 foi de 590 mil TEU.

A Maersk Line prevê que as importações brasileiras registrarão dois dígitos de crescimento até, pelo menos, setembro. Mas é possível que esse índice caia para um dígito no quarto trimestre, antes do Natal.

Entre as cargas afetadas pela queda das importações estão, principalmente, os componentes usados na indústria automobilística. Nesta conta, ainda devem ser incluídos todos os itens de varejo.

Exportações

Para Antonio Dominguez, nas exportações, o maior gargalo é a falta de equipamentos e de espaço nos navios. O problema afeta cargas como milho, trigo e soja, que passam a ser embarcados a granel devido à escassez de contêineres em solo nacional.

“O maior impacto tem a ver com os refrigerados. Os números das importações de refrigerados para o País tiveram uma queda ainda maior do que o volume da carga seca. Isso resultou em uma falta de equipamentos e os armadores, agora, têm de trazer equipamentos vazios para o Brasil para tê-los prontos para as exportações”, destacou o executivo.

A garantia da retomada do crescimento e a consolidação da posição do Brasil no comércio exterior esbarram em problemas que ultrapassam as barreiras da economia, segundo Dominguez. Além da confiança dos consumidores, o fator político é outra questão que influencia diretamente no bom desempenho do País no mercado internacional.

“O principal fator é a confiança do consumidor. Ele ainda está muito temeroso. Mesmo que nós tenhamos olhado, nos últimos meses, uma melhora da confiança, uma queda nos juros, um aumento nas vendas do varejo, ainda é tudo muito tímido”, analisa o representante da armadora.

Frete

O diretor da Maersk Line também aponta a redução do preço do frete e o aumento dos custos com combustível como fatores que criam um momento de desafio para armadoras. “No ano passado, em 2016, na indústria como um todo, os níveis de frete despencaram 19%. No primeiro trimestre desse ano, há um aumento de 4,4%, mas o aumento do bunker foi de 80%”, explicou.

Fonte: Fernanda Balbino / A Tribuna

Por Redação 

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