Em parceria com a Huisman, Diamond Offshore desenvolve projeto inovador de navio sonda

0
2098

A Diamond Offshore e a Huisman criaram um novo conceito para navios sonda em um projeto de alto nível de automação. O conceito, que foi batizado como “Floating Factory”, representa a próxima geração de navios sonda e promete melhorar em até 30% o tempo necessário para a realização de uma completação de poço.

Este navio tomou como base o design Huisdrill 12000 para águas ultraprofundas, um projeto que já reduziu o tempo de perfuração em 20% e que possui duas torres de perfuração, dando mais flexibilidade para a unidade.

Projeto é baseado do design Huisdrill 12000

Atualmente as plataformas realmente perfuram por apenas aproximadamente 20% do tempo da operação em si. O resto de tempo, que chamamos de “flat time” a unidade fica realizando outras atividades como por exemplo tripping, slip e cut da drill line e o recolhimento e lançamento de equipamentos no poço.

Gráfico mostrando flat time

Como as torres não possuem grades, sendo abertas, os guindastes conseguem movimentar todo tipo de material diretamente no piso da perfuração. A unidade também possui um sistema robotizado de manuseio dos tubos de perfuração, que está alinha com o convés principal possuindo um sistema auto compensatório de balanço do navio, dois blocos de coroamento e draworks do tipo “dual drum”, com alto nível de redundância.

A unidade é considerada uma verdadeira fábrica flutuante devido ao seu alto nível de automação, que possibilita a operação de um piso da perfuração totalmente robotizado.

Operações totalmente automatizadas também trazem a vantagem de aumentarem o nível de segurança. Os registros da indústria da perfuração evidenciam que 40% dos acidentes que ocorrem a bordo de navios sonda costumam acontecer no piso da perfuração. A ausência do fator humano ali, manuseando os tubos chaves hidráulicas, cunhas, etc, acaba por reduzir drasticamente a possibilidade de acidentes que coloquem em risco a vida dos trabalhadores.

Com este nível de automação e com a alta capacidade de armazenamento de equipamentos, a equipe de perfuração acaba tendo uma melhor estrutura e maior tempo para preparar as etapas da perfuração uma a uma.

O mais bacana é que não necessariamente a equipe é reduzida. Pelo contrário: a equipe deve ser mantida para justamente acelerar as operações, pois enquanto os equipamentos robotizados vão realizando as tarefas, os trabalhadores vão adiantando e preparando outras.

A própria ABS, sociedade classificadora da unidade, afirmou que este tipo de navio otimiza o tempo da operação porque consegue realizar a perfuração mudando de uma fase para outra reduzindo o tempo de transição entre elas e realizando parte das rotinas fora da linha crítica do processo, justamente por causa da automação.

Seria como se num projeto qualquer nós pudéssemos reduzir a linha crítica. Quem já trabalhou com Gerenciamento de Projetos sabe do que estou falando.

E cá entre nós: num momento em que o barril de petróleo opera em níveis baixos, a otimização de processos e redução do tempo destinado às diversas operações na indústria petrolífera significa economia de custos.

Afinal, produzir um barril que custa US$ 50 tem que ser mais barato do que produzir um barril que custava US$ 100.

Do contrário, podemos esquecer deste negócio.

Parabéns a Diamond e a Huismann, que se posicionam um passo adiante da indústria com um projeto deste nível, onde os padrões de QSMS acabam sendo elevados, as operações otimizadas e os custos reduzidos

Por Rodrigo Cintra

Deixe uma resposta