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Yara Birkeland – O navio desguarnecido desenvolvido pela parceria entre a Yara e a Kongsberg

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Duas empresas norueguesas estão liderando a corrida tecnológica para construir o primeiro navio autônomo desguarnecido, um passo que pode se tornar um divisor de águas no comércio marítimo mundial.

Apelidado pelos executivos do transporte marítimo como “Tesla of the Seas”, o navio Yara Birkeland, que foi noticiado em nossa página em maio, um conteinero aberto com capacidade de carregar até 150 TEUs, está com seu projeto em desenvolvimento através de uma parceria de negócios entre as norueguesas Yara International, uma empresa que atua na indústria de fertilizantes, e a Kongsberg, já bem conhecida pelos seus sistemas comercializados na indústria marítima.

Área das primeiras operações do navio

O projeto está programado para ficar pronto no final de 2018, quando deve carregar fertilizantes e navegar por fiordes na Noruega, e a princípio ele atuará dentro do limite das 12 milhas náuticas na costa da Noruega, entre 3 portos no sul do país: Herøya, Brevik e Larvik.

As distâncias não são tão grandes, sendo de aproximadamente 7 milhas náuticas entre Herøya e Brevik e de 30 milhas náuticas entre Herøya e Larvik.

Toda a área é coberta pelo sistema VTS (Vessel Traffic System) da NCA (Norwegian Coastal Administration – Kystverket) que fica em Brevik. A NCA é uma agência do Ministério de Transportes e Comunicações, responsável pelos serviços relacionados à segurança marítima, infraestrutura marítima, planejamento eficiente de transportes e respostas à poluição.

Utilizando a tecnologia que se conecta ao sistema de posicionamento global, o nosso conhecido GPS, e através de radares, câmeras e sensores, o navio elétrico é projetado para navegar por conta própria, manobrando entre as embarcações convencionais e até mesmo atracando sozinho, sem nenhuma interferência humana.

O custo para se construir um navio desses é de US$ 25 milhões, cerca de três vezes mais que um conteinero convencional de mesmo tamanho. Porém, segundo os que defendem este projeto, como não há custos com bunker, uma vez que o navio é movido a propulsão elétrica, e não há custos com tripulação, o projeto promete uma economia de até 90% de orçamento operacional.

Além disso, o projeto consegue atingir a marca de zero emissões de carbono, enxofre e outras mais. Fora isso, um navio como esse evita até 40 mil viagens de caminhão em áreas urbanas, promovendo também a diminuição do impacto ambiental e na própria infraestrutura local.

Sensores fazem todo o trabalho dando referências para os sistema automatizados do navio
As especificações do navio ainda estão com um certo nível de incerteza, já que o projeto está em desenvolvimento, podendo ainda sofrer algumas notificações. Porém, boa parte do projeto já está definida, conforme os detalhes abaixo.

Características Principais:

  • Comprimento Total: maior que 70 m
  • Boca:15 m
  • Pontal: 12 m
  • Calado Máximo: 5 m
  • Calado Leve: 3 m
  • Velocidade de Serviço: 6 nós
  • Velocidade Máxima: 10 nós
  • Capacidade de Carga: 100 – 150 TEUs
  • Porte Bruto: entre 3500 e 4500 T
  • Propulsão: Elétrica com dois azipods, dois propulsores transversais
  • Energia: Bancos de bateria com uma capacidade entre 3,5 e 4 MWh
Projeto é totalmente inovador

Sensores para navegação e manobra:

  • Câmera
  • Radar
  • AIS
  • Lidar
  • Câmera Infra Vermelha

Seus sistemas de carga e descarga são compostos por guindastes elétricos e equipamentos automáticos com altíssimo nível de automação, bem como seu sistema de amarração e fundeio.

O navio terá a capacidade de manobrar desguarnecido em 2020, segundo as empresas envolvidas no projeto.

Conforme citado mais acima, o plano é que o navio esteja na água antes do final de 2018. Inicialmente o navio será tripulado, passando em 2019 para operações remotas até atingir a operação autônoma em 2020, e nos bastidores, conforme pudemos verificar durante a Norshipping 2017, a Wilhelmesen deve ser envolvida neste projeto em breve, muito provavelmente como operador e gestor da embarcação.

A Yara, que lidera o projeto, tem planos para investir no desenvolvimento de navios ainda maiores para utilizá-los em percursos mais longos, já que atualmente as regras de navegação internacional para os navios desguarnecidos, estão sendo discutidas e delineadas. A empresa pretende de maneira bastante emblemática enviar uma carga de fertilizantes da Holanda ao Brasil assim que o projeto tomar a dimensão necessária para isso.

Por Rodrigo Cintra

3 COMMENTS

  1. Mais desempregos a vista. Quando os empresários acabarem com os colaboradores, vão vender seus produtos para quem?

  2. Será o fim do emprego no mar? Quero aproveitar o espaço aqui também para agradecer a atenção que o Alan Lameira me prestou. Esclareceu-me muita coisa, foi uma conversa muito descontraída e proveitosa.Foi só uma pena que o sinal não estava muito bom a caía toda hora por aqui. Mas, deu para desenvolver. Em contatos como esse nós percebemos a grandiosidade do Portal Marítimo e a seriedade dessa magnífica equipe. Já sabemos disso quando frequentamos o site e temos o prazer de ler as matérias. Mas, em contatos dessa espécie sentimos isso mais de perto. Muito agradecido as todos(as), ao Alan,ao Rodrigo. Só demorei um pouco de dar esse retorno devido a correria. No mais sucesso e muitas felicidades a todos vocês. Que esse Portal seja cada vez maior e mais forte.

    Abraço

    Alex Ambrosi

  3. Tenho debatido muito este assunto com vários colegas. Isso já foi tentado por japoneses no passado (anos 80) e não vingou, embora saibamos da grande diferença tecnológica entre a década de 80 e os dias de hoje.
    Porém, dentro do nosso segmento, nos grandes mares e oceanos com toda a sorte de problemas não previsíveis provenientes da natureza e dos demais fatores adversos já bem bem conhecidos por nós Marítimos Profissionais de navegação e de máquinas, acho que essa ideia não vingará novamente e o custo pelas perdas será muito, mas muito elevado. As seguradoras vão ter de se reinventar para cobrir tais navios e suas cargas, tamanha a vulnerabilidade.
    A tecnologia nunca venceu as forças da natureza e também não terá chances contra as falhas que vão requerer manutenção no nível de correção local ou a pirataria. Já com o ser humano presente, sempre haverão recursos e ações a tomar para qualquer situação!
    Acho que ainda estamos bem longe de estarmos extintos como profissão.
    Essa é a minha opinião.

    Um forte abraço.

    Paulo Sérgio Monteiro Costa
    Oficial Superior de Máquinas
    Turma EFOMM / RJ – 1984

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