Libra – Problemas no projeto devem empurrar primeiro óleo para 2021

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FPSO Pioneiro de Libra Foto: Dawid M.

Segundo declarações de Ibsen Flores, Presidente da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), haverá atrasos na entrada em operação da primeira plataforma do prospecto de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

O Teste de Longa Duração (TLD), que estava previsto para julho, foi prejudicado por prblemas na instalação dos equipamentos e o início da operação ficou adiado por tempo indeterminado.

O atraso da produção ocorreu devido a problemas durante a movimentação de um Umbilical Eletro Hidráulico (UEH) do poço 3-RJS-739A, que acabou caindo no mar, mas já foi recuperado, e seria este o único motivo.

Pelo menos esta é a versão da empresa.

Porém, o que se afirma nos bastidores do mercado é que o atraso, apesar de estar relacionado com o incidente, vai muito além do ocorrido, pois a Petrobras, que segue solicitando a ajuda das empresas do consórcio para melhor analisar detalhes técnicos do projeto após modificações feitas no projeto original, acabou atrasando mais ainda o projeto.

O FPSO Piloto, que depende ainda de um pedido de waiver da ANP, vai produzir 180 mil barris de óleo e 12 milhões de m3 de gás por dia através de 17 poços, sendo 8 para produção e 9 para injeção.

As empresas querem cadenciar o TLD com o posicionamento da ANP sobre o pedido de waiver para que não se tenha grandes problemas e especulações em relação ao projeto.

Realizar o TLD, tirar as conclusões, e depois o waiver da FPSO ficar enrolado, pode ficar “muito feio”, num momento onde as coisas não podem dar errado.

O projeto, que fora concebido para receber risers, acabou sendo modificado para que fosse capaz de receber também dutos flexíveis, o que acabou gerando um impasse entre as empresas do consórcios.

Desta forma, Petrobras, Total, CNPC, CNOOC e Shell não chegaram a um consenso para decidirem se vão converter um VLCC ou um ULCC para ser a FPSO do projeto.

Coincidências à parte, estes são os fatos.

Assim, as propostas enviadas pela Bluewater, BW Offshore, Modec e SBM, seguem na fase de avaliação técnica desde sua entrega, em Abril, e há uma meta do consórcio em liquidar este impasse o quanto antes, já que o plano é mandar ainda em julho o relatório com as conclusões da licitação. A partir daí, cabe a ANP se posicionar sobre o pedido de waiver da FPSO, e espera-se que isso leve aproximadamente um mês.

Apesar de serem fases distintas, neste caso o TLD e o envio do relatório para a ANP analisar e emitir o pedido de waiver, está sendo meio que tratado como a velha história do ovo e da galinha.

Em nota oficial, a Petrobras afirmou que a definição da nova data para o primeiro óleo de Libra ainda depende do retorno à operação do sistema de ‘pull-in’ do FPSO Pioneiro de Libra, da reprogramação das atividades de interligação dos poços e da Licença de Operação (LO) a ser emitida pelo Ibama.

Os dois poços que fazem parte do TLD, o produtor 3-RJS-739A e o injetor 3-RJS-742, já foram completados e aguardam a interligação ao FPSO Pioneiro de Libra.

E nesta brincadeira, o primeiro óleo vai sendo empurrado para 2021, conforme temos afirmado e repetido nos diversos eventos em que participamos, já que todas as previsões de Mercado indicam que o ano de 2020 será crucial para a Indústria Petrolífera, informação esta que em breve abriremos aqui em nossa página.

O consórcio de Libra, que é operado e liderado pela Petrobras, tem como parceiros ainda Shell, Total, CNPC e CNOOC e tem até o fim deste ano para declarar a comercialidade do prospecto à ANP.

Por Rodrigo Cintra

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