Porto de Santana, no Amapá, se prepara para grande expansão

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Publicada em janeiro de 2017, a versão preliminar do Plano Mestre do Complexo Portuário de Santana, do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC), prevê uma evolução espetacular na demanda por cargas de grãos e farelos na estrutura nos próximos 30 anos.

“O Amapá conta com 2,4 milhões de hectares de recursos florestais, 500.000 hectares de cerrados para a produção de grãos e ainda conta com muitos recursos naturais como manganês, ferro e granito, portanto, é necessário ampliar e modernizar ainda mais o porto, para permitir que possa tornar-se mais relevante”, diz o estudo em um trecho.

A Companhia Docas de Santana (CDSA) sabe que a estrutura atual, com dois berços de 150 e 200 metros de extensão, alcancará seu limite operacional já em 2018. “Com a perspectiva desse aumento, estamos à procura de investidores para desenvolver o porto e assegurar mais obras”, diz Victor Hugo Holanda, diretor operacional da CDSA.

Segundo ele, a perspectiva de crescimento está amparada em grande parte na posição geográfica privilegiada. “Santana é o porto brasileiro mais próximo da Europa, da África e da saída para o Caribe e o Canal do Panamá, que é o grande facilitador da logística internacional”, afirma.

Entre os investimentos previstos, segundo ele, estão os estudos para um canal no Rio Amazonas, com o objetivo de amenizar um dos principais gargalos: a limitação de calado na chamada Barra Norte, que hoje é de 11,5 metros – o que permite a passagem de navios para, no máximo, 55.000 toneladas.

A área disponível do porto público é de 170.000 metros quadrados, sendo que metade está ocupada atualmente. De acordo com o diretor, uma área de 80.000 metros quadrados está em fase de licenciamento ambiental e deverá ser colocada à disposição para arrendamento nos próximos anos. Temos outra área, de 50.000 metros quadrados, que está em demanda judicial, mas com parecer favorável ao porto para reintegração, ou seja, temos espaço para crescer”, afirma.

Principais cargas são minério de ferro, derivados de petróleo e pallets de madeira, mas o carro-chefe deverá ser mesmo o agronegócio

O porto hoje movimenta principalmente minério de ferro, derivados de petróleo e pallets de madeira, mas o carro-chefe deverá ser mesmo o agronegócio, admite o diretor. Além de um novo berço, especializado em grãos, a CDSA já tem projeto para um novo acesso rodoviário ao porto, apostando no aumento das cargas oriundas das fazendas locais.

A Cianport estima começar em 2018 as obras do TUP (Terminal de Uso Privativo) da Ilha de Santana. O projeto está dividido em três fases, sendo a primeira a construção da infraestrutura de armazenagem, carga e descarga de grãos.

Um píer, com 300 metros de extensão, será implantado a 122 metros da margem e terá dois berços de atracação (um interno, para barcaças, outro externo, para navios). Para a armazenagem de grãos, estão previstos dois armazéns, com capacidade estática total de 180.000 toneladas.

O gerente Gilberto Coelho explica que o terminal do porto público continuará em operação após a inauguração do TUP. “Mesmo com menor capacidade, o terminal atual será muito importante, pois vai nos permitir mais margem de manobra para diferentes tipos de carga, como grãos transgênicos e não transgênicos”, diz.

Outra vantagem da operação conjunta será a possibilidade de lidar com a diferença entre as “janelas” de produção de soja em Mato Grosso e no Amapá. “Em Mato Grosso, a colheita ocorre entre março e abril. A safra daqui é de julho a agosto, quando já estaremos escoando o milho de segunda safra. Então, a vantagem é que vamos estar sempre com as portas abertas.”A segunda fase do projeto é a construção de um complexo industrial que abrigará uma esmagadora de soja, fábricas de ração e biodiesel e uma misturadora de fertilizantes. Já a terceira prevê a diversificação de cargas, com estrutura para transporte em contêineres.

Outro investimento privado prestes a entrar em operação em Santana é o da Caramuru Alimentos, que ergueu um terminal de armazenagem próprio na área do porto público para exportação de farelo de soja do tipo SPC (proteína concentrada de soja), um produto de alto valor agregado que é utilizado na Europa para a fabricação de rações para peixes como o salmão.

Assim como a Cianport, a empresa também investiu em uma estação de transbordo em Miritituba, para onde irá remeter o farelo que produz na fábrica de Sorriso (MT). Atualmente, a produção da companhia segue por caminhão por 2.300 quilômetros até o Porto de Santos (SP), rota que aumenta em cinco dias, em média, o percurso marítimo até os principais portos internacionais.

Além de duplicar a capacidade atual da fábrica em Mato Grosso (de 160.000 toneladas), a Caramuru tem planos para abrir uma esmagadora no Amapá, de olho na esperada expansão das lavouras locais.

Fonte: Globo Rural

Por Redação 

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